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Lygia Fagundes Telles: 90 anos de história literária
Na Estante
05 jun 2013 | Por Jornalismo Júnior

“Aniversário é uma data boa quando se é jovem. Depois da velhice brutal, chega, não quero mais”. A escritora, que parece não gostar muito da data, completou 90 anos no dia 19 de abril e vem sendo homenageada por sua obra e sua importante contribuição para a cultura e a sociedade brasileiras.

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Lygia é membro da Academia Paulista de Letrase ocupa a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras. Arquivo.

Lygia publicou seu primeiro livro aos 15 anos, cursou Direito e Educação Física, casou-se, separou-se, foi mãe. Lançou 19 livros de contos, 4 romances, 7 antologias e participou de 10 coletâneas.

Já foi traduzida para 8 idiomas e é membro da Academia Paulista de Letras, da Academia de Ciências de Lisboa e ocupa a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras. Recebeu 9 prêmios, entre eles o Prêmio Camões de literatura, o mais importante quando se trata de língua portuguesa.

“Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida.” diz Lygia Fagundes Telles, escritora, exemplo.

Por que Lygia?

Geralmente, o que faz com que um escritor seja aclamado pela crítica é a sua capacidade de recriar a realidade na linguagem, o seu dom de mostrar o mundo – não necessariamente como ele é – por meio de palavras de forma singular. Lygia o faz com primor e ainda mobiliza identificações do leitor com suas criaturas.

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Clique entrevista com a escritora para a Metrópolis, que foi ao ar no dia 19/04

A escritora paulistana é de uma geração marcada por questões políticas. Nota-se em sua obra uma preocupação com o papel social da literatura, além de inovações estéticas. A autora repudia a ideia de literatura que tem apenas função artística. Ela se vale da sua arte para expor as mazelas nacionais, as injustiças e o descaso do Estado brasileiro com a sociedade.

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“O grande humanismo da sua literatura se dá porque Lygia trata do desamparo da condição humana”. Globo.com

“O grande humanismo da sua literatura se dá porque Lygia trata do desamparo da condição humana; da nossa fragilidade, nossas angústias, o que nos faz sermos capazes de grandes gestos e também das maiores atrocidades. A sua literatura capta essa dualidade.” diz o jornalista, escritor e professor Suênio Campos de Lucena.Já a autora diz que para escrever, você precisa se dedicar de corpo e alma a seu personagem, a seu enredo e à sua ideia.

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As amigas e escritoras Lygia e Hilda posando para foto. Arquivo.

Lygia Mulher

Lygia é uma desbravadora. Na faculdade de Direito era uma das seis mulheres, entre mais de cem homens. Em uma época na qual as mulheres eram criadas para casar, ela rompeu os padrões: estudou, escreveu, publicou seus primeiros livros em tempos de Guerra Mundial e casou… duas vezes.

A escritora, assim como suas amigas Clarice Lispector e Hilda Hilst, foi fundamental na mudança do papel da mulher na sociedade, dando vez e voz à fala feminina. Sobre ela, Clarice Lispector certa vez disse: Mas, do jeitinho como escrevem, parece que é só entre as mulheres escritoras que ela é boa. Erro: Lygia é também entre os homens escritores um dos escritores maiores. Como mulher ela é inspiradora, como escritora, imortal.

Por Sara Baptista
sarabm6@gmail.com

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COMENTÁRIOS
Maria de Lourdes
Lindo o texto sobre a nossa grande Lygia Fagundes Telles. Bela e merecida homenagem.
13 jul 2015
 
Janete Cristina de Oliveira
Me ensinarão muito suas palestras no Tribunal de Justiça, Maravilhosas !
15 mar 2014
 
Lau Baptista
Parabéns Sara, belíssimo texto, nada como iniciar pela grande escritora Lygia. Beijos grandes,.....
05 jun 2013
 
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