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Mãe só há uma: e nós também somos únicos
CINÉFILOS
13 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Pedro Graminha
graminhaph@gmail.com

Pierre (Naomi Nero) é um adolescente de 17 anos. Como muitos dessa idade, encontra-se em uma fase de afirmação da sua personalidade. Veste-se de maneira única, toca em uma banda de rock e, de certa forma, também tem certas dúvidas quanto a sua sexualidade.

Certo dia, após uma denúncia anônima, Pierre descobre que chamava Felipe, e fora roubado na maternidade por aquela que julgava ser a sua mãe verdadeira.

mae so ha uma 2

A vida do jovem vira de cabeça para baixo, ao se mudar para a casa de sua família biológica,  que aparentemente em tudo difere de seu jeito. Se em na antiga casa sua maneira excêntrica de se vestir e comportar era normalmente aceita, na nova, muito mais conservadora (são pertencentes à classe média alta), toda essa atitude do jovem causa espanto e atritos com seus verdadeiros pais.

Dirigido por Anna Muylaert, diretora do sucesso Que horas ela volta? (2015), o filme conta com a atuação brilhante do jovem Naomi Nero, que consegue transmitir bem todo o deslocamento sentido por Pierre/Felipe em meio a situação. Também se destacam o ator veterano Matheus Nachtergaele e  Daniela Nefussi, em seu papel duplo interpretando tanto a mãe “falsa”, Aracy, quanto a mãe biológica, Glória.

Muylaert, junto a diretora de fotografia Bárbara Alvarez, usa de primeiros planos (quando a câmera enquadra os atores do peito para cima) trazendo uma sensação de claustrofobia às cenas, realçando a tensão mostrada em tela.

Tensão essa do personagem consigo mesmo e com seus pais verdadeiros, que tentam enquadrá-lo em sua nova realidade através de um “tratamento de choque”. Querem que o jovem se comporte da maneira que eles esperam, vista as roupas que eles escolherem, quando na verdade tudo o que ele precisa é dar seu grito de autoafirmação.

mae so ha uma 3 (naomi nero, anna muylaert e dany nefussi)

A trama se baseou em um caso real, a história do menino Pedrinho, que fora sequestrado da maternidade que nascera em Brasília em 1986, para ser reencontrado por seus pais 16 anos depois.

O grande acerto do filme está em conseguir transmitir ao espectador toda a angustia vivida pelo protagonista. Imaginar que tudo o que julgamos verdade de repente tornar-se mentira, é uma hipótese assustadora. Pierre ou Felipe? Tanto faz. São apenas nomes que tentam representar alguém, que parecem trazer em si toda a definição da pessoa que o carrega. O que temos de único, o que faz cada ser humano ser distinto de outro, não tem nome. Podemos perceber de súbito que a realidade que vivemos não condiz com que acreditávamos, mas ainda sim, seremos nós mesmos, pois da mesma forma que só há uma mãe biológica para cada um de nós, só existem um Pierre/Felipe no mundo.

O longa estreia em 21 de Julho. Confirma o trailer!

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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