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Filmes Subestimados de 2016
CINÉFILOS
03 fev 2017 | Por Jornalismo Júnior

Listas de melhores filmes do ano são comuns em todo veículo de cinema que se preze. As retrospectivas relembram as produções que foram destaque e que também tem chances de serem celebradas nas temporadas de premiações. Mas sempre tem aqueles longas que por mais que sejam incríveis, não estão presentes nas grandes listas. Seja porque tiveram um lançamento tímido, seja porque não alcançou boas bilheterias, ou por serem simplesmente ignorados, alguns ótimos filmes passam despercebidos. Para fazer justiça, o Cinéfilos preparou uma lista de 10 longas que foram subestimados em 2016, mas que você precisa assistir!

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Wiener-Dog (2016), de Todd Solondz

Todd Solondz é cria da safra independente que surgiu nos Estados Unidos na década de 1990. É dele Felicidade (Happiness, 1998), com Phillip Seymor Hoffman e destaque em Cannes do mesmo ano e Bem-Vindo à Casa de Bonecas (Welcome to Dollhouse, 1995). Seu humor ácido e as comédias dramáticas estão de volta em Wiener-Dog, que traz um retorno triunfal do diretor depois de produções medianas lançadas nos últimos anos. Como é marca de Solondz, o filme tem várias histórias independentes que se unem por um único elemento: um simpático cão da raça Dachshund. Lançado nos Estados Unidos em junho de 2016, o longa estrelado por Greta Gerwig, Julie Delpy e Danny DeVito pode ser facilmente encontrado para download no Brasil.

 

Destino Especial (Midnight Special, 2016), de Jeff Nichols

O diretor Jeff Nichols fez barulho nos festivais do ano passado com o longa Loving, mas queremos indicar outra produção dele que não teve o merecido destaque: Destino Especial. Ficção científica das boas, mais uma vez é estrelado por Michael Shannon, parceria que o ator tem com Nichols desde o primeiro trabalho do diretor. O filme conta a história de um menino de oito anos que possui poderes especiais, que é levado pelo pai e o tio em uma fuga para proteger o garoto de uma seita. Disponível em home-vídeo e download.

https://www.youtube.com/watch?v=_O754EYVBhE

 

A Criada (The Handmaiden, 2016), de Chan Wook Park

Responsável por uma das masterpieces do cinema coreano, Oldboy (2003), o diretor Chan Wook Park teve uma tentativa de migrar para Hollywood com Segredos de Sangue (Stoker, 2013), que foi apenas regular e não agradou crítica nem público, acostumados com seu bom nível de qualidade. A boa notícia é que em sua volta para as produções de seu país, o diretor não decepciona. Com uma direção primorosa, um roteiro repleto de plot-twist e as cenas mais sensuais do ano, Park está de volta a sua melhor forma em A Criada, que esteve na última Mostra Internacional de São Paulo, e estreou nos cinemas brasileiros no último dia 12 de janeiro.

 

A Incrível Aventura de Rick Baker (Hunt for the Wilderpeople, 2016), de Taika Waititi

Dois foram os gêneros que se destacaram em 2016. De Deadpool (2016) a Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016), a comédia tomou fôlego e despontou em diversas listas de fim de ano. Mas dois outros títulos independentes também merecem reconhecimento. Esse A Incrível Aventura de Rick Baker gira em torno do sumiço de um velho rabugento e uma criança adotada, que mobiliza meia polícia na Nova Zelândia. Brincando com situações absurdas e inesperadas, o filme não só entende, como entra junto na fantasia de seus protagonistas. Por conta disso, a obra trabalha também de forma muito respeitosa temas como a solidão e o abandono (e é claro que sempre de forma muito cômica). Disponível para download.

 

Um Cadáver para Sobreviver (Swiss Army Man, 2016), de Daniels

“O primeiro peido o fará rir, e o último, chorar”. A partir dessa ideia, os diretores Dan Kwan e Daniel Scheinert, ou Daniels, confiam em mais um Daniel, o Radcliffe, e Paul Dano para entregar o filme mais original de 2016. Se os peidos não forem suficientes, que tal um pênis funcionando como uma bússola? Mas calma, por mais que esse pareça um tremendo besteirol, Um Cadáver Para Sobreviver é também uma das obras mais sensíveis e tocantes do ano. Traçando uma linda história de auto-descoberta e afirmação, os diretores se reapropriam de um imaginário grotesco para comentar as inseguranças da adolescência e do amor. Destaque também para a trilha sonora mais evocativa da temporada. Disponível no Netflix e para download.

https://www.youtube.com/watch?v=icPMWXVcuXw

 

