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Lucy: tiro, porrada e bomba
CINÉFILOS
27 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Thiago Castro
thiagocastro96@gmail.com

Há alguns anos, ganhou força o mito de que usamos apenas 10% do nosso cérebro. Se temos acesso apenas a essa ínfima parte, o que seríamos capazes de fazer com 100%? A ciência já cansou de desmentir o boato, afirmando que o ser humano usa toda a sua capacidade cerebral. Mas mesmo assim, essa é a premissa de Lucy, filme estrelado por Scarlett Johansson e Morgan Freeman.

O longa abre com a protagonista Lucy (Scarlett Johansson) tentando ser convencida por um amigo a entregar uma pasta para um poderoso empresário coreano. Ela caiu em uma armadilha, e acaba sendo usada para transportar em seu estômago uma nova droga sintética. Porém, ao sofrer agressões de seus raptores, o produto vaza em seu organismo, o que gradativamente faz com que ela acesse uma porcentagem cada vez maior de sua capacidade cerebral, lhe conferindo poderes ilimitados.

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A estética do filme é muito bem produzida. Os efeitos especiais são ótimos, repletos de cenas de ação, tiros e superpoderes da heroína. Vemos na tela a porcentagem atual usada pelo cérebro de Lucy, que servem de demarcações para sua evolução. Também são usadas cenas de animais em certos momentos de tensão, comparando os seres humanos à natureza.  A trilha sonora consegue acompanhar bem o ritmo, mesclando músicas clássicas com contemporâneas.

Scarlett está perfeita como sempre. Seu magnetismo é poderoso, carregando o filme nas costas. Já Morgan Freeman, que faz Samuel Norman, um professor universitário, tem como papel contar ao público o que se passa com Lucy, quase sendo uma espécie de narrador. Restou a ele um papel apagado perto da protagonista.

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A história é um pouco pretensiosa. O longa tenta levantar perguntas existenciais a la Matrix. O que nos torna humanos? Qual a responsabilidade de ter poderes ilimitados? Qual a relação do tempo e a vida? Esses questionamentos são trabalhados às pressas nos quase 90 minutos de filme, junto com todas as cenas de perseguições e tiros. Porém muitas vezes fica difícil engolir todas as explicações e teorias mirabolantes de um mundo paralelo onde uma garota torna-se capaz de tudo após uma super dose de uns cristais azuis.

Os personagens são pouquíssimo aprofundados, mas é essa a intenção. Não importa quem seja, de onde Lucy veio ou quem ela é. O foco está no uso de suas novas habilidades e nos questionamentos que elas trazem. Porém o filme acaba se reduzindo a uma mera perseguição sem fim e a uma evolução constante das capacidades da loira, até chegar no aguardado 100%.

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Lucy é um filme agradável, bem produzido e estrelado maravilhosamente bem por Scarlett Johansson. As cenas de ação e a protagonista enfrentando os vilões com suas incríveis habilidades são o ponto alto do filme. Merece destaque também a desumanização que Lucy sofre, sendo quase um paradoxo. Quanto mais usa seu cérebro, menos se torna humana. O roteiro é pretensioso, muitas vezes difícil de engolir, mas é uma boa pedida para uma tarde de domingo.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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