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CINÉFILOS
23 jan 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Victória Pimentel
vic.pimentel.oliveira@gmail.com

Um punk e um vendedor de colchões: são estes os dois irmãos de A Grande Noite (Le Grand Soir, 2012), filme francês vencedor do Prêmio Especial do Júri Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2012. Dirigido por Benoît Delépine e Gustave Kervern, o longa conta a história de Benoît (Benoît Poelvordee) e Jean-Pierre (Albert Dupontel), irmãos com personalidades diferentes e com vidas muito diferentes.

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Not (Benoît Poelvordee) e seu cachorro, Oito-Seis.

Benoît, que prefere ser chamado de Not, adotou um estilo de vida completamente punk. De cabelos arrepiados, coturnos surrados e uma tatuagem com o próprio nome no meio da testa, Not é um cara que segue as tendências anarquistas, se mostrando pouco fã de regras. Acompanhado de seu cachorro, Oito-Seis, anda por aí, chutando cartazes e abordando pessoas na saída do supermercado, para quem sabe, matar a fome com um pote de iogurte.

Jean-Pierre, por sua vez, é um homem conservador. Vendedor em uma loja de colchoes, recém-divorciado e pai, reprime o irmão por seu modo de vida. Sua grande preocupação, porém, é com seu trabalho. Em tempos de crise, para garantir seu emprego, Jean-Pierre precisa atingir seu objetivo de vendas e para isso, passa a fazer de tudo – literalmente de tudo – para evitar o iminente fracasso. No entanto, a única coisa que consegue é entrar em um verdadeiro colapso.

O grande ápice é quando, em um de seus surtos, Jean-Pierre, acaba pedindo demissão de seu emprego. Sem ter o que fazer, o vendedor se rende e recorre ao irmão, que o ajuda na busca por um emprego. Ao ver que seu plano falhou completamente, Jean-Pierre se vê no fundo do poço e, cada vez mais próximo do irmão, acaba adotando o estilo punk, com direito a um moicano e também a uma tatuagem na testa, com a inscrição ”Dead”. A partir de então, Not e Jean-Pierre, juntos, partem para um novo caminho, de mudanças e aprendizado.

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Jean-Pierre (Albert Dupontel) após sua iniciação no estilo punk.

Recheado de cenas simples e engraçadas, a atuação dos dois irmãos surpreende: Not, com a toda a expressão divertida de seu jeito punk e Jean-Pierre, em seus acessos de raiva ao tentar vender, a qualquer custo, os produtos da loja de colchões. O filme conta ainda com uma cômica participação de Gerárd Depardieu, como um leitor de futuro no saquê (sim, exatamente como as leituras de futuro através da borra do café!).

A direção, por sua vez, se mostra objetiva mas sem perder a sensibilidade. Sem grandes expressões de trilha sonora, as cenas são captadas com bastante simplicidade – como se estivéssemos vendo tudo com nossos próprios olhos – ao mesmo tempo que revelam inteligência combinada com humor. O longa carrega ainda uma leve temática familiar. As cenas com os pais dos irmãos – Brigitte Fontaine, a mãe, e Areski Belkacem, o pai – podem ser um tanto peculiares, mas os diretores conseguem tratar do tema de modo original, sem lançar mão de clichês.

Ao longo do filme, os irmãos Not e Jean-Pierre passam por um processo de mudanças e amadurecimento. Dificuldades a parte, os dois procuram realizar sua própria revolução. Em um primeiro momento, pode parecer que tudo deu errado. Porém, apesar de perceberem que a vida não é fácil e que, mesmo assim, é preciso continuar, eles conseguem mostrar que não estão mortos.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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