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Fim da liberdade, fim da esperança, Fim de Festa
CINÉFILOS
05 mar 2020 | Por Marina Caiado (marinafcaiado@usp.br)

Todo fim de festa traz consigo uma melancolia, pelo fim da alegria e da liberdade que antes existiam e não estão mais lá. O carnaval, por exemplo, coloca o país em festa para roubar toda a felicidade na quarta-feira de cinzas. É essa sensação que protagoniza o longa Fim de Festa (2020), roteirizado e dirigido pelo pernambucano Hilton Lacerda, com um roteiro interessante e uma fotografia belíssima.

O filme conta a história de Breno (Irandhir Santos), um policial que precisa voltar mais cedo para o Recife a fim de investigar o assassinato de uma jovem francesa durante o carnaval. Chegando em casa, ele encontra seu filho Breninho (Gustavo Patriota) e sua amiga de infância Penha (Amanda Beça), junto dos amigos Ângelo (Leandro Villa) e Indira (Safira Moreira), que eles conheceram no carnaval. 

A partir disso, os espectadores passam a acompanhar os dois núcleos da história: o dos jovens aproveitando as festas de pós-carnaval e o de Breno, exausto e ansioso pelo fim de seu trabalho. À medida que a investigação caminha, o policial precisa lidar com ataques da imprensa local e com seus problemas do passado para tentar encontrar paz em meio ao sentimento de desesperança.

O longa consegue criar emoções reais, que trazem ao espectador a sensação de estar vivendo um fim de festa. Apesar disso estar presente durante todo o filme, uma coisa ainda é clara: no início, a festa não acabou completamente para os jovens, que ainda aproveitarão o pós-carnaval da quarta-feira de cinzas até o domingo. A festa está acabada apenas para Breno, que é obrigado a voltar a sua realidade antes do esperado para conseguir desvendar quem matou a jovem Emma. 

Isso pode servir de metáfora para os dias em que vivemos hoje, em que mesmo sem esperanças, a juventude se mantém inabalável, e mesmo em meio à melancolia, não deixa de lutar para que a festa continue. No final, porém, a festa realmente acaba para todos, o crime é resolvido e tudo volta ao normal. Afinal, a vida é muito mais feita de fins de festa do que de festas. Principalmente no Brasil, nesses tempos em que parecemos estar constantemente mergulhados no torpor de uma ressaca pós-carnaval.

Obrigado a voltar mais cedo do interior para fazer uma investigação, a festa acaba para o policial Breno. [Imagem: Carnaval Filmes/ Divulgação]

A fotografia não pode deixar de ser citada. É uma verdadeira obra de arte e consegue dar uma beleza única ao longa, explorando vários pontos de vista bastante criativos. Exemplo disso é a cena em que o apartamento de Breno é filmado por um drone, que pertence ao filho de seu vizinho. Além disso, também são inseridas várias imagens feitas por Penha, uma das jovens, que estava filmando os corpos no carnaval para seu trabalho de conclusão de curso. Esse elemento ajuda ainda mais na construção das emoções do filme, unido a narrações e efeitos sonoros arrepiantes, que dão um magnífico tom teatral à obra. 

No mais, as atuações são quase impecáveis e o roteiro prende o espectador através da beleza e do mistério que envolve a investigação do crime e o passado de Breno. No início, tudo está meio nublado, mas com o desenrolar da história, os fatos vão se esclarecendo e o final traz uma sensação que é ao mesmo tempo de paz, inquietude e, claro, ressaca.

Fim de Festa estreia no dia 5 de março. Confira o trailer

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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