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Link Perdido é uma animação bonita de se ver, mas cansativa de se assistir
CINÉFILOS
07 nov 2019 | Por Adriana Teixeira (adrianateixeira@usp.br)

Link Perdido (Missing Link, 2019) é sobre Lionel Frost (Hugh Jackman), um aventureiro  apaixonado pela busca de monstros e criaturas míticas. Ele deseja conquistar um status social de poder, sair nos jornais como herói e se unir a um clube de homens. A história se inicia quando o explorador recebe uma carta anônima que o guia ao Pé Grande, criatura não descoberta até então. Com isso Lionel ganharia tudo que sempre desejou: reconhecimento do clube e manchetes o exaltando.

Chegando ao local proposto, Frost se depara com quem ele nomeou de Senhor Link (Zach Galifianakis), por ser o “elo” entre homem e macaco. Diferentemente do que ele esperava, a criatura sabe falar e ler, tem uma personalidade extrovertida e até, atrapalhada. Há uma quebra de expectativa, já que o senso-comum é de que o Pé Grande é agressivo e mal, logo é divertido quebrar com esse estereótipo e nos aproximar da figura que antes era vista como abominável.

Na verdade, a carta que levou Frost até lá, foi enviada pelo Senhor Link, que desejava ser descoberto. Seu objetivo era conseguir ajuda do explorador para o levar até seus parentes no Himalaia, já que o resto de seus iguais foi extinto e ele não queria mais ficar sozinho. Nesse ponto, pôde-se analisar uma crítica quanto à exploração de animais e de ambientes naturais, que é retomada durante diversos pontos do longa. O aventureiro aceita a proposta, pois sabia que alcançaria o status social que sempre sonhou. E a narrativa do filme aborda a viagem dos dois para o Himalaia.

Quanto à técnica, é notável a excelência na animação em stop motion, isto é, bonecos reais, que são movimentados manualmente e fotografados frame por frame. É bastante realista e livre de movimentos robotizados, comum para esse tipo de produção. Além disso, os cenários são sempre muito bem pensados e detalhados, com tons e estampas que são agradáveis aos olhos.

[ Imagem: Laika Studios / Annapurna Pictures ]

A personagem mais interessante foi Adelina Fortnight (Zoe Saldana), que de início aparentava ser apenas uma viúva resignada, mas durante o filme se mostra uma pessoa de muita força e coragem. E é de grande importância criar personagens femininas empoderadas e o longa contribuiu com isso.

O ponto negativo foi o humor, que muitas vezes era um pouco bobo demais e por ser pueril, restringe o público de interesse exclusivamente ao infantil. O Sr. Link é quem mais faz soltar as risadas do espectador, mas em diversos momentos não consegue cumprir com a missão de ser engraçado. Com isso, o gênero comédia passa a ser em segundo plano frente à aventura. Esta por sua vez é forte durante todo o longa, com muitas cenas de lutas e ação.

É um filme bonito de se ver, por haver uma clara preocupação com a estética. Para os que gostam de aventura, o longa cumpre seu papel, mas não é de se esperar muitos momentos de risada. Os 94 minutos podem ser um pouco cansativos por não trazerem muitas cenas engraçadas e como era uma das propostas, é decepcionante sair da sala de cinema sem muitas risadas.  A animação, por sua vez, é tão bem feita que Link Perdido prende a atenção pela arte.

O longa tem estreia prevista para o dia 7 de novembro no Brasil. Confira o trailer:

 

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