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Meninas Malvadas 2: o legado negativo de um clássico
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03 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Às quartas-feiras, elas não usam rosa. E esse não chega nem perto de ser o pior dos problemas do filme: Meninas Malvadas 2 (Mean Girls 2, 2011) entrou para a lista das sequências que não conseguem satisfazer o espectador por não chegar aos pés do original. O filme é divertido, mas não consegue atingir o nível de expectativa criada por aqueles que ficaram marcados por Regina George e suas fiéis súditas.

O longa conta a história de Jo Mitchell (Meaghan Martin), uma menina que dá início a seu ano escolar na North Shore, a mesma escola que os personagens do primeiro filme frequentavam. Lá, três meninas formam um grupo de patricinhas responsável por ridicularizar o resto dos alunos: Mandi Weatherly (Maiara Walsh), Chastity Meyer (Claire Holt) e Hope Plotkin (Nicole Anderson), também conhecidas como “as plásticas”. Assim, Jo precisa lidar com a realidade de uma escola totalmente nova, onde a humilhação é rotina.

Meninas Malvadas 2

Mandi, Chastity e Hope: as novas “plásticas” [Imagem: Paramount]

Ao seu lado, Jo tem Abby Hanover (Jennifer Stone), uma estudante de North Shore que é a principal rival de Mandi. As duas se aproximam porque o pai de Abby oferece dinheiro para Jo manter laços com sua filha, já que a protagonista precisa de dinheiro para pagar a faculdade. É construída, então, uma amizade a partir de mentiras, das quais a protagonista se arrepende ao longo da narrativa.No filme original, Cady (Lindsay Lohan), a personagem principal, cria laços com Janis (Lizzy Caplan) e Damian (Daniel Franzese) de modo quase instantâneo, porém essa amizade se enfraquece com a imersão de Cady no grupo das plásticas, composto por Regina (Rachel McAdams), Karen (Amanda Seyfried) e Gretchen (Lacey Chabert). Sendo assim, a temática da fragilidade e da importância da amizade é representada em ambos, havendo pequenas distinções na abordagem.

Talvez uma das principais diferenças esteja na construção do par romântico em Meninas Malvadas 2. No primeiro filme, Cady desenvolve uma paixonite por Aaron Samuels (Jonathan Bennett), ex-namorado de Regina George, que compartilha com ela as mesmas aulas de matemática. No longa mais recente, o meio-irmão de Mandi Weatherly, Tyler Adams (Diego Boneta), é o menino por quem Jo se apaixona. Até aí, muito semelhante — ambos desenvolvem pares românticos de Ensino Médio. O que difere os dois filmes, no entanto, é o modo com o qual os relacionamentos são construídos. Enquanto Cady e Aaron se aproximam aos poucos, o pontapé inicial de Jo e Tyler é muito forçado, já que o casal sai junto uma vez e já cria muita intimidade. Todavia, é necessário reconhecer que existe muita química entre o par romântico de Meninas Malvadas 2, o que acaba sendo um ponto positivo para o filme.

Outra distinção se encontra no relacionamento das protagonistas com as plásticas. No primeiro filme, Cady se aproxima muito do trio, usando a falsa amizade como desculpa para acabar com o reinado de Regina, Karen e Gretchen. No entanto, a continuação caminha para o lado oposto: em momento algum, Jo se torna amiga das plásticas. Durante todo o tempo do longa, a rivalidade entre Jo, Mandi, Chastity e Hope fica muito evidente, gerando até um grupo “anti-plásticas”, formado por meninas que sofreram com as humilhações do trio.

Meninas Malvadas 2

[Imagem: Paramount]

Como definir as novas “plásticas”? Um desastre total. Se comparado ao original, o trio apresentado na sequência é tão fraco que chega a dar dó. Mandi Weatherly, com seu plano de ação infantil que inclui comprometer o emprego do pai de Jo, não se equipara a Regina George, cujas táticas, apesar de humilhantes, eram dignas de uma queen bee. Chastity e Hope também passam longe de substituir Karen Smith e Gretchen Wieners, já que são apenas coadjuvantes das ações de Mandi. É como se essa nova dupla fosse como robôs seguindo a ordem de um líder, enquanto Karen e Gretchen eram autênticas, cada uma com suas características próprias — mesmo que elas incluam saber a previsão do tempo por meio dos seios. Por isso, mesmo que Jo seja interessante e cheia de potencial, a ausência das “plásticas” originais faz com que a dinâmica entre os personagens seja exageradamente teatral.

Infelizmente, os spoilers são necessários para completar a comparação. O final de Meninas Malvadas 2 é, para se dizer o mínimo, forçado demais. Ambos, o original e a sequência, possuem cenas do baile de formatura e envolvem a temática da escolha de um rei e uma rainha no evento. No entanto, no segundo, Mandi aparece no palco perdendo o controle após não ser escolhida, ação que nunca poderia ser tomada por Regina George, que, mesmo estando com a coluna fraturada, não perde a compostura em momento algum durante o final do longa.

A crítica ao filme mais recente deriva apenas de grandes falhas no roteiro e não tem influência de aspectos técnicos. Isso porque ele e o anterior são muito semelhantes quanto ao posicionamento de câmeras, set de filmagem e figurino, por exemplo. Ambos abordam uma temática colegial muito presente na história do cinema e, por isso, poderiam ser facilmente negligenciados, não fosse pela capacidade de Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004) de transformar diálogos superficiais em citações icônicas. É como se o primeiro filme dissesse para o segundo: “você não pode sentar com a gente!”.

Nada de burn book ou jingle bell rock. Meninas Malvadas 2 poderia ser considerado bom se não fosse uma sequência que carrega o nome do filme mais marcante em que Lindsay Lohan já atuou. Filmar uma continuação de Meninas Malvadas teria sido muito melhor do que formular uma história totalmente nova, sobre a qual foi depositada muita expectativa devido ao sucesso da primeira. Enquanto o original marcou uma geração, a continuação surge apenas como mais um passatempo que entretém, porém é esquecido algumas horas após os créditos rolarem.

por Gabriela Bonin
gabibonin@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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