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Fuga do Planeta Terra: uma animação para a família
CINÉFILOS
29 maio 2013 | Por Jornalismo Júnior

A animação Fuga do Planeta Terra (Escape From Planet Earth, 2013) conta a história de Scorch Supernova, um extraterrestre-astronauta do planeta Baab. Scorch é um famoso herói que adora a fama e a adoração dos fãs em função do sucesso em suas aventuras interplanetárias.  Sucesso este que só consegue graças à ajuda de seu irmão Gary, responsável pelo controle das missões.

Tudo vai muito bem até que surge um pedido de socorro vindo do Planeta Terra, o chamado ” Planeta Escuro”. Scorch não pensa duas vezes e aceita o desafio, mesmo Gary tentando impedi-lo, pois nunca alguém havia voltado da Terra para contar história. Já se pode imaginar que os dois irmãos acabam brigando. Neste momento, porém, descobrimos que o pedido de socorro é na verdade uma terrível armadilha e apenas Gary poderá salvar seu irmão Scorch das mãos do líder paramilitar General Shanker.

No caminho Scorch e Gary fazem amizade com outros extraterrestres bastante divertidos como Io, uma ciclope-alienígena com problemas de controle de raiva, Thurman, uma espécie gosmenta de três olhos e Gary, um ratinho extraterrestre. Além disso contam com a ajuda de Kip, filho de Gary que tem completa devoção pelo tio.

O enredo se desenrola, portanto, em torno do resgate de Scorch. A partir disso, no entanto, percebe-se como a história não se arrisca muito no quesito criatividade. As ideias de busca e de resgate já são bastante comuns em animações infantis, e já serviram de base para o roteiro de grandes sucessos como Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003), Toy Story (1995) e A Era do Gelo 3 (Ice Age: : Dawn of the Dinosaurs, 2009).

Fuga no Planeta Terra pode não ser muito inovador, mas compensa em outros aspectos. Enquanto a dublagem não impressiona (mas também não chega a desapontar), o filme dispõe de gráficos de qualidade e de um colorido muito rico, o que torna a animação bastante real e dinâmica.

Além disso, surpreende principalmente em relação às piadas. Muitas delas são construídas a partir de ideias simples e inocentes, daquelas que nos lembram de antigos (e clássicos) desenhos como Looney Tunes e Tom e Jerry. Exatamente o tipo de artifício ingênuo faz as crianças se divertirem.

Em contrapartida, o filme conta com uma série de piadas mais elaboradas. Piadas inteligentes e que apenas adultos entenderiam. Em certo momento da história, é feita referência ao comunismo; em outros momentos há referências às grandes empresas da atualidade, como a Apple, o Google, o Facebook e até a Pixar. São essas tiradas irônicas e modernas que, ao lado das piadas mais infantis, conferem equilíbrio e amplitude ao filme.

Outro fator interessante é que o filme aborda uma série de assuntos. De modo sutil, chama a atenção para a teoria da ”desevolução dos seres humanos” – na qual, ao se envolver em guerras e destruir o mundo em que vive, a humanidade estaria entrando numa espécie de retrocesso. O foco principal se dá, porém, na oposição pensar versus agir, representada por Gary e Scorch respectivamente, além de claro, na temática da família. Temática esta que, há tempos, não era abordada de modo tão genuíno como em Fuga do Planeta Terra. Ao final do filme, a mensagem de valorização da família é completamente nítida.

É difícil dizer se a animação será campeã das bilheterias, mas levar o irmãozinho para assistir ao filme não será uma perda de tempo. Fuga do Planeta Terra consegue atingir seu objetivo como animação infantil, não só pelo caráter humorístico, mas também pelo educativo. Pais e crianças sairão felizes do cinema.

Por Victória Pimentel
vic.pimentel.oliveira@gmail.com

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