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Mostra Internacional de SP: Transes
CINÉFILOS
05 nov 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Giovanna Wolf Tadini
giwolftadini@gmail.com

Este filme faz parte da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para conferir a programação completa clique aqui

transesTranses (Transes, 1981) é um documentário que mostra o som e a poesia da banda Nass El Ghiwane, do Marrocos. Com direção, roteiro e fotografia de Ahmed El Maanouni, é apresentado um grupo musical com um estilo próprio que ficou conhecido como “os Rolling Stones do norte da África”. Como a banda é pouco lembrada hoje no mundo ocidental, o filme tem a função de nos colocar em contato com uma cultura distinta e uma especificidade musical.

A banda Nass El Guiwane chega a ser definida no documentário como um grupo de trovadores: fogem do coro clássico que até então dominava a música de Marrocos, criam poesia popular e mesclam ritmo com teatro. Desse jeito, e equipados com instrumentos pouco convencionais, cantam e problematizam a realidade marroquina, com letras sobre esperança, angústia, igualdade e paz. Indagam: “preto e branco, não somos todos iguais?” e “será a fome a danação do nosso mundo?”

O filme tem um roteiro fragmentado e uma sequência de cenas pouco envolvente, misturando conversas entre os músicos, shows da Nass El Ghiwane, danças da população marroquina e imagens do país. Entretanto, consegue expressar o diálogo entre o som da banda e a vida do povo, mostrando frequentemente cenas dos músicos tocando na rua com várias pessoas em volta dançando descalças, suadas, identificando-se com o que estava sendo cantado. Em alguns momentos as danças mostravam-se como um reflexo involuntário do som e em outros, mais agonizantes, pareciam ser uma forma de catarse, de liberar a angústia despertada pela voz dos trovadores que falavam sobre aquela realidade hostil.

transes 2Em conversas, algumas delas confusas, os membros do grupo contam histórias que inspiraram as canções, debatem sobre aspectos de seus trabalhos e expressam seu amor pela música e pelo teatro. Nenhum vive da música, fazem porque gostam. Um deles chega a dizer que o som está em seu sangue e outro declara que se um dia, por algum motivo, fosse impedido de cantar, protestaria muito.

Movidos por essa paixão, em uma de suas músicas eles expõem um problema que percebem na sociedade e a partir disso acabam justificando e valorizando a existência da banda: “nós zombamos do que nos une: linguagem e ritmo.” Desta forma, o filme mostra que, falando, cantando e tocando, Nass el Ghiwane conquistou e uniu o  povo marroquino.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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