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Fogo contra fogo: “Só queremos liberdade e igualdade”
CINÉFILOS
21 nov 2019 | Por Por Beatriz Carneiro (beatri@usp.br)

Fogo contra Fogo (The Story of Solomon Mahlangu, 2019) é uma obra prima de grande relevância para a história e para compreensão acerca de marcadores sociais construídos por uma parcela da sociedade que se auto-privilegia devido à sua melanina. O filme, dirigido pelo sul-africano Mandla Dube, é um drama biográfico que conta à história de luta de Solomon Kalushi Mahlangu, um agente sul-africano da ala militar do Congresso Nacional Africano, contra o Apartheid, sistema segregacionista da África do Sul. 

O cenário é autoral por se passar no próprio país rememorando os anos de 1970 em que vigorava o Apartheid. Esse foi um Regime segregacionismo racial que submetia ao negros africanos a lugares demarcados separando-os de forma discriminatória da população branca. Esse pano de fundo é seguido por uma perspectiva particular: Solomon Mahlangu (Thabo Rametsi) é um jovem negro, residente da cidade de Pretória, que trabalha como ambulante nas ruas para ajudar à família e que é constantemente constrangido e humilhado pelas forças de opressão que vigoram no país. 

Solomon se escondendo da perseguição policial [Imagem: reprodução]

Diante dessa situação ele não fica parado vendo o sofrimento do seu povo. O jovem volta-se contra a opressão governamental sul-africana e adentra ao movimento anti-Apartheid. Solomon começa a fazer parte do Congresso Nacional Africano (ANC) movimento que reivindica os direitos da população negra do país. É nesse momento que a vida dele e da família são colocadas em jogo: Solomon é acusado pelo homicídios de dois homens brancos e precisa travar uma luta para provar à sua inocência. 

Preparação militar para atacar as forças do regime segregacionista [Imagem: reprodução]

Essa é uma história construída de forma sensível e forte. O diretor mostra o olhar de pessoas comuns e desconhecidas que vivem tal realidade. A caracterização da humanidade muitas vezes tirada das pessoas negras  é trabalhada com objetivo de mostrar as relações de afeto, amor e sofrimento. Esses podem ser observados pela verossimilhança da fotografia e trilha sonora.

Solomon e sua namorada [imagem: reprodução]

Atribuir humanidade aos negros que ao decorrer dos séculos tiveram à sua cor transformada em mercadoria é de uma genialidade sem tamanho. É importante enfatizar que esse é um filme feito por um diretor negro e sul-africano que tem voz para falar com extrema propriedade do assunto. É impossível não sair da sala de cinema sem pensar, chorar e refletir sobre essas estruturas bárbaras que ainda permeiam nossa sociedade. A obra é uma aula de conhecimento e memória, e sem dúvida, imperdível. 

O filme estreia no Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, pela distribuição da Elite Filmes. Confira o trailer logo abaixo:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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