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Humor Mais Que Frustrado
CINÉFILOS
09 set 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros
mabi.barros.s@gmail.com

Dos anos 80 até meados dos anos 2000, eram populares as “Comédia Besteirol”, um humor burlesco carregado de preconceitos e senso comum, concretizado sob a marginalização de algum grupo social. São exemplos do gênero a série de filmes American Pie e O Máscara (The Mask, 1994). Hoje, piadas machistas, homofóbicas, de qualquer cunho apelativo e excludente já não são mais tão bem toleradas pela sociedade. É neste contexto que estreia o longa Férias Frustradas (Vacation, 2015), remake disfarçado de sequência do filme de mesmo nome, lançado em 1983.

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A sensação que temos ao assistir a semi-nova produção de Warner Bros Pictures assemelha-se a um deja-vu. É porque, de fato, já conhecemos sua história. O enredo de Férias Frustradas é basicamente o mesmo de seu xará, apenas com algumas singelas mudanças, como o elenco. Rusty Griswold (Ed Helms), vendo a desunião de sua família, deseja repetir a viagem de carro que fez com seus pais e irmã anos antes ao Walley World, um parque de diversões na Califórnia. Muito a contragosto, seus filhos e esposa embarcam com ele na viagem através dos Estados Unidos, repleta de desventuras cômicas, como uma banheira com restos de assassinato, uma vaca comendo costela de boi e um banho no esgoto.

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As similaridades entre os enredos de 1983 e 2015 são tantas que, em certo momento do filme, um dos filhos de Rusty diz “Você quer repetir a viagem que fez com seus pais? ” e a resposta do pai é “Não vamos repetir, porque nós (ele e a irmã) éramos um menino e uma menina e vocês (seus filhos) são dois meninos”. A brilhante constatação resume perfeitamente o quadro de diferenças entre os filmes homônimos. O novo roteiro chega até a reiterar algumas cenas humorísticas, como a exuberante jovem em uma Ferrari vermelha que flerta com Rusty.

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A versão original de Férias Frustradas foi um sucesso de bilheteria: faturou 61 milhões de dólares sob o orçamento inicial de 15 milhões. Mas como já dito, ela foi lançada em outro contexto social, quando a indústria cinematográfica ainda estava descobrindo o humor escrachado e a sociedade saia das garras da censura. Naquela época, a homossexualidade era considerada doença mental, “lugar de mulher era na cozinha” e apelação era sinônimo de humor. Hoje, os gays conquistaram seu espaço civil, bem como as mulheres estão sendo cada vez mais reconhecidas e unindo-se em prol de seu empoderamento, quebrando estereótipos estabelecidos em décadas passadas.

Por mais que a intenção do filme fosse criticar tais comportamentos soberbos de marginalização, é imprescindível lembrar que eles ainda não foram totalmente superados. Assim, ciente de sua influência junto a sociedade, grande parte da indústria de entretenimento busca combater o discurso degradante, substituindo-o pelo de respeito e tolerância. Logo, a sequência/remake de Férias Frustradas caminha sobre uma tênue linha entre ridicularizar os valores retrógrados e preconceituosos que ela coloca em voga tão descaradamente e ratificá-los, por eles estarem sempre no plano principal do filme.

É elogiável a atuação dos atores no longa, e sua produção também é muito boa, mas o teor dúbio do enredo dificulta que outros aspectos sejam melhor desenvolvidos. O ponto alto do filme, que esteará na próxima quinta-feira, 10 de Setembro, é a música Kiss From a Rose, do cantor britânico Seal, repetida três vezes no desenrolar da história.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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