O Convite (The Invitation, 2015), de Karyn Kusama

O outro gênero que se destacou foi o terror. De grandes blockbusters, como Invocação do Mal 2 (Conjuring 2, 2016) e Ouija – Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil, 2016), a produções mais independentes, como A Bruxa (The VVitch: A New-England Folktale) e Homem nas Trevas (Don’t Breathe, 2016), o gênero levou muitas pessoas ao cinema. No entanto, uma outra pérola escondida no Netflix deve ser lembrada. Quando convidado a uma festa de uma ex-namorada sumida de anos atrás, Will começa a suspeitar que algo estranho recobre a celebração. O envolvente da obra é justamente questionar ou abraçar a paranoia do protagonista. E para isso, a diretora constrói a tensão de forma lenta, mas muito incisiva, uma vez que cada nova camada é pano para ainda mais prudência e desconfiança. Disponível no Netflix e para download.

 

Blue Jay (2016), de Alex Lehmann

Ainda em território de Netflix, uma outra pérola, agora para os amantes da trilogia Antes do (Amanhecer, Pôr-do-Sol e Meia-Noite), temos Blue Jay, com Mark Duplass e Sarah Paulson (atriz de sucesso em séries como American Horror Story e American Crime Story – nessa última, onde ganhou a estatueta de melhor atriz dramática). Certo dia, após se esbarrarem num supermercado local, os dois passam o dia juntos relembrando as alegrias, jeitos e sonhos de quando namoravam há anos atrás. De forma muito leve, o universo aconchegante também reavive algumas desavenças, mostrando que qualquer relacionamento é muito mais complexo do que imaginamos à primeira vista. Disponível no Netflix e para download.

 

A 13ª Emenda (13th, 2016), de Ava DuVernay

E agora, um original Netflix, A 13ª Emenda é provavelmente um dos documentários mais crus do ano. Ava DuVernay, diretora de Selma – Uma Luta pela Igualdade (Selma, 2014), remonta à emenda que concedia liberdade a todos, exceto aos que haviam cometido um crime. Conforme o documentário avança, a diretora mostra como esse sistema acabou substituindo o modelo de escravidão pelo carcerário, onde os negros continuavam a ser o elo mais exposto. Passando de acontecimentos recentes, como os dos assassinatos de jovens negros pela Polícia, ao filme de 1915, O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation), que colocava a KKK como os heróis em cena, A 13ª Emenda analisa o quadro de forma abrangente, candidato ao Oscar na categoria Melhor Documentário. Disponível no Netflix e para download.

 

Era o Hotel Cambridge (2016), de Eliane Caffé

Ainda nas obras políticas, Era o Hotel Cambridge é uma ficção brasileira, que em muito se confunde com um documentário. Acompanhando os movimentos de resistência do MTST no Hotel Cambridge no centro da cidade de São Paulo, a diretora captura dias de tensão, como os de ocupação de outro prédio ou de despejo pela Polícia. Reunindo também imigrantes (palestinos, congoleses e colombianos), mulheres, idosos e artistas, o filme ganha em muito em seu caráter político por simplesmente observar suas personagens. É por humanizá-las, mostrar que acima de resistentes, todos no edifício são pessoas, que a luta se torna mais válida. Presente em diversos festivais do Brasil, como a Mostra Internacional de São Paulo, o Festival do Rio e a Mostra de Cinema de Tiradentes, Eliane também angariou alguns prêmios, como o de Melhor Filme Nacional pelo público da Mostra de SP. Ainda em circuito de festivais, Era o Hotel Cambridge tem previsão de estreia para dia 16 de março de 2017.

 

O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (Hymyilevä mies, 2016), de Juho Kuosmanen

É também da humanização que esse O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, vencedor de Un Certain Regard no Festival de Cannes, e candidato da Finlândia para Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, ganha fôlego. Acompanhando Olli Mäki, lutador peso-pena que teve a chance de competir no campeonato mundial de boxe em 1962, a narrativa não se preza a grandes reviravoltas ou complexas personagens. Preferindo muito mais as competições amadoras em que competia, o assédio da imprensa e patrocinadores o assusta, ainda mais quando ele não pode levar a vida calma e o amor confortável que sempre quis. Por mais anticlimática que possa parecer a conclusão, essa é na verdade uma das mais sinceras, e mesmo que todo o processo seja lento, o percurso segue num ritmo muito humano. Em suma, um filme (nada) comum sobre o comum de cada dia.

por Mel Pinheiro e Natan Novelli Tu
mel.pinheiro.silva@gmail.com
natunovelli@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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