Home Lançamentos Inovação no terror é chave do sucesso de bilheteria de “Possessão”
Inovação no terror é chave do sucesso de bilheteria de “Possessão”
CINÉFILOS
01 nov 2012 | Por Jornalismo Júnior

Clyde Brenek (Jeffrey Dean Morgan) é divorciado e tem duas filhas: Emily (Natasha Calis) e Hannah (Madison Davenport). A trama começa quando ele leva as meninas para passar uns dias em sua nova casa no subúrbio.

Andando de carro pelo bairro, eles passam por uma tradicional venda de jardim e Hannah pede para que seu pai pare o carro para comprar pratos novos para sua casa. Na venda de jardim, Emily interessa-se por uma caixa de madeira com entalhes em uma linguagem desconhecida e pede para levá-la consigo. Enquanto Clyde paga pelos objetos, Emily anda com a caixa nos braços até uma janela, onde vê uma senhora acamada que grita “Não”, em um som de aviso, para ela. A recusa do conselho da senhora – ou o não entendimento dele – foi a perdição da garota. A caixa, como se é descoberto depois, é o motivo pelo qual Emily começa a ficar cada vez mais distante da família, da realidade e de seus ideais, assim como passa a ser uma criança que age de maneira bastante estranha e violenta.

Possessão (The Possession. 2012.) é dirigido por Ole Bornedal e foi produzido em 2012, nos Estados Unidos. O filme produz um clima de tensão no telespectador, que vai crescendo até atingir seu clímax já no final. A ansiedade criada aproxima-se de um terror psicológico: as cenas não são muito assustadoras em si, mas a atmosfera criada por elas é aterrorizante. O terror não tem picos, é prolongado. O estresse injetado no público somente é destruído na personifição do demônio, que perde seu poder de amedrontar ao ser visto como uma pequena criatura, que consiste em um dos pequenos pecados do filme.

Algo positivo é a não utilização de cenas muito previsíveis, o que é bastante comum em filmes de terror. Quando se tem um repertório grande de filmes do gênero, é possível imaginar a cena que vem a seguir, porém Possessão consegue surpreender. Também como fator positivo, é possível citar uma inovação na escolha da cultura judaica como ponto principal. O judaísmo costuma ser pouco abordado – e quando é, pode facilmente cair em abordagens preconceituosas. A fuga do clichê “demônio cristão” merece elogios.

Entre elogios, deve-se colocar vários à atriz Natasha Calis. A canadense de apenas 13 anos dominou muito bem a personagem, sabendo quando ser extremamente fofa e quando ser extremamente assustadora. Emily Brenek, no início, é uma criança meiga, extrovertida e cheia de ideais, conquistando o coração do público de imediato. Emily, ou Em, vai sendo transformada em uma garota apática, ao mesmo tempo em que seu comportamento muda e tudo que sua mãe consegue pensar é que o divórcio está afetando a garota. A atriz consegue, em um segundo momento, ser temida pelo público, em uma atuação impecável.

Trabalhando ao lado do diretor Ole Bornedal, está Sam Raimi como produtor. Raimi é conhecido pela direção de “Arraste-me para o Inferno” e pela sequência de Homem-Aranha, ele também atuou como produtor nos filmes “O grito”, “O pesadelo” e suas respectivas sequências.

Baseado em fatos reais
O filme foi baseado em uma reportagem publicada no jornal Los Angeles Times. A reportagem relata o caso de armário de vinhos levado para os Estados Unidos por um sobrevivente do Holocausto. Já na América, o velho armário foi vendido e levou com ele uma série de problemas para os novos donos.

Possessão termina com a indicação de uma possível continuação, o que pode se tornar realidade uma vez que as bilheterias nos Estados Unidos foram muito boas: o filme arrecadou US$ 17,25 milhões na semana de estréia, liderando os rankings e tirando o topo de Os Mercenários 2 (The Expendables 2 – Back For War. 2012.).

Rúvila Magalhães
ruvila.m@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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