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Metrô: sufoco debaixo da terra
JPRESS
14 ago 2012 | Por Jornalismo Júnior

Os problemas e os desafios do transporte metroviário da megalópole que não para

Por Fernando Pivetti (fernandopivetti@gmail.com)

O Metrô da cidade de São Paulo está pedindo socorro. As falhas cada vez mais frequentes, somadas ao desconforto dos usuários, causado pela superlotação e o atraso nas obras de ampliação da rede, contribuem para a sensação de que o principal meio de transporte da maior cidade da América Latina sofre de um grave processo de defasagem, afetando de modo negativo os mais de 1 bilhão de passageiros transportados anualmente.

Superlotação e atrasos marcam o dia-a-dia do paulistano. Na imagem, a estação Sé, um dos principais pontos de ligação de toda a malha. (Foto: Fernando Pivetti)

Horário de pico. Vagões lotados de pessoas acotovelando-se e, quando menos se espera, o trem para. O paulistano parece já ter se acostumado a conviver com essa cena no seu cotidiano. As falhas e panes no sistema de Metrô da cidade de São Paulo estão cada vez mais frequentes e, além de tornar mais longo o já estressante trajeto do cidadão de casa para o trabalho e do trabalho para casa, elas contribuem para o aumento do cansaço das pessoas que dormem cada vez menos para não correr o risco de chegarem atrasadas.

Nos últimos anos, o Metrô presenciou um forte aumento no número oficial de falhas em sua rede. Em 2010, foram registradas 32 falhas em todo o sistema. Já no ano seguinte, esse número saltou para 59. E no ano de 2012 parece que a situação tende a se manter. De janeiro até a segunda quinzena do mês de maio deste ano, foram registradas 21 falhas, número semelhante ao de 2011, em que se registraram 20 ocorrências, o que difere, e muito, das 8 falhas registradas em 2010.

Dentre os problemas registrados em 2012, ganham destaque um incêndio ocorrido no dia 27 de março, provocado por um curto-circuito no trilho que fornece energia aos vagões, o que ocasionou o cancelamento de 78 partidas de trens, e a colisão entre duas combinações da Linha 3 – Vermelha no dia 16 de maio, que deixou 30 pessoas feridas.

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) informou que o Metrô de São Paulo realiza mais de 4,7 mil viagens por dia e seus trens percorrem mais de 75 mil quilômetros, cumprindo mais de 98% das viagens programadas diariamente, índice, segundo eles, compatível com os melhores sistemas do mundo. A Secretaria informou ainda que o índice de falhas notáveis, de janeiro até o fim de maio de 2012, é um dos melhores entre os metrôs mais movimentados do mundo, apresentando menos de uma ocorrência (0,048) a cada 1.000 viagens realizadas, e que as falhas nos trens e equipamentos eletromecânicos são prontamente atendidas pelas equipes de manutenção.

Uma difícil rotina

A J. Press foi às ruas para entrevistar alguns usuários do sistema que convivem com essa realidade de superlotação, falhas e atrasos. Os entrevistados deram uma nota ao sistema numa escala de zero a dez e ressaltaram pontos positivos e negativos do transporte sobre trilhos.

A assistente pedagógica Vanessa, que avaliou o Metrô com uma nota 6, elogiou a facilidade que os trens proporcionam no deslocamento da população, mas atentou para a carência de linhas e para a superlotação, sobretudo nos horários de pico.

Já a estudante Mayra, deu nota 7 para o sistema. Usuária diária da Linha 3 – Vermelha, ela aponta como maior problema a excessiva quantidade de paradas e a falta de estabilidade. Quando perguntada se alguma nova linha ou estação de metrô ainda não construída ajudaria no seu deslocamento, ela respondeu afirmativamente dizendo que se beneficiaria com a entrega da estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 4 – Amarela no caminho para a faculdade.

As duas entrevistadas relataram que foram afetadas pela última greve dos funcionários do Metrô, que ocorreu em maio deste ano, e lamentaram pela carência de linhas com a qual a cidade sofre.

Novas linhas e estações

Apontada como uma das principais saídas para aliviar o fluxo intenso das já existentes estações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a entrega de novas linhas e estações em diversos pontos da Região Metropolitana sofre com atrasos constantes na conclusão das obras. Mesmo com a construção de quatro linhas simultaneamente, todas custeadas somente pelo Governo do Estado, como nos informou a STM, os prazos para a entrega das novas estações vem sendo, ano após ano, postergados.

(Imagem: J. Press)

Algumas linhas sofrem atrasos de até três anos com relação à previsão de entrega inicial. É o caso do Monotrilho da Linha 2 – Verde, que, em um primeiro momento, fará a ligação entre a Vila Prudente e o Oratório e futuramente se estenderá até a Cidade Tiradentes. A previsão inicial de entrega da primeira fase da obra (Vila Prudente – Oratório) era para 2011, mas deve ser entregue apenas em 2013. Já o prolongamento da Linha 5 – Lilás, que promete a ligação com as estações Santa Cruz, da Linha 1 – Azul, e Chácara Klabin, da Linha 2 – Verde, teve sua conclusão alterada de 2012 para 2015.

Outra linha que sofre com os atrasos é a, ainda em projeto, Linha 6 – Laranja, a chamada “Linha das Universidades”, que ligará a Brasilândia, na Zona Norte, à estação São Joaquim. O início das obras, antes previsto para acontecer em 2010, agora somente deve ocorrer em 2013. Já a operação total da linha, antes prometida para 2015, deve acontecer entre 2017 e 2020.

Dentre as linhas e estações da rede que completam o quadro de problemas com prazos nas construções estão a conclusão da Linha 4 – Amarela, com a entrega das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, Fradique Coutinho, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, a Linha 13 – Jade, o chamado Trem de Guarulhos que sairá da estação Brás seguindo até as futuras estações Cecap e Aeroporto, ambas na Zona Leste da cidade de Guarulhos, e a Linha 17 – Ouro, que passará pelo Aeroporto de Congonhas.

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