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Cidades sob rodas dominam o mundo de fantasia em Máquinas Mortais
CINÉFILOS
10 jan 2019 | Por Cinéfilos

Uma garota misteriosa observa algo que aparenta ser um grande veículo se aproximando. Logo corre em direção ao que inicialmente se assemelha muito a uma cidade. Em um piscar de olhos, o local se transforma completamente e começa a se mover em uma cena de perseguição emocionante. É dessa maneira que Máquinas Mortais (Mortal Engines, 2018) começa. O longa é ambientado em um futuro pós apocalíptico onde a humanidade se viu obrigada a morar em cidades móveis ㅡ grandes estruturas que buscam capturar cidades menores para obtenção de recursos.

A concepção de mundo imaginada por Philip Reeve, autor da série de livros que originou o filme, é muito interessante. Em uma tela de cinema, a riqueza de detalhes e a forma como as cidades movéis foram estruturadas enchem os olhos de quem assiste. O visual é muito bonito e contribui para gerar curiosidade acerca do universo apresentado. Além disso, a maneira repentina como tudo começa também é responsável por inserir elementos na trama que criam uma aura de mistério, convidando o espectador a desvendar os segredos que envolvem a história.

A exuberância das cidades movéis [Copyright Universal Pictures International France]

A dinamicidade dos acontecimentos, permeados de sequências de ação e aventura, faz com que o ritmo do longa seja fluido e bom de se acompanhar. No entanto, há um grande problema no roteiro e na construção dos personagens, ponto que dificulta a conexão com os protagonistas e o entendimento das motivações do vilão. Todos são muito caricatos e superficiais.

Hester Shaw (Hera Hilmar) é a única que recebe um aprofundamento maior. Seu passado é bem explorado e as causas que a levaram buscar vingança vão sendo desvendadas com o decorrer do tempo. Mesmo com sua história em destaque, a personalidade de Hester é completamente estereotipada: a garota solitária que não confia em ninguém. Essas característica fazem dela uma protagonista difícil de acompanhar. Em determinados momentos, o roteiro tenta, de forma ineficaz, forçar um arco da história de Hester com o objetivo de comover o público.

A protagonista se esconde atrás de um pano vermelho e tenta passar um ar de mistério [Copyright Universal Pictures International France]

Muitos personagens são muito mal aproveitados pelo roteiro, como é o caso de Pod (Ronan Raftery), um dos trabalhadores da cidade móvel, e Katherine (Leila George), filha do ajudante do prefeito. Ambos aparecem poucas vezes e não apresentam nenhum desenvolvimento. Suas contribuições para o andamento da trama são praticamente inexistentes.

Outro aspecto que pode gerar incômodo é o fato das regras desse universo não serem tão bem estabelecidas. Alguns elementos não são explicados com os detalhes que deveriam, e um dos maiores conflitos, entre os defensores das cidades móveis e os anti-tracionistas (aqueles que não querem transformar suas cidades em máquinas), é mal desenvolvido. Tudo fica a cargo de diálogos muito expositivos e alguns flashbacks.

Máquinas Mortais apresenta muitos problemas de desenvolvimento e de personagens, mas pode agradar aqueles que buscam um filme de aventura descontraído baseado em uma ideia nova e diferente.

O longa estreia no dia 10 de janeiro, confira o trailer aqui:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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