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Let me take you to Rio
CINÉFILOS
08 abr 2011 | Por Jornalismo Júnior

“Rio” (Rio) começa no Carnaval. Muitas cores, pássaros esvoaçantes e um (quase) samba super-animado. O deslumbre é instantâneo. Já calejado, após as experiências de A Era do Gelo, Carlos Saldanha cria uma animação irretocável, que faz uso inteligente do 3D: nada de frutas caindo na direção  da  platéia: o objetivo é envolver o expectador em cenários deslumbrantes. Tudo associado a uma trilha sonora que vai de Will.i.Am, passando por bossa nova até Carlinhos Brown.

O filme acompanha a história de Blu, uma simpática arara azul que, contrabandeada ainda filhote, vive pacatamente em algum canto da fria  Minnesota. Domesticado, apesar de feliz, Blu não consegue, digamos, alçar vôos mais altos. Ele e sua dona, Linda, terão seu universo transformado pela atabalhoada chegada de Túlio, um ornitólogo brasileiro segundo o qual Blu é o último macho da espécie. E que promete uma animada viagem ao Rio para conhecer Jade, uma intimidante e sedutora fêmea. Topada a viagem, tem início a saga quixotesca de Blu que, junto de Jade, acaba sendo seqüestrado por contrabandistas cariocas. Presos um ao outro por uma corrente, os dois pássaros terão de aprender a conciliar o espírito livre de Jade às ambições domésticas de Blu, que sequer consegue voar.

É tentando voltar para casa que os dois terão de cruzar o Rio de Janeiro, travando contato com a fauna local. Quem lembra de Sid ou Manny (e como esquecer?) vai perceber que Saldanha acerta a mão novamente, com uma ótima galeria de personagens. Desde o sádico Nigel, uma cacatua agente dos contrabandistas, de quem as duas araras têm de fugir; até os simpáticos e loucos Pedro e Nico (dublados por Will.i.Am e Jamie Foxx no original), responsáveis pelo maior baile funk da cidade maravilhosa. Quem rouba a cena em diversos momentos, no entanto, são os micos, malandros primatas com ares de MC, cultores do mal hábito de enganar turistas para roubar relógios e tudo o mais que brilhe sob o sol.

Rio, no entanto, traz um tipo de animação muito mais física que A Era do Gelo. E uma dose de humor pastelão. Além disso, a Cidade Maravilhosa ganha leves ares de caricatura: apesar de carioca, Saldanha pinta um cidade de turista, com leve sotaque americano. A cidade é relida, com destaque para a floresta, a favela e o carnaval. Nada que comprometa o encanto da animação – melhor encarar como uma certa licença poética do diretor.

Por Rafael Ciscati

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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