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Freud, um pulo da psicanálise ao cinema
CINÉFILOS
04 maio 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Júlia Pellizon
juliapellizon@gmail.com

O divã estava lá esperando por ele. Sigmund Freud foi bem mais do que apenas um médico estudioso. Ele é um personagem imortal, tanto no campo da psicanálise quanto no cinema. Entender a sua carreira e os conflitos internos até chegar no que se tem hoje como sua obra foi um desafio para os cineastas. Utilizado como referência para diversos filmes, ou apenas como proposta de filmar sua biografia, o que se sabe é que esse médico mudou as diretrizes do que se entendia até então da mente humana no século 20.

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Em Freud: Além da Alma (Freud, 1962), a personagem principal é colocada como descobridor e um baita curioso. O médico, ainda jovem, encontra-se em uma rua sem saída quando tenta utilizar a hipnose para entender sintomas estranhos em alguns pacientes. Crente que as consequências físicas são fruto de algo a mais do que vírus ou bactérias, Freud busca auxílio da comunidade médica e só encontra a amizade e a confiança de um antigo amigo da família, Dr. Breuer. Uma trilha sonora com um toque especial de suspense e terror e o enredo cativante fazem qualquer um esquecer que está assistindo a uma biografia em preto e branco.

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O famoso complexo de Édipo também é retratado desde o primeiro insight sobre o tema, quando Freud interliga a sexualidade infantil com os traumas dos pacientes. Ridicularizado pela comunidade médica, ele insiste em suas teorias até o fim do filme e ainda deixa no público aquela pontinha de curiosidade se ele conseguiu ou não lançar a psicanálise para o mundo.

Além dessa parte profissional, ainda é possível conhecer um pouco de quem foi o Sig – o marido e ser humano. Claro, que sob o ponto de vista do diretor John Huston, o Freud mostrado é alguém teimoso, inteligente e cheio de sonhos. Idealizado ou não, o fato é que as características acentuadas do comportamento dele auxiliaram a legitimar as suas descobertas sobre o inconsciente.

Mas se está achando que tem coisas que só “Freud explica”, precisa ver Um método perigoso (A Dangerous Method, 2011), em que o nosso personagem contracena com o futuro criador da psicologia analítica, Carl Jung. O encontro dos dois antes que as diferenças separassem o pensamento deles é colocado em foco no caso de Sabina Spielrein. Vivida pela atriz Keira Knightley, conhecida pela atuação em Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, 2005), a jovem histérica desafia os protagonistas, numa trama real com direito até a romance e superação ao se tornar uma das primeiras mulheres psicanalistas do mundo.

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Freud e Jung em um jantar casual.

Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2011, o filme é baseado em uma peça chamada The Talking Cure, de Christopher Hampton. Apesar dessa influência para a construção do roteiro, o diretor de Um Método Perigoso é conhecido pelo seu próprio método de contar uma história por imagens. David Cronenberg, também diretor de A Mosca (The Fly, 1986) – clássico trash/cult do cinema -, gosta que o público observe o que se passa com as personagens. No caso de Freud, Jung e Spielrein é possível identificar que não só a última cultiva problemas com a personalidades, mas os dois especialistas também.

Por mais que Freud: Além da Alma e Um Método Perigoso sejam as mais notórias obras que falam sobre Sigmund Freud, as referências estão em diversos filmes como em Jornada da Alma (Prendimi l’anima, 2002), que é a versão francesa da história de Sabina Spielrein e Jung. Ainda mais, o que dizer de filmes cheios de distúrbios psicológicos, como Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975), Psicose (Psycho, 1960) e Quando Nietszche Chorou (When Nietszche Wept, 2007) – com a ilustre participação do mentor de Freud, Dr. Breuer -, senão que têm lá uma raiz freudiana e conceitos de psicanálise envolvidos?

Interpretação dos sonhos, dúvidas existenciais e traumas na infância são temas recorrentes na vasta coletânea do médico austríaco. Retratá-lo no cinema é, somente, uma maneira a mais de mostrar o quão relevante seus pensamentos se mostraram ao mundo com o tempo. Porém, acima de tudo, às vezes esquecemos de que ele também foi um ser humano, com muitos problemas semelhantes aos dos seus pacientes. Curar os distúrbios das pessoas não era apenas um mero trabalho para Freud, mas também um desafio de fazer com que elas superassem seus traumas e pudessem viver.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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