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Gênios do Crime, mas não da comédia
CINÉFILOS
27 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Dado Nogueira
dadopnogueira@gmail.com

Baseado em fatos reais, o longa Gênios do Crime (Masterminds, 2016) narra a história de David Ghantt (Zach Galifianakis), um segurança noturno e motorista na empresa de transporte de valores Loomis Fargo, e o roubo do qual participou à empresa em 1997, na Carolina do Norte. O roubo à empresa foi o segundo maior da história dos Estados Unidos, sendo roubados 17 milhões de dólares de uma só vez.

A rotina de David era monótona e sem graça, até que Kelly (Kristen Wiig) começa a trabalhar na empresa e passa a ser o ânimo que faltava na vida do segurança. Kelly, depois de uma discussão com o chefe, é demitida e vai para a casa de Steve Chambers (Owen Wilson), um velho amigo. Steve convence Kelly a ajudá-lo a roubar a Loomis Fargo e, para isso, Kelly se aproveita da queda de David por ela e o faz aceitar participar do roubo.

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Após o sucesso do crime, David é enviado por Kelly e Steve para o México, com a promessa de Kelly acompanhá-lo dias depois e de Steve mandar-lhe dinheiro.

Utilizando-se de um clichê das comédias, o diretor Jared Hess inclui no filme o clássico personagem bobo, desastrado e manipulável, que escapa de uma maneira cômica e improvável de todos os problemas.

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Basicamente, o longa se propõe a um humor que consiste em David sendo desastrado, derrubando coisas, atirando em si próprio por acidente e sendo feito de bobo por Steve e Kelly, além da clássica excentricidade dos personagens de Galifianakis. A proposta teria tudo para ter êxito, pois o diretor contava com um bom elenco de comédia que poderia fazer funcionar o humor torta na cara, mas durante todo o filme, o único momento engraçado são os sorrisos desajeitados e engraçados de David em uma sessão de fotos com sua noiva Jandice (Kate McKinnon) para o álbum de casamento, que aconteceria dali a um tempo.

la-et-mn-ca-sneaks-masterminds-kate-mckinnon-20150426Com cenas repetitivas e um humor um tanto quanto baixo, Hess falha no quesito fazer um longa engraçado. Como exemplo, tem-se a cena em que Kelly treina David para o roubo, utilizando tijolos para simular os sacos de dinheiro. Ele derruba os tijolos, joga-os fora da caçamba, desastrado como sempre e para complementar, Kelly o faz comer uma aranha morta, que expele líquidos e causa sensações de repulsa bem opostas ao riso. Pouco depois, na cena do roubo, ocorrem exatamente as mesmas ações. David pega as caixas com dinheiro e derruba-as no chão, joga pra fora do caminhão,tudo de forma quase idêntica à cena do treino.

O longa traça toda sua estratégia narrativa contando com recursos quase que exclusivamente da comédia. Poucas cenas com conteúdo dramático aparecem e quando,  recebem uma abordagem pobre. Além de clichês, as poucas sequências melodramáticas destoam do resto do filme.

Outro ponto negativo é o modo como trata a população latino-americana. A polícia mexicana sempre um passo atrás, composta exclusivamente por três homens que são sempre enganados e retratados como idiotas sem preparo algum, enquanto o FBI é mostrado com uma grande equipe e aparato tecnológico. Além disso, há um diálogo extremamente problemático, no qual David, que iria fugir para o Brasil conversa com Mike McKinney (Jason Sudeikis), que faz um piada machista sobre a mulher brasileira. Nesse momento todo o pouquíssimo humor restava no filme se perdeu. A estereotipação racista e machista que o longa apresenta para tentar o humor causa incômodo. Não fosse o sorriso engraçado de Galifianakis, o filme não teria sido capaz de provocar nenhum único sorriso.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Patrícia
Assisti hoje, no Netflix. Gostei bastante, recomendo :)
03 jul 2017
 
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