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Fora do Rumo (de Ser um Bom Filme)
CINÉFILOS
26 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Distante, um som repetitivo soava. Ele cresce de fora para dentro, pam, pam, pam. Bennie Chan (Jackie Chan) abriu os olhos, o despertador tirou-o de um longo sono sem filmes de luta hollywoodianos. No papel de um policial aposentado, Chan retorna aos tradicionais elementos que construíram sua carreira. A nostalgia, no entanto, é suficiente para sustentar uma história apenas pouco divertida, se não entediante.

Um notório criminoso chinês coloca em risco a vida de Samatha Bai (Bingbing Fan), cria adotada de Chan. Para salvá-la o ex-policial precisa da ajuda de Connor Watts (Johnny Knoxville), um apostador que já possui os próprios problemas com uma máfia russa. Bennie, então, viaja para o país das matrioskas. No entanto, Connor não pretende voltar para Hong Kong tão cedo e queima o passaporte de Chan junto com a certeza de uma jornada de volta tranquila.

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A partir desse ponto, o filme se transfigura num road movie. Durante o trajeto, o asiático austero e o ocidental trapaceiro revelam aspectos de seus passados e crescem com suas diferenças. Ao mesmo tempo em que são perseguidos tanto por russo quanto chineses.

Os lugares por onde os protagonistas passam servem também para mostrar culturas muito pouco representadas na mídia, como as da Mongólia e do interior da China. Tudo de uma maneira demasiadamente didática – Chan parece se inspirar no professor Langdon de Dan Brown.

Ainda sobre este intento de divulgar culturas negligenciadas, há uma sequência no longa especialmente problemática. Nela Chan e Watts estão bebendo e se divertindo numa tribo mongol, à luz de fogueiras e estrelas e ao som de instrumentos tradicionais daquele povo. Até que Bennie começa a cantar Rolling in the Deep, da cantora britânica Adele e logo todos também se dispõe a cantar, enchendo o ambiente de sorrisos. O efeito é de que os costumes e tradições do pequeno aglomerado humano não são o bastante para a indústria de Hollywood. Esta necessita de um grande hit para dar valor àquilo em que não enxergam valor.

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Ao chegarem em Hong Kong, a trama se desenrola de maneira apressada, com direito a um deus ex-machina russo e um plot-twist digno de novelas mexicanas.

As coreografias de luta deixam a desejar. Jackie Chan, como provam as cenas de erros de gravação dos créditos, não se vale de dublês, porém não traz a mesma visceralidade pela qual ganhou fama. O que ele mantém é o carisma e a presença em cena.

“Fora do Rumo” (Skiptrack) é um título que se encaixa bem à narrativa, mas, sobretudo, à qualidade do filme. Jackie Chan faz a confiança de seus fãs tropeçar, nesta que é uma obra que falha em fazer rir e falha ao tentar empolgar com a ação. Talvez em outros tempos, anos 90 ou 80, o longa faria sentido; hoje, é mero anacronismo.

https://www.youtube.com/watch?v=9txcBZEL_Kg

por Daniel Miyazato

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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