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Festival Varilux 2018 – O Último Suspiro
CINÉFILOS
15 jun 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte do Festival Varilux de Cinema Francês de 2018. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Na tentativa de imitar um suspense apocalíptico hollywoodiano O Último Suspiro (Dans la brume, 2018), filme apresentado no festival Varilux e dirigido por Daniel Roby, acerta miseravelmente. Possui todos os clichês de um filme cheio de ação, o herói que tem que ser deixado para trás com um último beijo, a vítima que precisa morrer poucos segundos antes da possibilidade de alguém salvá-la. Tudo isso que já estamos cansados de ver, mas com os efeitos especiais merecidos.

O filme se passa em Paris, onde Mathieu, personagem de Romain Duris, vive separado de sua ex mulher Anna, interpretada por Olga Kurylenko. A única coisa os unindo é Sarah, papel de Fantine Harduin, filha de ambos que nasceu com uma grave condição médica, impedindo que ela sobreviva no ambiente natural, por isso é obrigada a passar os 12 primeiros anos de sua vida em uma bolha dentro de seu apartamento.

Mathieu fugindo da névoa tóxica (Imagem: Divulgação)

O clímax da obra acontece logo nos dez primeiros minutos, um grande tremor de terra seguido de uma névoa que vem como uma tsunami por sobre a cidade. O  que depois se mostra como um exagero sem sentido, quando se tem a revelação de que o gás é proveniente do subsolo. Mathieu e Anna, então, se refugiam da tóxica neblina no último andar de seu prédio, onde ela não consegue chegar. Sarah fica em sua bolha e os pais se revezam para descer e trocar a bateria.

O resto do longa é recheado dos famosos clichês dos filmes de ação, e assim todos os planos que os pais desenvolvem, para se salvar e levar a filha junto, dão errado, enquanto a névoa segue avançando. É por isso que essa parte, embora cheia de ação, talvez seja a mais tediosa da produção. Os tons essencialmente pastéis de todas as roupas e paisagens também não ajudam muito.

Os pais refugiados no último andar do prédio (Imagem: Divulgação)

Quando, enfim, algumas questões mais instigantes, como a existência de Deus e a conduta humana em situações extremas, começam a surgir, elas não têm o devido enfoque e passam despercebidas. Colaborando ainda mais para a percepção de que o roteiro parece tentar encaixar todas as possíveis situações de sobrevivência em uma hora e meia, não trabalhando e desenvolvendo bem nenhuma delas.

No entanto, alguns efeitos são muito bem apresentados, como as tecnologias relacionadas à doença de Sarah, que possuem um ar futurista, e ainda assim, realista. Além da luz de dentro do aparelho que a protege, que somada à névoa ajuda a construir um belo suspense.

Os movimentos de câmera durante toda a ação, os enquadramentos e os planos utilizados, também ajudam bastante a passar a mensagem principal do filme ‒ a qual, por fim, se resume a uma troca de papéis, o pai que sempre sonhou com a liberdade da filha, nunca achou que tivesse que abrir mão da sua para que isso acontecesse.

O filme fica em cartaz, junto com todos os outros do festival, até o dia 20/06. Ainda dá tempo de assistir. Confira o trailer:

Por Maria Laura López
laura_lopez.8@usp.br

Cinéfilos
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