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Hilda: a guerrilha, a história, a família

A história da mulher que construiu uma família enquanto lutava contra a Ditadura

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10 jun 2019 | Por João Mello (joaovictorm.mello@usp.br)

Por que escrevemos sobre pessoas?

As pessoas vão e vêm. A quantidade que se vê em um dia é exagerada, tende-se a massificá-las. Os indivíduos tornam-se, simplesmente, multidão. É difícil parar para reparar na existência do outro, mas é certo que todos têm uma família, uma história, dores e alegrias.

Mas às vezes a gente se permite. Paramos o que estamos fazendo e ouvimos, conhecemos, envolvemo-nos. Foi em uma dessas vezes que conheci Hilda. Essa senhora de 75 anos anos, que poderia passar despercebida em uma multidão, é avó de uma amiga pessoal e me recebeu em sua casa para contar histórias. Por trás de seus óculos arredondados, há olhos que viram a História acontecer.

Ela lutou contra a Ditadura Civil-Militar Brasileira, viu golpes e revoluções e rodou o mundo em busca de um lugar no qual seus olhos ainda pudessem olhar para o filho e para outras pessoas que ama e amou. Em tempos nos quais se nega que a Ditadura tenha acontecido e trata-se o período como uma época áurea do Brasil, é importante conhecer histórias de pessoas que de fato a viveram e a sofreram.  

É importante parar e ouvir Hilda.

 

Hilda Fadiga de Andrade, nascida em 9 de maio de 1944

Hilda em seu apartamento [Imagem: João Mello]

Não foi fácil chegar até Hilda. Era um dia chuvoso, daqueles que param o trânsito mas são incapazes de parar a pressa de São Paulo. E o trânsito de fato parou para mim: meu ônibus quebrou no meio do caminho e tive que me atrasar ainda mais para chegar ao apartamento no décimo segundo andar com vista para o Parque Ibirapuera onde Hilda mora sozinha.

Cheguei com sua neta Isadora, minha amiga e quem marcou essa entrevista para mim. Depois dos devidos cumprimentos, sentamo-nos na sala, posicionamos cinzeiros e iniciamos a conversa. Não se pode dizer que Hilda tenha ”papas na língua”. Bastou  perguntar qual o papel que desempenhou durante a Ditadura para ela me responder e me contar sua história, em ordem cronológica na medida em que emoção e a enxurrada de acontecimentos permitiram.Primeiro papel que desempenhei na Ditadura foi o de oposição. À essa e qualquer outra que queira aparecer”

O começo da luta contra o regime ditatorial se deu quando ela ainda estava no cursinho pré-vestibular e aderiu à Polop (Organização Revolucionária Marxista Política Operária), por influência de seu professor Éder Sáder. Depois, quando entrou na Universidade de São Paulo (USP) em 1967, no curso de Ciências Socias, envolveu-se com o Movimento Estudantil (ME) por meio do CeUPS (Centro Universitário de Pesquisas e Estudos Sociais).

As universidades foram um alvo central da Ditadura. Eram invadidas e, quando isso aconteceu na Rua Maria Antônia, onde ficava a faculdade de Ciências Sociais, o ME estava bem articulado. Os militantes utilizaram bolinhas de gude para derrubar os cavalos da Polícia. ”A gente saía na rua, começava a gritar, montava a passeata. Vinha a cavalaria, a gente jogava as bolinhas de gude, eles caíam, aí vinha a tropa. A gente fugia, voltava…”

Conforme a Ditadura se intensificava, o mesmo acontecia com a militância política de Hilda. A Polop abriu uma dissidência, a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que, assim como a ALN (Ação Libertadora Nacional) de Carlos Marighella, começou a praticar as primeiras ações contra os militares. Hilda era uma das principais coordenadoras do Movimento de Massas da VPR, ou seja, trabalhava com a cooptação de pessoas para a organização. Ela participou de apenas uma ação em campo, na qual ajudou a roubar fuzis de um quartel para fazer o reconhecimento de como ele funcionava. Esses fuzis, depois, ficaram escondidos em um hospício.

