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Fotografação: o trajeto tradicional da fotografia pelo Brasil
CINÉFILOS
04 mar 2020 | Por Luana Franzão (luanafranzao@usp.br)

A fotografia é, e simultaneamente não é, uma velha conhecida do Brasil. O documentário Fotografação (2019), dirigido por Lauro Escorel, um fotógrafo de profissão e paixão, é inteligente ao retratar a trajetória dessa arte nas terras tupiniquins. Trazendo desde as primeiras imagens feitas por um daguerreótipo na cidade de São Paulo, até a era das selfies no século XXI, o longa retrata o processo de difusão da arte fotográfica no país.

O documentário, acima de tudo, se preocupa com a história da fotografia brasileira, deixando a parte artística da mesma sombreada. Ele também, de forma intencional ou não, acaba demonstrando o quanto o registro fotográfico é uma forma de expressão das elites. Desde o início, os principais registros nacionais foram feitos por estrangeiros (em sua maioria europeus), que trouxeram o equipamento e tecnologia de sua terra natal. Os primeiros citados no filme são estes, que enquadraram suas visões sobre as terras latinas em suas câmeras, destacando a falta de protagonismo do brasileiro no registro de sua própria história.

Posteriormente, Fotografação começa a relatar os passos brasileiros nessa forma de arte. A impressão da elite sobre a evolução do registro fotográfico permanece nítida, ainda sim. O equipamento inicial era muito caro, como as primeiras câmeras portáteis Leica, e somente acessível àqueles que podiam viajar para adquiri-las em outros continentes.

O documentário também menciona a chegada das câmeras com filmes descartáveis, as Kodak, como uma grande democratização no processo fotográfico no país. Esta forma de retratar o acontecimento é verdadeira até certo ponto, pois assim como o antigo equipamento, o acesso a elas era restrito.

O principal ponto positivo do documentário é o relato histórico detalhado e elaborado sobre a história da chegada da tecnologia fotográfica no Brasil. Foi realizada uma pesquisa profunda pelo elaborador do filme e isso é visível através do resultado final da obra. É nítido o interesse e o conhecimento de Lauro Escorel sobre o assunto, que expõe os fatos de forma interessante, didática e apaixonada. Além disso, as entrevistas também são excelentes, com profissionais renomados do campo da História, como o célebre pesquisador Boris Kossoy, e da Fotografia.

Um ponto negativo relevante é que o filme parece “correr” com os fatos chegando ao presente. É entendível que a proposta do longa era mostrar com mais destaque os primórdios dessa arte no Brasil, entretanto, falta sustância no ato final.

Quando finalmente chega no presente, em que a fotografia digital e os smartphones tornaram o retrato mais disponível à população, há uma conclusão de poucos minutos, apenas com uma última fala do narrador, dizendo que a fotografia mudou. O longa possui uma duração curta, e uma investigação mais profunda na contemporaneidade seria bem vinda. Fotografação é um trajeto instigante da fotografia em terras tupiniquins, rico em história e conhecimento, porém, poderia investigar mais temas.

O documentário estreia no Brasil nesta Quinta-feira, dia 5 de março. Confira o trailer aqui:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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