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Invocação do Mal 2, ou: gritando na frente de desconhecidos
CINÉFILOS
07 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Ian Alves
ian.andrade.alves@gmail.com

Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, 2016) é um dos filmes de terror mais esperados do ano, senão o mais esperado. O longa, que atende às expectativas com um nível alto para uma produção de terror, é da mesma franquia de Invocação do Mal (The Conjuring, 2013) e Annabelle (Annabelle, 2014) – na verdade, Anabelle é um spin-off da franquia; ou seja, embora se utilize da mesma boneca possuída que aparece em Invocação do Mal, não estabelece nenhuma relação de continuidade com os outros filmes da série. A narrativa do novo longa conta mais um caso de Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson), demonologistas que viajam até o norte de Londres para ajudar uma família que está sendo aterrorizada por demônios. Além de boas atuações, roteiro inteligente e uma direção de arte espetacular, vale lembrar que o novo filme do diretor James Wan, como se já não fosse suficientemente assustador, é baseado em uma história real.

Um bom termômetro para medir o medo da plateia diante de uma produção de terror é notar não apenas os gritos e outras reações de espanto às cenas de susto, mas também os risos, meio desesperados, meio aliviados, que vêm logo depois dessas reações. Quanto mais desses risos se ouvem, mais genuíno foi o susto da plateia. E, na sessão de Invocação do Mal 2, eles foram generalizados – o medo é, sem dúvidas, sentimento inescapável do longa. Mas, para além do medo, James Wan conseguiu fazer um filme de terror sofisticado, em que as cenas de terror são ótimas, mas não absolutamente constantes. Há espaço para respirar; há uma história, de fato, por trás do suspense gratuito, com direito a cenas de drama e, até, piadinhas. E funciona: essa história estimula uma conexão maior entre o espectador e os personagens, fazendo-nos sentir o mesmo medo que eles sentem e deixando, assim, as cenas de terror mais intensas.

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A direção de fotografia é feita por Don Burgess, também responsável pela fotografia de Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump, 1994). Embora as duas produções tenham propostas artísticas completamente diferentes, Invocação do Mal 2 também tem uma fotografia de ótima qualidade, que chega a ser um dos pontos mais fortes do longa. A condução da primeira parte do filme é genial. Com bastante sutileza, Burgess utiliza técnicas de alongamento da tomada que passam dinamicidade às cenas, como se o espectador possuísse uma movimentação soberana dentro do universo do filme e pudesse passear com liberdade pelos diferentes planos de ação. Já na segunda parte do filme, em que o suspense sutil (mas não fraco) cede espaço a um terror mais agressivo, a fotografia consegue acompanhar com maestria o ritmo do roteiro, sendo essencial, junto à trilha sonora, na construção das cenas de susto.

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De maneira geral, toda a direção artística do filme é muito bem produzida. A estética visual é inteligente em diversos pontos, como no figurino da protagonista Lorraine, por exemplo. Por serem sempre muito claras, limpas e organizadas, as vestes conferem um tom angelical a Lorraine, o que faz total sentido, considerando que ela e o marido utilizam o catolicismo como forma de combate dos demônios.

Mas alguns detalhes, ainda no âmbito estético, incomodam muito: a cena do “Homem Torto” com o cachorro é mal feita e não convence; a melodia assobiada pelo fantasma, recurso clássico do terror (lembra de Freddy Krueger?), é praticamente igual à música de “Barney e seus amigos”, o que chega a ser ridículo. Questões como essas criam alguns ruídos no clima do filme, mas nada que realmente prejudique sua qualidade. Invocação do Mal 2 é, sem dúvidas, o melhor longa de sua franquia, embora mantenha a mesma proposta de terror – sustos, exorcismos e crianças. Dentro desses moldes, James Wan fez um ótimo filme, que realmente merece ser assistido.

O filme estreia quinta-feira, dia 9 de junho, mas o Cinéfilos foi a pré-estreia em 05 de Junho. Vem conferir o que encontramos por lá!

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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