A ação foi liderada por Eduardo Collen Leite, mais conhecido pelo apelido dado por Hilda: Bacurí. Ele foi um importante guerrilheiro da luta armada e que depois seria preso e torturado durante 109 dias até sua execução. Por ainda não ser visada pela polícia e ter um apartamento, Bacurí ficou escondido com Hilda durante muito tempo. Ela se casou cedo com o namorado da faculdade, também chamado Eduardo, ao descobrir que seu pai a daria ”o tal apartamento” depois de casada. ”A gente precisava de um aparelho”, comenta rindo sobre a pressa em casar.

As coisas começam a mudar depois que Hermes, um dos companheiros de guerrilha, é preso e denuncia vários envolvidos, dentre eles Hilda e Eduardo. Um pequeno detalhe, entretanto, os ajuda.

O apartamento em frente ao deles tinha uma movimentação estranha. Só depois Hilda iria descobrir que se tratava de Marcos, um membro da ALN. A sorte reside no fato de, coincidentemente, o nome de guerra de Eduardo ser Marcos. Então, quando a polícia entrou no prédio à procura dos dois, foi ao apartamento da frente e prendeu o ”Marcos errado”. A partir daí, Eduardo poderia andar livremente como uma pessoa não procurada, enquanto Hilda aparecia em alguns cartazes como ”Hilda amante de Marcos”.

 

As Fugas

A partir daqui, a vida de Hilda passa a ser permeada por uma fuga constante para fazer sobreviver seus ideais, sua família e ela mesma.  

Ainda em São Paulo, ela busca novos lugares para se esconder. Um episódio lembra filmes hollywoodianos. Ela estava com José Ibrahim indo à casa de alguém que os abrigaria, mas chegaram a tempo suficiente de ver a polícia saindo do local. Como diriam os guerrilheiros: o esconderijo caiu. Imediatamente, eles pegaram um táxi. Hilda puxou Zé para um beijo de cinco minutos e a máscara de casal apaixonado funcionou até o carro adentrar no trânsito caótico da grande capital.

O taxista os levou até a casa de um outro contato. Em uma das janelas da casa, as cortinas estavam para fora. O que poderia significar nada mais que um descuido para alguém que passasse pela rua (ou para a polícia), para os guerrilheiros significava que o novo esconderijo também havia caído. Hilda aconselhou que Zé não entrasse na casa, mas ele não deu ouvidos e foi em direção a sua prisão e agressão. Ela viu o que seria um dos futuros articuladores do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ser levado ensanguentado ao DOI-Codi.

Nesse momento Hilda estava sozinha, com dinheiro, e a roupa do corpo, e vê como a melhor solução dormir na Catedral da Sé. Ela escondia-se no confessionário e acordava todos os dias para a primeira missa. Enquanto conta isso, sua neta Isadora não poderia deixar passar a comicidade da história sobre a qual já escutou algumas vezes e comenta: ”gastou todo o Pai Nosso que aprendeu no colégio de freira”.

Depois disso, ela retoma seus contatos e vai, com Eduardo, para o Ceará.

 

Nordeste, lindo Nordeste

Eles começaram vivendo uma vida normal no Ceará até o primeiro esconderijo cair. A polícia invade a casa e, enquanto vasculha todo o quintal, Hilda está escondida no lugar onde jogavam o lixo respirando por um canudinho. A partir daí, Eduardo volta para São Paulo e Hilda vai morar em um assentamento das Ligas Camponesas, movimento da zona rural contra a Ditadura.

Lá, ela vivia como ”empregada de fazenda de coronel” e demorou para ter qualquer notícia do marido. Diante a situação de desespero, ela vai até uma vidente, que a diz que Eduardo está bem, em uma casa cheia de dinheiro e que chegaria em uns 20 dias. O caráter inusitado na fala da vidente não impediu que os fatos realmente acontecessem como previsto. Quando Eduardo chega, ele conta que a VPR havia assaltado o cofre de Ademar de Barros, um famoso político que lavava dinheiro e os convertia em dólar para esconder na casa de sua amante.

”A barra estava muito pesada”, eles não poderiam ficar mais naquele lugar durante muito tempo e precisavam de novos documentos.

