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‘Moana’ guarda o mar em si
CINÉFILOS
28 dez 2016 | Por Jornalismo Júnior

Personagens infalíveis são tediosas. Bons são aqueles que tropeçam, caem e, de vez em quando, se levantam. É nestas personagens que Moana: Um Mar de Aventuras (Moana, 2016) guarda sua maior qualidade. O filme nos presenteia com protagonistas defeituosas, não-lineares e, por isso, humanos ‒ embora um deles seja um semi-deus. Dirigido por Ron Clements e John Musker, famosos por clássicos como A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989) e Aladdin (Aladdin, 1992), várias canções permeiam a animação da Disney. Algumas boas, outras inconvenientes.

A narrativa começa com uma profecia. Maui, um semi-deus, roubara o coração de Te Fiti, deusa da vida. As trevas começaram a se espalhar, implacáveis, e só serão interrompidas quando o coração retornar à dona. Moana cresceu sonhando com a lenda. E, nesta terra onde não há mitos, tudo é realidade, o mar é ponte ou abismo. Cabe ao viajante escolher. Desde pequena, quando ouvia histórias épicas de sua avó, a protagonista já sabia que caminho tomar. Indo de encontro às tradições de sua tribo, precisava atender ao chamado do oceano.

A trajetória até esta decisão, porém, não é fácil. Filha do chefe da aldeia polinésia de Motonui, a menina foi criada para um dia assumir a liderança. Sua avó é a única que entende o dilema e é determinante para que Moana aceite seu destino e transponha os corais. Corais que não são apenas físicos, mas simbólicos: Os costumes e tradições que a prendem.

A protagonista encontra em Maui seu grande desafio. Ele encerra em si a pretensão de divindade e a inércia do machismo. A relação dos dois, porém, prova a capacidade de Moana, pois ela não precisa de que a salvem. Maui, aos poucos, entende isso e desconstrói seus preconceitos. O arco dramático dos dois  é irregular. A coragem deles é posta à prova em vários momentos, assim como suas motivações. Essas reviravoltas deixam em suspenso quem será o herói até ato final.

A não-linearidade das personagens também é retratada pelos movimentos físicos. Tanto Moana quanto Maui não fazem gestos perfeitos. Eles tropeçam não só na trama, mas também na areia. Isso os enriquece, acrescentando à verossimilhança. A fotografia e a direção de animação também são pontos positivos. O universo do longa é muito bem detalhado e bonito. A paleta de cores dá o tom das cenas e é perceptível o esmero na feitura de cada folha de palmeira.

O filme peca ao adotar um ritmo muito veloz na montagem. É destinado ao público infanto-juvenil, porém esta rapidez sacrifica uma parcela importante de sensibilidade. Outro aspecto negativo é rejeição ao silêncio. Poucos segundos sem som para deixar o público respirar. Neste sentido, o grande defeito do longa é a entrada de música no clímax. Toda a elevação de sentimentos se perde, para uma canção regular.

Em tempos de recrudescimento dos discursos feministas, Moana é um filme muito importante, principalmente para o público jovem. Quanto mais cedo as pessoas aprenderem sobre respeito e tolerância, mais cedo teremos uma sociedade mais justa, em que as pessoas se veem, sobretudo, como humanos, todos dignos dos mesmo respeito. Porque, é fato, não há princesas para serem salvas tampouco príncipes encantados.

Moana: Um Mar de Aventuras chega aos cinemas brasileiro em 5 de Janeiro. Confira o trailer:

por Daniel Miyazato

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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