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Food trucks: comida de rua com qualidade
Água na Boca
08 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

Quando se pensa em comida de rua, é comum imaginarmos carrinhos e barracas informais, vendendo comida de forma irregular e com parâmetros de higiene duvidosos. Por isso, embora muita gente recorra à comida de rua para matar a fome de um jeito rápido e barato, há sempre uma certa desconfiança. Porém, esse cenário está mudando.

Em São Paulo, a Câmara Municipal aprovou, no fim do ano passado, a lei 15.947/2013, que legaliza a comida de rua na cidade e define regras para esse tipo de comércio. A partir de agora, cada ambulante precisará de uma licença da prefeitura para operar. E os comerciantes que quiserem um ponto fixo devem escolher entre os locais disponibilizados pela prefeitura, que selecionará entre os candidatos aquele que ganhará o ponto.

Além da legalização, outro fator que leva a uma profissionalização da comida de rua é a própria exigência dos consumidores para com a qualidade do produto e padrões de higiene. E nesse contexto cada vez mais profissional, um tipo de comércio que vem ganhando força é o food truck (em inglês, “caminhão ou carrinho de comida”).

Os food trucks são vans que funcionam como verdadeiros restaurantes móveis, e por isso, na mesma semana, conseguem marcar presença em vários pontos da cidade.As vans se diferenciam das tradicionais barraquinhas de comida não só pela mobilidade, mas também pelo profissionalismo: os carros são customizados, e as receitas, bem originais.

As opções são variadas, indo de doces a sucos naturais, e de comidas estrangeiras aos tradicionais sanduíches. Para divulgar sua programação, cardápio e os lugares pelos quais passarão, os proprietários lançam mão de recursos como Facebook, sites e Instagram (você pode conferir várias sugestões de food trucks em páginas como o Food Trucker e o Food Truck nas Ruas).

Uma tendência chegando ao Brasil

Apesar de já ser tradicional nas capitais europeias e, sobretudo, em Nova York, os food trucks são recentes em São Paulo. Todos os food trucks entrevistados para essa matéria, por exemplo, têm menos de um ano de funcionamento. E foi justamente no exterior que muitos donos de food truck tomaram contato com a tendência.

Foi o caso de Alcibíades Júnior, dono do Candy Crush Ice Cream, um ice cream truck (“caminhão de sorvete”) que vende, além de sorvetes, milk-shake e fondue de frutas. Alcibíades conta que conheceu os ice cream trucks quando morou no Canadá, na década de 1990: “Eu fiquei maravilhado! Na época eu procurei pra importar [o equipamento], mas era muito caro. Só agora começou essa tecnologia no Brasil”, conta ele.

food truck - candy crush ice cream - arquivo pessoal

Alcibíades Júnior, dono do Candy Crush Ice Cream, conta que teve até mesmo que vender seu apartamento para investir no negócio. Foto: Divulgação.

Ainda assim, mesmo já tendo se passado um bom tempo desde o primeiro contato de Alcibíades com os food trucks, o investimento inicial para o negócio continua bem alto. Claudia Daroncho, umas das donas do “Bamboleiras” – que vende bolos e doces de R$2 a R$12 –, conta que foi necessário um investimento inicial de 90 mil reais. “Tem toda uma estrutura: energia solar, pia, geladeira… Não é só uma simples barraca de comida”, afirma Ariane Guimarães, sócia de Cláudia. Entretanto, elas afirmam que ter um food truck ainda é uma opção menos onerosa do que arcar com o alto custo do aluguel de um imóvel.

foodtruck - bomboneras

Claudia Daroncho e Ariane Guimarães, donas do “Bamboleiras”, especializado em bolos e doces. Foto: Carolina Oliveira.

O comerciante Hermes Bernardo, que fornece onion rings e fritas à moda londrina no Ficships (por valores que vão de R$9 a R$13), vê os dois lados de seu trabalho: “Com o food truck você ganha visibilidade em outros lugares, tem contato com pessoas de locais diferentes. Mas a desvantagem é o carrega e descarrega; é diferente do físico, onde o cara fecha a porta e no outro dia ele volta e tá com tudo lá, a parte elétrica e tal”, diz ele.

Quando perguntados sobre a lei da comida de rua, os entrevistados apoiaram a regulamentação. “É bom porque a lei exige que o ambiente tenha higiene, que tenha um mínimo de padrão. Hoje muita gente está na informalidade e não se preocupa [com os padrões de higiene]”, diz Ariane. Porém, o projeto também tem suas controvérsias. Para Hermes, a falta de transparência da Prefeitura na seleção para os pontos de venda preocupa: “não tem definido um critério: se eu e você quisermos um mesmo ponto, qual é o critério para escolher o candidato?”.

foodtruck - ficships

Com vans customizadas, food trucks como o Ficships apostam na originalidade para atrair o consumidor. Foto: Carolina Oliveira.

Além disso, a escolha de um ponto obrigará o ambulante a se fixar num único local, excluindo justamente o caráter móvel dos food trucks. Diante disso, a solução é marcar presença em pátios gastronômicos, como o Butantan Food Park e o Pátio Gastrônomico Casa Verde.

Enquanto isso, para os clientes, as vantagens de se comer na rua estão na agilidade e no menor preço. Contudo, no caso dos food trucks paulistanos, o que se vê são valores ainda bem salgados. A consumidora Isabela Pinheiro, que experimentou os quitutes de um food truck pela primeira vez no Butantan Food Park, gostou do que provou, mas não viu no preço um diferencial. “O valor é o mesmo de restaurantes normais”, argumenta ela.

Conheça mais sobre as feiras gastronômicas!

Ainda assim, a esperança é que com o tempo e o aumento da concorrência os valores se tornem um pouco mais atrativos. Além disso, uma boa e velha comida de rua será sempre a opção número um em muitas das situações de nossa atribulada rotina diária, e nesse contexto, os food trucks são uma ótima pedida; muitas vezes, vale a pena pagar um pouco mais pela qualidade e segurança do serviço.

food

Inforreportagem produzida núcleo de Comunicação Visal da Jornalismo Júnior

*Para saber mais sobre os bastidores dessa inforreportagem, clique aqui!

Por Carolina Oliveira
carollfts@gmail.com

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COMENTÁRIOS
Reginaldoregis
Gostaria de comprar uma destas
15 ago 2016
 
Alcibiades Baesa Junior
Linda matéria, parabéns !!!
09 ago 2014
 
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