”Era véspera de eleição e a Ditadura estava fazendo uma grande campanha porque queria provar para o mundo que não era uma ditadura, que eles teriam tirado o João Goulart para acabar com a corrupção. Então forjaram uma eleição. Estavam facilitando tudo para você tirar o título de eleitor.” Por meio desse mecanismo, ela vai até um cartório com roupas camponesas e faz novos documentos com o nome Francisca Ozana Marx. Eduardo também faz novos documentos usando o nome Marcos outra vez. A repetição do nome e o uso intencional de ”Marx” seriam o suficiente para debochar do sistema contra o qual lutavam se os dois ainda não tivessem se casado pela segunda vez. Para servir de testemunha, chamaram um mendigo que encontraram na rua.

Mesmo assim, eles não podiam abusar da sorte e vão para a Bahia. E abusam da sorte mais algumas vezes.

Lá, eles levam uma vida normal. Ela ia buscar leite e sabia de tudo que acontecia, virou amiga do bairro todo. A manicure entrava na casa, crianças pegavam pitanga no jardim e eles iam a festas. Hilda ri ao se lembrar de uma vez em que Eduardo ficou muito bêbado e tiveram que voltar para casa com medo de que ele contasse alguma coisa e estragasse o disfarce. ”A gente não desrespeitava os hábitos e costumes, e foi isso que nos segurou lá.”

Hilda pede um cigarro para continuar a história. Já com um Marlboro vermelho em mãos, conta que outras pessoas do movimento chegaram para se esconder com eles e não seguiram a mesma política de boa vizinhança. Os dois decidiram sair do esconderijo.  

Antes de deixar o Brasil, ainda passaram por São Paulo, pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul. Hilda me conta que, enquanto Eduardo comprava as passagens para saírem da Bahia, um policial foi falar com ela. O medo que a situação poderia causar não durou, porque o oficial estava apenas dando em cima do que parecia ser uma viajante qualquer. Hilda também se lembra de quando pararam em Juazeiro e ela encontrou sua foto em um cartaz de Procurados colado atrás da porta sem trinco do banheiro da rodoviária.

Um dos cartazes em que Hilda aparecia [Imagem: reprodução]

Fora do Brasil

A vida de Hilda seguiria conturbada fora do Brasil. Saindo daqui, ela vai para o Uruguai, Chile, México, Portugal e Angola. Sempre trabalhando e lutando.

Nós nos preparamos para essa parte da história com um vinho. Sua neta Isadora vai até a cozinha e volta com taças e uma garrafa de um white blanc português da região de Alentejo. A vontade de me lembrar do dia da nossa conversa me compele a pedir para ficar com a rolha.

No Uruguai, trabalha com institutos de pesquisa e é auxiliada pelos Tupamaros, grupo de esquerda que tinha como um de seus principais líderes José Mujica e que visava o fim do Estado capitalista por meio da guerrilha urbana.

Ela continua sendo perseguida e se muda para o Chile a convite do presidente Salvador Allende, que prometia um governo progressista na contramão da tendência da América Latina. O golpe promovido pelo General Pinochet forçou mais uma mudança.

No México, ela trabalha como tradutora simultânea de uma reunião entre todos os ministros das relações exteriores da América Latina e Henry Kissinger, diplomata estadunidense. Tratava-se de um debate para articular o funcionamento conjunto das ditaduras latinas com o apoio dos Estados Unidos. Era uma reunião ”Pré Plano Condor”, do qual Kissinger seria mentor. ”Ele tentou me dar a mão e eu tirei. Não agressivamente, fiz de conta que não vi, passei a mão no cabelo, mas não dei a mão pra ele! Eu saía de lá, ia para a embaixada de Cuba e contava tudo!”

Nesse ponto, o governo brasileiro já tinha influência e articulação para tirá-la de lá. Ela fica um pouco em Cuba até que a Revolução dos Cravos derruba o regime antes fascista em Portugal. Ela se muda para lá devido à nacionalidade portuguesa de Eduardo e trabalha com um programa de desfavelamento.

