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Gelo em Chamas: as consequências do Homem na natureza
CINÉFILOS
29 jul 2019 | Por Laura Toyama (laura.toyama@usp.br)

O documentário de 95 minutos da HBO tem como foco central os efeitos da liberação excessiva de carbono na atmosfera. Dentre quadros de belas paisagens e entrevistas com especialistas ao redor do mundo, a narrativa se constrói de forma didática e bem ilustrada. O narrador é observador e também é quem fornece os dados na tela, que se mesclam a geleiras, montanhas e vales de países do hemisfério norte. A voz é de Leonardo Dicaprio, que mais uma vez apresenta interpretação impecável.

[Imagem: Reprodução]

As primeiras imagens de Gelo em Chamas (Ice on Fire 2019), dirigido por Leila Conners, são feitas na Islândia, país de clima frio e que vem sofrendo as consequências do aquecimento global pela proximidade com o Ártico. Cientistas e ambientalistas apresentam números preocupantes sobre o derretimento de geleiras e a possibilidade de aumento da temperatura global em 4 graus celsius nos próximos anos. Apesar do choque, em momento algum essa didática é construída sob perspectiva alarmista. Os fatos são apresentados como frutos do trabalho de uma vida inteira de cientistas, e que são justificados pelas mudanças no planeta que já são observáveis, como o aumento do nível do mar e a extinção de algumas espécies.

A redução da biodiversidade é outro aspecto explorado, apesar de não ser o foco da narrativa. Estima-se que se o aquecimento global caminhar como vem caminhando a era atual pode ser marcada pela maior extinção em massa da fauna e da flora do planeta Terra. Além disso, as consequências para a própria espécie humana são as mais devastadoras. Com a frequência cada vez maior de desastres naturais, muitos deles irreversíveis, culminará na maior crise de refugiados da história da humanidade, problema já enfrentado pelas sociedades atuais e que pouco progride em termos de condições de vida e direitos humanos.

[Imagem: Reprodução]

A atividade humana mais mencionada como grande responsável pela liberação de gases de efeito estufa na atmosfera é a produção de energia através da queima de combustíveis fósseis. Somada ao desmatamento, a queima de combustível desequilibra o chamado ciclo do carbono, caminho que o elemento segue desde sua emissão até sua captação. Os seres fotossintetizantes, responsáveis por fixar o gás carbônico do ar e convertê-lo em oxigênio, estão ameaçados pela destruição de seus habitats e pelo avanço do agronegócio e da industrialização. Assim, há mais carbono sendo emitido que consumido, gerando um desequilíbrio que superaquece a camada de gases que paira sob a atmosfera e mantém o planeta em sua temperatura ideal, o chamado “Efeito estufa”.

Todavia, o documentário não segue uma linha pessimista. São apresentadas diversas alternativas e projetos que visam reverter a poluição atmosférica e diversificar as fontes de energia em escala mundial. Muitos países do hemisfério norte, e alguns pertencentes ao grupo dos emergentes já investem em fontes alternativas e que têm menos impactos. São entrevistados professores e pesquisadores de renomadas universidades ao redor do mundo, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), que explicam de forma simplificada como é possível que se reduzam os danos causados pelas atividades humanas até então.

Algumas cenas a se ressaltar são as longas e didáticas explicações sobre o uso das energias solar e eólica como alternativas mais baratas e ecológicas. Fazendo as ressalvas necessárias, pois também têm suas consequências para o meio ambiente, são analisadas cientificamente e comprovadas como formas mais inteligentes e sustentáveis de se produzir energia. Aproveitando o potencial eólico e de insolação de lugares ao redor do mundo é possível reduzir a quantidade de carbono recomendada até 2050.

A trilha sonora também merece destaque na composição do documentário. Músicas clássicas e por vezes melancólicas dão uma toada séria quando tocadas junto a paisagens do ártico e grandes usinas de painéis solares. Elas ilustram bem as falas do narrador, dão dramaticidade ao que está sendo falado e induzem o espectador a um contemplamento distante e onírico.

[Imagem: Reprodução]

No entanto, a direção peca na duração do documentário. Apesar das belas imagens e informações úteis, acaba tornando-se enfadonho a medida que vamos nos aprofundando na temática. A linguagem acessível que nos permite compreender processos físicos e químicos de certa complexidade não impedem que essas explicações se tornem complexas demais para serem entendidas depois de 1h35min de filme. Há quem aguente ficar na mesma posição ouvindo sobre aquecimento global, mas certamente não é uma maioria apenas interessada em ver um bom filme numa plataforma de streaming ou na televisão, de forma descompromissada. 

O documentário tem seus méritos pela produção impecável, pelas belas imagens captadas e por uma narração envolvente. Mas mesmo assim está naquela categoria de filmes que só percebemos quando tudo o que nos interessava já foi assistido e não nos restam muitas opções num preguiçoso dia frio em julho.

O filme entrará em cartaz no dia 22 de julho às 22h no canal HBO. Veja o trailer:

Laura Toyama

laura.toyama@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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