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Festival Varilux 2016: Chocolate
CINÉFILOS
13 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Larissa Fernandes
lfernadesr05@gmail.com

França, final do século XIX. O que esperar de uma sociedade que possui o primeiro negro como notório artista circense? Enquanto o seu espetáculo envolver números vexatórios, utilizando pré concepções sobre a sua raça, será muito aplaudido e bem aceito. Através de uma história verídica, o filme Chocolate (Chocolat, 2016), dirigido por Roschdy Zem, aborda a trajetória de Rafael Padilla (Omar Sy), mais conhecido como Chocolate, que se une com o palhaço George Footit (James Thiérrée) para montar atrações inovadoras que viriam a consagrar o nome da dupla por todo país.

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Após fingir ser um canibal para conquistar os aplausos de espectadores em um circo no interior da França, Chocolate se vê diante da oportunidade de aparecer para o público como um palhaço ajudante. Mesmo com essa transformação, mantem-se estigmatizado, interpretando personagens que sempre apanham de seu parceiro, um homem branco, enquanto arranca risadas de plateias lotadas.

Antes de ter consciência de que continua sendo inferiorizado nessas atuações, o jovem acaba se deslumbrando com o sucesso que seus diversos shows com Footit lhe rende. Por meio da fama e o dinheiro proporcionados, Chocolate sente-se um grande artista, assim como o seu colega de trabalho, mas logo percebe que muitos não o enxergam dessa mesma maneira.

Com o passar do tempo, Padilla começa a notar a resistência de George para tratá-lo como igual no palco, apesar deste sabe o quão capacitado é o rapaz. Não aguentando mais ser subjugado para poder ter reconhecimento, o artista inicia a busca pela carreira de ator teatral, através de um personagem negro constantemente representado por brancos. O resultado não é o que o protagonista esperava, visto que a dificuldade em se aceitar atores negros para representar personagens negros se perpetua em diversas produções cinematográficas até os dias atuais.

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A resolução desse episódio acaba contribuindo para alteração do rumo de Chocolate, fato que não é tão bem trabalhado durante o longa, que acaba mostrando apenas os efeitos de tal situação. A quantidade exacerbada de cenas em que os palhaços trabalham juntos poderia ser reduzida para que houvesse uma abordagem mais detalhada do que ocorreu antes da história de Rafael ter tido o desfecho apresentado.

Outra questão a ser pontuada é a diferença entre a dupla de Os Intocáveis, 2012, que também se baseia em uma história real, cujo contexto histórico é muito mais recente. No longa, também tendo Omar Sy como um dos personagens principais, a relação entre Philippe (François Cluzet) e Driss é muito mais harmoniosa e horizontal do que a construída entre os dois palhaços, que se revela mais afetiva no final da trama. Mas, assim como em Chocolate, Omar encara um personagem com carga dramática sem deixar de lado o bom humor aparente.

A história desse artista revela o descobrimento de uma identidade, a busca por igualdade no reconhecimento de seu talento e as dificuldades para que, de fato, isso fosse alcançado em um período dominado por uma atmosfera extremamente preconceituosa. Diante desse cenário, o enredo retratado nas telas ganha grande valor e merece ser descoberto, destacando-se entre aqueles que possuem uma veia mais emotiva e estão dispostos a assistir um drama real.

Chocolate está em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês 2016, de 8 a 22 de Junho. Depois desta data, o filme está em cartaz para o público geral a partir de 21 de Julho.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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