Depois, recebe uma proposta da Unicef para trabalhar em Angola em um projeto de formação de professores que tinha como coordenador geral o educador brasileiro Paulo Freire. ”Eu ia pra lá e pra cá com o Paulo Freire. Ele era uma bela figura. Um homem simples. Brincava com todo mundo. Você não dizia que ele era o Paulo Freire. Vocês precisam ver como os americanos o reverenciam como o maior educador.” Hilda conta que ele não gostava muito de quando um motorista dirigia rápido, e falava: ”nós vamos morrer nós dois nesse carro”. Um ano antes da Lei da Anistia, Hilda é absolvida e resolve voltar ao Brasil.

Antes disso tudo, aconteceu algo que transformaria o cenário de até então. No Uruguai logo depois de ter saído do Brasil  teve seu primeiro filho, Fernando. Agora, portanto, não é mais possível contar essa história sob uma única perspectiva.

 

Aqui, vozes entrelaçam-se

Em outro dia, vou até a casa onde moram Fernando e Isadora, filho e neta de Hilda, com o objetivo de completar esta história. Eles me recebem na sala de estar de um sobrado também próximo ao Parque Ibirapuera. De carro, a casa deles está a cerca de 15 minutos de onde mora Hilda.

Começo perguntando à Isadora como é a relação com a avó. “É muito próxima. Quando eu era menor, ela ainda trabalhava em Angola, então não a via tanto. Quando ela veio morar no Brasil eu passei a sair com ela e fui me aproximando.” Depois que sua outra avó morreu, ela decidiu que viria Hilda no mínimo uma vez por semana porque já tinha ficado muito íntima dela.

A respeito de como foi criado pela mãe, Fernando diz que ela nunca foi distante e buscava estar sempre próxima na medida em que o trabalho e o fato de “correrem o mundo” permitiam. “Ela sempre fazia questão de no fim do dia brincar, jogar alguma coisa, fazer a lição. Eu fazia a lição de trás para frente, ela gostava muito de explorar a dialética.”

Os dois falam ainda sobre como as experiências que Hilda passou ao lutar contra a Ditadura tornaram-se algo naturalizado na família, que é discutido sem tabus. Fernando diz que “faz parte do cotidiano ter esse tipo de assunto, certamente faz diferença para como a gente evolui, cria a família”. Nesse momento ele apontava para Isadora, que sempre teve esse tipo de assunto presente desde que nasceu.

 

Fernando Fernandes, nascido em 18 de dezembro 1970

Fernando, filho de Hilda, em sua casa [Imagem: João Mello]

Ainda pequeno, precisou lidar com situações incomuns para alguém da sua idade. Enquanto acontecia o golpe militar no Chile, em 1973, Fernando tinha dois anos e estava na creche. Hilda atravessou Santiago a pé, do Centro até Los Condes, em meio a bombas e tiroteios para buscar seu filho. Ela o levou à casa de uma amiga e, quando o entregou mãos de alguém confiável, desabou e carregaram-na até uma banheira com água quente e sal. Ela brinca: ”imagine andar quilômetros com um menino gordinho no colo”.

Hilda não via esse tipo de atitude para com o filho como um sacrifício, era algo natural. Quando ficaram alojados na embaixada do México depois do golpe do Chile, ela dava toda sua comida para ele. Fernando tem lembranças de quando saíram da embaixada. “Eu me lembro da escolta militar inteira. Chama muita atenção, é um flash que fica, era um mundo de soldados e estava chovendo.”

Ele também se lembra do período em que vivenciaram um golpe em Angola. Ele estava indo para a escola e as pessoas iam passando pela rua convocando para lutar contra o golpe, ele respondia apenas: “não, eu tenho que ir para a aula, eu vou até a escola”. Sua mãe o encontrou no meio do caminho. ”Dá para se lembrar bem dos tiros, das bombas.”

Ao final da nossa conversa, Fernando fala sobre o quão simbólico foi o que sua mãe fez. “É uma decisão muito difícil. Abrir mão de todos os confortos do mundo, para se entregar, se dedicar, se doar para os outros. Esse realmente é um exemplo. Por que se nega que isso existiu? Porque não se quer que as pessoas vejam esses exemplos e se joguem também como jovens para mudar esse tipo de coisa. É importante que se crie essa indignação favorável.”

