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Meu Amigo, o Dragão: Um moderno e bonito melodrama
CINÉFILOS
19 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

Meu Amigo, o Dragão (Pete’s Dragon, 1977), o original, é um daqueles clássicos que só a Disney sabe fazer. Com vilões pastelões e belíssimas canções – destaque para a indicada ao Oscar Candle On the Water, para o tocante dueto It’s Not Easy e para a divertida Brazzle Dazzle Day, que valem a pesquisa – ele marcou toda uma geração de crianças que se encantaram com o musical alegre e inocente, contando a história do garotinho Pete (Sean Marshall) e de seu amigo – por acaso, um dragão – Elliot. Quando a Disney anunciou que faria um remake do longa, como tem feito com vários de seus clássicos, logo surgiu a dúvida de como ela adaptaria aquele filme tipicamente dos anos 70/80 para essa nova geração, e a resposta foi simples: mudando tudo.

A versão atual de Meu Amigo, o Dragão (Pete’s Dragon, 2016) só mantém os nomes dos dois protagonista intactos, de resto, é outra história. Logo no início do filme, Pete (Oakes Fegley) perde os pais em um trágico acidente de carro e vai parar numa floresta, onde encontra um gigante, verde e peludo dragão. Os dois viram amigos e Pete vive harmoniosamente na floresta com esse dragão, agora chamado Elliot, durante 6 anos – uma espécie de Tarzan, ou Mogli, já que é um garoto – até ser encontrado por Grace (Bryce Dallas Howard), uma guarda florestal cética sobre a existência de dragões, mesmo sendo seu pai Meachan (Robert Redford) o principal divulgador de histórias sobre as criaturas.

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O filme, cheio de closes – ressalto para os excessivos em Redford quando começa a contar suas “aventuras” com um dragão -, não é alegre como seu antecessor, apela mais para o melodrama. Cenas iniciais, em que Pete brinca com Elliot em longas tomadas de voo e correria, podem entediar alguns e emocionar outros. A vila de pescadores do original foi trocada por uma cidadezinha de madeireiros localizada perto de uma grande floresta, e toda a questão ecológica de se preservar a natureza e combater o corte ilegal de árvores é abordada como plano de fundo da história. A fotografia enche os olhos com as paisagens de Wellington, Nova Zelândia, que dão um toque de imensidão e magia para os voos de Elliot e Pete. O folk rege a trilha sonora do longa, o que casa perfeitamente com o cenário e rende belíssimas cenas como quando Pete foge do hospital ao som de Nobody Knows, original da banda americana The Lumineers para o filme, uma tomada em que o garoto corre desesperado, sobe em vãs e analisa, com uma mistura de curiosidade e medo, toda aquela “civilização” que lhe é estranha.

Outro destaque do filme é o dragão Elliot. Em 1977, no original, ele foi feito numa animação tradicional, em 2D, e mesmo parecendo estranho a nosso tecnológicos olhos, o departamento de animação da Disney da época fez todo o possível para produzir a melhor versão do amável e companheiro Elliot. Na refilmagem, a famosa Weta Digital – empresa de efeitos visuais fundada pelo cineasta Peter Jackson, responsável pelos efeitos das trilogias Senhor dos Anéis e Hobbit – fez de Elliot um dragão menos colorido – nada de pelos e asas cor de rosa – e mais “realista”, mas não menos fofo e carismático. As emoções dele na relação com Pete são de tocar até os não tão sensíveis.

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Pete e Elliot, 1977

 

Pete e Elliot, 2016

Pete e Elliot, 2016

Com um bonito enredo sobre amizade e pertencimento, Meu Amigo, o Dragão vale o ingresso. Nessa nova leva de melodramas infantis da Disney (que também engloba a Pixar, Up – Altas Aventuras prova isso), uma história sobre a irmandade entre um órfão e um dragão, em live-action, chega resgatando a magia do estúdio que tanto conquistou crianças de diversas gerações. Se vai ser memorável como o seu original, isso só o tempo dirá.

O filme estreia no dia 29 de setembro. Confira o trailer:

por Ingrid Luisa
ingridluisaas@gmail.com

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