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CINÉFILOS
14 ago 2013 | Por Jornalismo Júnior

Baseado no artigo Os Suspeitos Usavam Louboutins de Nancy Jo Sales, o filme The Bling Ring – A Gangue de Hollywood (The Bling Ring, 2013) chega aos cinemas com a difícil missão de suprir às grandes expectativas geradas ao seu redor. O artigo da premiada escritora para a revista Vanity Fair é baseado em fatos verídicos e relata jornalisticamente o caso de um grupo de jovens endinheirados de um subúrbio de Los Angeles que praticam uma série de roubos às casas de celebridades de Hollywood, como Paris Hilton, Lindsay Lohan, Orlando Bloom, Megan Fox, Rachel Bilson e Audrina Patridge. O valor arrecadado com esses furtos chegaram a somar aproximadamente 3 milhões de dólares em roupas, jóias e peças de arte.

O filme já começa com cenas que mexem com as emoções do espectador. Numa tomada silenciosa, uma câmera de segurança estática mostra a entrada e a saída dos cinco jovens em uma das mansões roubadas carregando vários objetos, gerando expectativa em quem está assistindo.

Com os nomes modificados dos criminosos da vida real, o grupo é interpretado pelos atores Claire Julien (Chloe), Taissa Farmiga (Sam), Emma Watson (Nicki), Katie Chang (Rebecca) e Israel Broussard (Marc). O filme não tem uma cronologia. Existem duas épocas diferentes: a dos roubos e a dos julgamentos, conferindo um aspecto de documentário à trama.

Além das roupas, das jóias, do dinheiro, das festas, das drogas e de toda a adrenalina dos roubos, a diretora Sofia Copolla consegue retratar os acontecimentos do caso com alta fidelidade ao artigo de Nancy Jo Sales e sua forma de direção confere ao longa um ar intimista, abordando pessoal e psicologicamente os seus personagens sem torná-lo um drama “sentimentalóide”. Por exemplo, em uma cena do filme, através de um jogo de câmeras, na qual enxergamos Rebecca através dos olhos de Marc, é possível ter uma tomada repleta de sensações e sentimentos silenciosos, contando com poucas falas do personagem.

Muitos assistirão ao filme pelo desejo de ver Emma Watson no pole dance, interpretando um personagem completamente diferente do que já fora visto e, sim, ela está muito diferente, mas engana-se quem pensa que o filme gira em torno da estrela. Na parte do longa da época dos roubos, o enredo segue a trajetória de Marc, o único representante masculino do grupo, ao se mudar para um colégio alternativo e fazer amizade com Rebecca, considerada a líder do grupo. Daí em diante, com a companhia das outras garotas, começam a praticar os roubos e viver uma vida criminosa de luxo, drogas e inconsequências.

Devido à sensacional trilha sonora, que conta com músicas de Frank Ocean, Deadmau5, Kanye West, 2 Chainz, Azealia Banks, Avicii e Rick Ross, e à incrível direção de Sofia, quem assiste fica completamente envolvido com a trama, sentindo a adrenalina e o nervosismo de que a qualquer momento eles possam ser pegos. Outro sentimento aflorado no espectador é uma certa compaixão em relação aos jovens criminosos, uma vez que a diretora faz questão de evidenciar a inocência e a inconsequência com que executam seus crimes.

Na parte da trama que se relaciona à época dos julgamentos, a atriz Annie Fitzgerald interpreta uma repórter da Vanity Fair, que entrevista dois dos integrantes da Bling Ring: Marc e Nicki, sendo fiel à realidade vivida por Nancy Jo Sales.

Alexis (Nicki) ganhou maior destaque pois todos esses acontecimentos ocorreram enquanto ela já estrelava um reality show, chamado Pretty Wild, sobre a sua vida (aliás, as cenas nas quais aparece a mãe de Nicki-Alexis são muito engraçadas, ela educa suas três filhas baseadas no best-seller O Segredo).

Em relação à Marc, segundo Nancy Jo Sales, Nick Prugo (nome real) era o coração da história, parecendo ser o único que tinha senso das consequências e aparentava sentir-se mal de verdade pelo o que tinha feito. Marc-Nick tinha baixa auto-estima e sofria com a auto-aversão, ele se considerava feio perto das outras pessoas, e Rebecca foi a primeira pessoa com a qual ele pode contar como melhor amiga. Segundo ele, eles apenas queriam ter o estilo de vida que todos gostariam de ter e, por Rebecca, ele faria qualquer coisa.

No final do filme, são mostrados o julgamento, os interrogatórios e as condenações dos criminosos. Porém, mais relevante do que o veredicto, as cenas finais provocam o espectador a refletir sobre valores morais. Em uma delas, Rebecca, que está sendo interrogada, pergunta ao policial se ele falara com alguma das vítimas, e com a confirmação dele, ela se mostra empolgada e pergunta “O que a Lindsay falou?”, evidenciando uma grande falta de noção do que estava acontecendo.

Além de o filme contar com uma ótima base no artigo de Nancy Jo Sales, com a expertise de Sofia Copolla no roteiro e direção, com grandes atuações, principalmente dos “iniciantes” Israel Broussard e Katie Chang, e com uma musicalidade envolvente, seu enredo ainda serve para a reflexão e crítica a uma sociedade que é permeada por uma cultura de imediatismo, inconsequência e culto à fama e às celebridades, deturpando valores morais, que por mais “caretas” que possam ser, são extremamente necessários.

Por Mirella Kamimura
mirellask317@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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