 

Isadora Carrazza Fernandes, nascida em 24 de junho 1999

Isadora, neta de Hilda, na casa onde mora com o pai [Imagem: João Mello]

Isadora nasceu em um contexto bem diferente daquele que viveram seu pai e sua avó. Era um período mais tranquilo, com certa estabilidade tanto para a família quanto para o contexto nacional. Ainda assim, a história da sua família foi capaz de a atingir.

As experiências pelas quais Hilda passou fizeram sua avó adquirir a habilidade de “se virar”, pensar em saídas rápidas e eficientes. Do contrário, sua prisão e tortura eram certas. Isso reverberou na família de modo que a independência de Isadora sempre foi incentivada.

Ela comenta ainda sobre uma mania de família. Hilda precisou morar em lugares nos quais as pessoas usavam sotaques diferentes de português e espanhol e, para se disfarçar, tinha que adaptar a maneira como ela própria falava. Isso criou o costume de imitar o sotaque das pessoas depois de uma conversa de poucos minutos. Essa mania foi passada para Fernando e, posteriormente, para sua filha.

Hilda foi fundamental para Isadora entender-se como mulher. “Quando a gente tem figuras em casa de pessoas com uma posição política muito forte, isso se torna mais fácil.” Conforme foi crescendo, ela ia conversar com sua avó sobre correntes de feminismo. “Não tinha como eu não me espelhar nela. Eu só tenho a minha posição como mulher e só sei o que eu sou, politicamente falando, por causa da minha vó.”

Isadora se lembra de um dia em que o seu histórico familiar rendeu uma cena engraçada. Ela estava no cursinho assistindo a uma aula de História sobre a Ditadura quando seu professor Lucas projetou no quadro um cartaz de procurados com o rosto da sua avó estampado entre outros guerrilheiros. Ela não evitou de comentar “olha minha vó alí” e fazer a sala rir.

 

Jair Messias Bolsonaro, o presidente da República

Jair Bolsonaro mostra o livro A Verdade Sufocada: A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, na Câmara dos Deputados [Imagem: Reprodução/Facebook]

O atual presidente do país tem sua fama na controvérsia. A respeito da Ditadura, as declarações polêmicas são incontáveis. Cito aqui dois episódios como contextualização.

No dia 8 de novembro de 2016, Jair Messias Bolsonaro, o presidente da República, afirmou em sessão do Conselho de Ética da Câmara que o Coronel Carlos Brilhante Ustra seria um herói. Ustra foi condenado por crimes de tortura. No dia 27 de março deste ano, Jair Messias Bolsonaro, o presidente da República, disse que não houve ditadura no Brasil, mas uma transição pacífica de poder, tendo ocorrido apenas “alguns probleminhas”. Algumas pessoas citadas nesse texto sentiram na pele esses problemas.

Sobre o atual governo, os entrevistados afirmaram:

Isadora: “Na primeira vez que vi um vídeo do Bolsonaro no Facebook, achei que era uma piada, depois vi que não era. Como você vive em um mundo em que as pessoas acreditam que um ídolo é um cara que torturou pessoas? Tortura é coisa séria, isso não é brincadeira. Como alguém consegue acreditar que isso está certo? É vergonhoso.“

Fernando: “Quando você vive um momento político no qual, por mais que haja tropeços, avança-se em um sentido de igualdade, socialmente se toma alguns espaços. Isso implica em alguém querer esse espaço de volta. Se quem tira o espaço são os menos poderosos, a reação é muito violenta.”

Hilda discorreu sobre o governo, sobre a “classe mérdia”, como ela gosta de chamar, e outros fatores que levaram à atual situação do país, mas a primeira fala é sintética de sua opinião: ”o governo é uma catástrofe, o Bolsonaro é um imbecil’’.

 

Hilda, faria tudo de novo?

Escolhi essa como sendo a pergunta mais apropriada para terminar uma conversa tão enriquecedora. Hilda não decepciona e prontamente responde: ”claro, já estou pronta”.

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