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Malévola é realmente a dona do mal?
CINÉFILOS
17 out 2019 | Por Catarina Barbosa (catarinavbarbosa@usp.br)

Com um cenário encantado por belos efeitos visuais, Malévola – Dona do Mal (Maleficent – Mistress of Evil, 2019) retorna com uma nova história sobre a relação entre a antiga antagonista de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959) e sua agora afilhada, Aurora (Elle Fanning). Cinco anos após ser coroada rainha de Mors, Aurora fica noiva do príncipe Phillip (Harris Dickinson), — herdeiro do reino de Usteld, onde moram os humanos. Esse casamento entre os dois significaria também a união entre os dois mundos. No entanto, nem Malévola (Angelina Jolie) nem a rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer) estão dispostas a entender-se para alcançar tal harmonia, o que acaba por gerar um conflito capaz de abalar a relação de afeto entre a fada e a Bela Adormecida.

Por conta da lenda sobre a fada malvada que enfeitiçou a princesa quando bebê, Malévola ainda é vista por quase todos como vilã, o que a faz viver um conflito interno entre manter-se como uma figura temida e assim nunca ser enfrentada, ou assumir o papel materno que Aurora enxerga nela. Assim como no primeiro filme, a relação construída entre Malévola e Aurora leva o espectador a pensar sobre as noções de família e as definições de bem e mal. O que torna a fada tão interessante e faz despertar empatia por ela é justamente entender que nem todos são puramente bons ou maus, e que às vezes é preciso usar métodos não tão ortodoxos para proteger quem se ama. 

Malévola, Aurora e Diaval tem laços familiares diferentes mas muito reais [Imagem: Disney/Divulgação]

O enredo desenvolve-se de maneira fluida e destaca-se por trazer duas mulheres fortes em papéis aparentemente opostos, nesse caso, Malévola e a Rainha Ingrith. Isso porque, até mesmo os motivos da segunda conseguem justificar algumas de suas ações, mas ainda sim, a rainha é a grande vilã do filme. Aurora e o príncipe Phillip, por sua vez, cumprem o que esperado para o casal de mocinhos: são tão justos que acabam sendo ingênuos na maior parte do filme, o que torna a narrativa dos dois um pouco cansativa.

As interações entre Malévola e seu corvo Diaval (Sam Riley) são o alívio cômico do filme e mostram um lado mais engraçado e leve da personagem. A boa atuação de Michelle Pfeiffer no papel de rainha má é uma das que mais chama atenção e termina por coroar a trama. Os efeitos especiais são um show a parte, que encanta e faz quem assiste realmente acreditar nos cenários e personagens mágicos.

A família real ao receber Aurora [Imagem: Disney/Divulgação]

De maneira lúdica, o longa levanta questões sobre confiança, respeito às diferenças e a necessidade de mediar conflitos, sejam eles antigos ou não, de forma pacífica e racional. A história deixa claro que a paz só pode ser alcançada se os dois lados estiverem dispostos a ceder e entender o lado oposto, além de mostrar que até mesmo em um conto de fadas as segundas chances são necessárias para manter as relações em equilíbrio.

O afeto e a empatia são, então, os principais sentimentos para compreender a história de Malévola, que com certeza é dona de muita coisa, mas o mal não é uma delas.

O filme chega aos cinemas em 17 de outubro e o trailer está disponível aqui:

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