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Mostra Internacional de SP: Tudo é Possível em Umrika
CINÉFILOS
05 nov 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros

Este filme faz parte da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para conferir a programação completa clique aqui

O American Way of Life nunca foi tão incisivo quanto no período da Guerra Fria. Em um mundo bipolarizado, os Estados Unidos difundiam ao máximo o modo de vida capitalista, para fazer frente ao socialismo soviético. A doutrina penetrou até uma das mais isoladas tribos da Índia, onde o pequeno Ramakant “Rama” vive com seus pais após a partida do irmão, Udai (Prateik Babbar), para a América (Umrika). Suas cartas trouxeram vida ao vilarejo, na segunda produção de Prashant Nair, Umrika (Umrika, 2015).

Quando jovem, a mãe de Udai e Rama viu seu tio enriquecer na Umrika, e a partir de então, passou a cultuar o país como a terra de oportunidades, uma terra de milagres. Sob um misto de orgulho e tristeza, ela vê seu primogênito deixar a tradição e cultura indiana e tentar a vida nos Estados Unidos, sob a única condição de escrever sempre para a família. Apesar da demora inicial das cartas, elas passam a chegar em ritmo constante, e alimentar o imaginário do vilarejo entre as montanhas onde vive a família. Rama cresce sob as promessas e influências de Umrika, que inclsuive, o incentiva a aprender a falar, ler e escrever.

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Anos depois, quando Rama (Suraj Sharma) tem quase a mesma idade de seu irmão, quando este partiu, seu pai falece. Logo em seguida, as cartas de Udai param de chegar. Rama suspeita do ocorrido, e descobre que as cartas eram, na verdade, enviados por seu pai em cumplicidade com seu tio e carteiro, e que seu irmão desaparecera. Ele, sob a mentira de também ir para Umrika, inicia uma busca por seu irmão, com a ajuda de seu amigo de infância Lalu (Tony Revolori), a começar por Mumbai, da onde seu irmão deveria ter partido.

Umrika (Umrika, 2015) traz ao universo cinematográfico outra face da Índia, afastada dos luxuosos Brâmanes, sem explorar a miséria dos Dalits. O filme ilustra a as castas intermediárias, de transição, meros trabalhadores em contraste com a metrópole vizinha, Mumbai. O aconchego familiar e os calorosos moradores do vilarejo fazem com que a “cidade grande”, apesar de rica, nos pareça fria e arredia. Lá, ele trabalha como entregador de doces, e em um de seus trabalhos, entra em contato com Patel (Adil Hussain), quem organiza as viagens ilegais para Umrika, supostamente a última pessoa a ver seu irmão, Udai.

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O cenário político internacional é muito explorado pela voz do ator bollywoodiano Amitabh Bachchan, que eventualmente relaciona acontecimentos como as disputas entre os presidentes Ronald Reagan, dos Estados Unidos, e Mikhail Gorbachev da União Soviética com acontecimentos cotidianos do vilarejo, como a briga do casal pai de Rama e Udai. A Guerra Fria e seus episódios também são introduzidos ao longa via televisão ao rádio ao fundo das cenas.

A resolução do mistério pode não ser o que esperamos ver, mas ela abre uma nova gama de possibilidades a Rama, que nos emociona ainda mais. É mensurável a atuação de Sharma, já vista em As Aventuras de Pi (Life of Pi, 2012), que transcende a tela do cinema, e traz o conflito a quem está assistindo. O engraçado Revolori, de O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014) mostra seu lado dramático, sem contraposição ao personagem Zero Moustafa, sem abandonar “um quê” de comédia.

Umrika (Umrika, 2015), ganhou o Grande Prêmio do Público na categoria “Cinema Mundial – Drama” no Sundance Film Festival, em Utah, nos Estados Unidos, onde o brasileiro Quer Horas Ela Volta? (2015) também foi premiado. O longa é o escolhido da índia para concorrer a uma vaga no Oscar 2016.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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