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Luta por Justiça: a dura e inquietante investida para escapar do corredor da morte
CINÉFILOS
20 fev 2020 | Por José Higídio (zehigidio@usp.br)

“Eles não precisam de digitais, nem provas, e a única testemunha inventou tudo. Nada disso importa quando tudo que pensam é que eu pareço com um homem que poderia matar alguém”. A frase do personagem de Jamie Foxx resume bem a história real que inspirou o filme Luta por Justiça (Just Mercy, 2019): os esforços do advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) para libertar Walter “Johnny D.” McMillian (Jamie Foxx), condenado injustamente à morte.

Destin Daniel Cretton é o diretor do longa e, apesar de não ousar muito dentro da proposta de um drama de tribunal, ele consegue criar um senso de proximidade com os personagens, construindo cenas emocionantes e reforçando o comentário social.

A crítica social é, inclusive, um dos pontos altos do filme. Cretton usa os cenários e ângulos de câmera para destacar diversas mazelas, como a persistência da segregação étnica, o racismo estrutural, as falhas dos sistemas prisional e judiciário, fraudes e abusos policiais – e ainda suscita o debate sobre pena de morte. Tudo isso é feito da forma mais comovente possível. A obra tem a capacidade (e a tendência) de fazer o espectador debulhar-se em lágrimas. É um filme para chorar o tempo todo, seja de desolação, aflição, indignação ou alívio.

Os verdadeiros Walter McMillian e Bryan Stevenson, respectivamente. [Imagem: Wikimedia Commons]

As atuações contribuem para isso. Se já vimos diversos advogados perseverantes no cinema, Jordan aperfeiçoa esse tipo mostrando vulnerabilidade e grande identificação com seu cliente. Já Foxx aparenta estar conformado com seu destino cruel, mas aos poucos vai demonstrando que suas esperanças estão ressurgindo. E o elenco de apoio, encabeçado por Rob Morgan, Tim Blake Nelson e Rafe Spall, é um ótimo complemento a essa complexa história. A exceção é Brie Larson, cuja personagem é subaproveitada.

Luta por Justiça tem alguns defeitos. Apresenta algumas quebras de fluxo na narrativa principal (para mostrar casos de outros prisioneiros), nunca chega a explorar a fundo a relação da comunidade branca e rica no caso, e pode também ser considerado apelativo para alguns. Mas é inegável que passa uma mensagem forte de maneira tocante. Mensagem essa presente na fala do personagem de Jordan: “Todos nós precisamos de justiça. Todos nós precisamos de piedade”.

O longa chega aos cinemas no dia 20 de fevereiro. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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