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Netflix: ‘MILF’ – O que não esperar da comédia romântica francesa
CINÉFILOS
29 jul 2020 | Por Maria Clara Abaurre (mariaclara.abaurre@usp.br)

Embora classificado como original Netflix, a comédia romântica francesa MILF foi lançada em seu país de origem em 2018. Dirigido por Axelle Laffont, que também é uma das protagonistas, o filme – não recomendado para menores de 18 anos – não foi bem recebido pela crítica.

MILF  é um acrônimo em inglês de “Mom I’d Like to Fuck” (numa tradução livre: mãe que eu gostaria de foder). O filme mostra três amigas de infância na casa dos 40 que, hospedadas numa bela casa à beira-mar, vivem aventuras e paixões com garotos bem mais novos. Em meio aos dias de verão no sul da França, festas e bebedeira, a trama busca abordar alguns questionamentos sobre estereótipos.


As diferentes idades não são um empecilho para curtir as férias no litoral francês. [Imagem: Reprodução/IMDB]

Se tratando de uma comédia romântica, MILF não foge do padrão do gênero. Cada personagem tem características bem definidas, que são construídas nos primeiros minutos do longa e não são muito aprofundadas ao longo da trama. Cécile (Virginie Ledoyen) ficou viúva há poucos anos e volta ao litoral francês para arrumar sua casa de veraneio que está à venda, Elise (Axelle Lafont) e Sonia (Marie-Josée Croze) acompanham a amiga e tentam elevar os ânimos na casa.

Enquanto a primeira parece fechada para o amor e cética, Elise, divorciada, é animada e não tem medo de embarcar em uma nova aventura. Já Sonia tem um relacionamento complicado e, apesar de não deixar de curtir as férias, sofre pelo “Sr. Idiota”.

As três amigas conhecem, então, um trio de instrutores de vela que, no auge dos seus 20 e poucos anos, estão frequentemente flertando e sem camisa. Enquanto Paul (Waël Sersoub) faz um estilo “Don Juan” e deseja apenas curtição, Julien (Matthias Dandois) está completamente apaixonado e Markus (Victor Meutelet) não sabe como flertar com a mulher para quem já havia trabalhado de babá.

A fotografia acompanha de perto as aventuras das três amigas e a câmera se demora nos corpos estendidos ao sol, valorizando tanto corpos jovens quanto maduros. MILF conta com uma paleta cromática diversa, que não deixa o filme se tornar cansativo em termos visuais; que pode ser percebida no contraste que existe entre cenas na casa noturna e a chegada das amigas em casa. A trilha sonora, apesar de comum, não desagrada e segue o esperado para o gênero.

Uma das cenas mais engraçadas ocorre na praia e as três amigas provocam boas risadas. [Imagem: Reprodução/IMDB]

Contudo, uma das questões que mais incomoda ao longo do filme é o comportamento de Cécile, que muda rapidamente, sem que haja um aprofundamento nas causas ou consequências dessa volatilidade. Em uma cena na praia, ela chega a expressar uma visão conservadora e preconceituosa acerca do relacionamento entre duas pessoas em diferentes faixas etárias, mas o assunto não chega a ser aprofundado e ela rapidamente volta atrás, sem mais explicações.

Há ainda a questão de Louise (Jéromine Chasseriaud), uma garota presa ao papel de jovem apaixonada com frequentes crises de ciúmes que fará de tudo para ter seu homem “de volta”. A suposta vilã vai no sentido contrário da valorização da mulher e de sua liberdade.

Ao relatar relações em que o casal tem uma grande diferença de idade, o filme parece ter a intenção de um caráter questionador, mas não entrega isso ao espectador. As mulheres chegam a ter alguns momentos de “luta” contra o preconceito, com falas de que a idade não necessariamente indica maturidade, e até brincam com frases como “você assiste muita pornografia, né?”, mas não é o bastante. O roteiro não se aprofunda em aspectos psicológicos e a comédia não é suficiente para fazer com que o público questione estereótipos.

Falando em estereótipos… É importante ressaltar que todos os personagens do longa são absolutamente estereotipados – heterossexuais, brancos, atléticos e de aparência agradável. Cabe questionar, em especial: será que a maioria das mulheres passa dos 40 anos com um corpo como o das protagonistas?

MILF fica no meio do caminho entre mergulhar na lógica das comédias românticas de férias e assumir uma postura menos inocente – tanto no sentido de quebrar tabus sociais, quanto sexuais. O longa aposta em cenas de sexo um pouco mais explícitas, mas não as explora de uma maneira interessante e elas acabam ficando perdidas em meio a outros acontecimentos. Para todos os efeitos, o filme é mais um clichê bem feito e bonitinho, num mar de tantos outros.

A obra está disponível para assinantes da Netflix. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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