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Irmã: Acima de tudo, o real no cinema
CINÉFILOS
06 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Em Irmã (Little Sister, 2016), Colleen (Addison Timlin) é uma jovem freira que não vê sua família há três anos. Porém, um e-mail de sua mãe anunciando a volta de seu irmão para casa a faz retornar ao seu antigo lar em Asheville, Carolina do Norte. Lá, ela precisa encarar não somente sua relação inconstante com seus pais, mas também reencontrar seu antigo eu gótico.

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Jacob Lunsford, interpretado por Keith Poulson, é irmão de Colleen e um ex-soldado da Guerra do Iraque, onde acabou sendo atingido por uma bomba que resultou na desfiguração de seu rosto. Diferente do que estamos acostumados a ver em filmes que retratam as cicatrizes da guerra de forma romantizada, Irmã reflete a verdadeira face de um combatente ferido. Zach Clark, roteirista e diretor dessa história envolvente e perturbadora, inclusive chegou a afirmar em entrevista a TZM Entretenimento: “realmente queria me comprometer para que a aparência disso fosse o seu rosto todo, o que para mim também realmente motivava sua isolação do mundo e até de sua família”.

Irmã será seu primeiro longa-metragem lançado no Brasil e o filme de estréia da Supo Mungam Films, uma distribuidora americana de filmes independentes. Clark ganha a cena com originalidade e a retratação do real, inserindo elementos autobiográficos em sua obra, como a relação entre Colleen e Jacob, inspirada em sua relação com seu próprio irmão, e o cenário gótico que sempre lhe atraiu. Foi, inclusive, selecionado para os festivais SXSW de 2016.

O filme foca muito a relação entre os irmãos e como eles lidam com seus problemas. Jacob com o rosto desfigurado não tem coragem de sair da casa de hóspedes de seus pais e de manter contato com as pessoas, nem mesmo com sua namorada, Tricia (Kristin Slaysman). E Colleen descobre que apesar de ser realmente devota a Deus – o que espanta seus pais por acharem que ela seria uma gótica lésbica -, ainda há muito de sua personalidade antiga em seu “eu” atual. Joani Lunsford (Ally Sheedy), matriarca da família, também se mostra humana. Ela toma remédios controlados em decorrência de uma tentativa de suicídio anos antes. Junto com Bill (Peter Hedges), seu marido, encontrou um pequeno refúgio na maconha.

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O cenário e a trilha sonora completam o filme, combinando com o tom melancólico, mas, ainda assim, engraçado. Alternando entre cenas santas e satanizadas, com cantos gregorianos e heavy metal (presente durante todo o longa), o que mostra muito da personalidade de Colleen, que se altera entre cabelos rosas e batom preto a rezas e comportamento sacro. Have You Seen Me? do GWAR é o tema dos dois irmãos, e junto com Romeo’s Distress de Christian Death foram músicas intrínsecas ao roteiro. Quanto ao lugar, a aparência fria e distante de Asheville encaixou bem com a trama, sendo também um “bolso de liberalismo em um estado tradicionalmente conservador”, declara Clark em entrevista a TZM.

O ponto único de Irmã é mostrar a relação familiar e as pessoas como elas realmente são, sem idealizações. A mãe não é uma pessoa sempre forte e acolhedora, o pai não é sempre correto, os filhos não são sempre decididos. Contudo, mesmo com uma convivência complicada, existem seus momentos de diversão e afeto. É interessante a forma como ele retrata isso também no cenário político. O filme se passa em 2008 na eleição para presidente dos EUA, em que Barack Obama estava concorrendo e o medo do terrorismo ainda corria solto pelo solo americano, é como Clark diz a TZM, “existia tanta expectativa e esperança e positividade indo nessa eleição, e então, naturalmente, nem todas as promessas de campanha foram realizadas, e tivemos que reajustar as nossas expectativas, e ver Obama como um ser humano e não um salvador político.”

Irmã estreia dia 6 de outubro. Confira o trailer:

por Laura Raffs
lauraraffsguerra@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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