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Moonrise Kingdom transforma cinema em literatura
CINÉFILOS
11 out 2012 | Por Jornalismo Júnior

Moonrise Kingdom (Idem, 2012) é o mais novo longa de Wes Anderson, que depois de O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox,2009), volta a dirigir um filme infantil. Nessa história duas crianças, Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward), se apaixonam e decidem fugir juntos durante o verão de 1965. Ambos tinham dificuldade de se adaptar à sociedade: Sam era orfão, sem amigos, e estava passando o verão em um acampamento de escoteiros na ilha fictícia New Panzance. Já Suzy morava com a família no outro lado da ilha, porém não se entendia nem com os pais, nem com os colegas.

Decididos a abandonar suas realidades problemáticas os dois fogem de casa. Sam os orienta, graças as habilidades de escoteiro, fazendo uma trilha meticulosa por dentro das matas da ilha. Porém os pais de Suzy (Bill Murray e Frances McDormand), o policial da ilha (Bruce Willis) e o chefe do acampamento (Edward Norton) vão atrás dos dois.

Logo nos primeiros minutos chama atenção um dos pontos altos do filme: a fotografia. Robert D. Yeoman, o fotógrafo, já havia trabalhado com Anderson em A Viagem para Darjeeling (The Darjeeling Limited, 2007) e cria uma estética semelhante. O interessante é que Moonrise Kingdom se assemelha a ilustrações de um livro infantil, o que realça o tom literário do longa. A presença da literatura é inclusive uma peça importante para o enredo, pois Suzy está sempre carregando seus livros favoritos, identificando-se mais com as personagens do que com sua própria vida em família.

Outro destaque, é a originalidade do roteiro. Escrito pelo prórpio Anderson em parceria com Roman Coppola, eles trabalham um tema comum, aventuras de crianças, porém o enredo é desenvolvido de modo diferente. Sam e Suzy são protagonistas incomuns, estranhos, “violentos”. Eles se apaixonam através de cartas trocadas após se conhecerem em uma peça de teatro, o que também não é usual entre crianças. Além disso, o filme também explora a vida dos adultos colocando em foco temas como traição, amor não correspondido e frustações profissionais.

Nesse sentido, apesar de Anderson utilizar técnicas mais tradicionais, sem 3D, animações ou efeitos especiais ele ainda consegue ser inovador. Inclusive de um modo mais interessante do que alguns recentes filmes infantis que a apenas desenvolvem a parte técnica. Percebe-se uma procura em criar algo mais maduro, misturando a fantasia com a realidade.

Enfim Moonrise Kingdom não é apenas um filme sobre “crianças malandras” é uma representações descobrimentos da infância. É um filme fofo, esperto, maduro que pode ser assistido tranquilamente “por toda a família”, sem incomodar os pais que levam seus filhos ao cinema.

Por Sophia Kraenkel
sokraenkel@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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