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Mostra “Mulheres e Cinema” conta com curtas feitos apenas por mulheres
CINÉFILOS
03 ago 2016 | Por Jornalismo Júnior

Começou ontem a 1ª Mostra Mulheres e Cinema, realizada pelo projeto Resistir Com Arte, fruto de uma parceria entre o Memorial da América Latina, a Universidade de São Paulo, o Centro Interdisciplinar de Gênero da Unifesp (CIG) e o Projeto Atadas. Entre 3 e 5 de Agosto serão exibidos todas as noites no Auditório da Biblioteca filmes realizados por mulheres e que debatam algum tema relacionado ao gênero. O Cinéfilos conferiu com exclusividade alguns itens a programação de hoje, 3 de Agosto, e conta para vocês o que achou!

Atadas, de Tarsila Nakamura

por Pedro Graminha
graminhaph@gmail.com

Em seus minutos de duração, o curta documental Atadas, de Tarsila Nakamura, apresenta relatos de duas mulheres prisioneiras de uma estrutura social conservadora e machista. São relatos, infelizmente, comuns. Mulheres condenadas a sofrerem nas mãos de maridos violentos, mais condenadas ainda a aceitarem as humilhações e julgamentos impostos pela sociedade.

Atadas

O curta se inicia com a mensagem “a cada dois minutos, 5 mulheres são agredidas por seus maridos”. Em seguida, uma nova frase aparece na tela, revelando a identidades desses agressores: “seus companheiros”. Ouvimos uma voz e depois vemos um rosto, mas não há nomes aqui, exatamente pelo caráter universalista do curta: Não se trata de contar uma história de uma mulher em particular, mas através de duas vozes, de duas faces, retratar o sofrimento de todas as outras que passam por uma situação parecida, que não conseguiram quebrar os grilhões que as mantém presas, não podendo lavar seus rostos (e até mesmo suas almas), como feito em uma cena extremamente simbólica do curta.

Vergonha, medo, opressão. Sentimentos comuns a mulheres encarceradas dentro de seus lares, vigiadas pelos muitos olhos de uma sociedade doentia e arcaica. Mas que eles deixem de enxergar, pois aqui as mulheres tem vozes, e aqui elas falam, mesmo por aquelas que ainda são silenciadas…

Quem Matou Eloá?, de Lívia Perez

por Luís Henrique Franco
luligot17@gmail.com

Em 13 de outubro de 2008, Eloá Cristina Pereira Pimentel, uma adolescente de 15 anos que morava em Santo André, foi sequestrada pelo ex-namorado de 22 anos, Lindemberg Fernandes Alves, que manteve ela e a amiga Nayara Silva sob cárcere. Após 100 horas, no início do quinto dia de sequestro, a polícia invadiu o apartamento e prendeu o rapaz, que teve tempo de atirar nas duas meninas antes de ser detido. Eloá não sobreviveu.

O mais longo caso de cárcere privado registrado no Estado de São Paulo foi acompanhado por uma grande cobertura midiática, que realizou a descrição detalhada dos acontecimentos. Em 2015, Lívia Perez realiza a descrição detalhada e completa dessa cobertura em seu filme Quem matou Eloá?, filme que mostra os detalhes da operação policial, das negociações com Lindemberg na tentativa de salvar a garota, os pensamentos expostos pelo rapaz, a maneira como a própria mídia tentou entrar em contato com ele, até culminar no ato final: a invasão policial do apartamento e o trágico fim que desta resultou.

O curta apresenta-se na forma de documentário, mostrando cenas gravadas por diferentes emissoras e programas durante o ocorrido e critica a espetacularização do ocorrido, como se tudo não passasse de um filme de ação. Com comentários de especialistas e lideranças feministas, o filme analisa com precisão e seriedade a banalização dos crimes pela mídia brasileira e a maneira como é tratada a violência contra a mulher. Cada cena de programa, cada comentário feito na época é destrinchado e “traduzido” pelos comentaristas, revelando a maneira de pensar daqueles que estão em frente às câmeras dos jornais e, consequentemente, a nossa também.

Quanto à cobertura da mídia, Lívia Perez e seus convidados fazem um trabalho excepcional ao condenar a espetacularização do crime, e deixam claro que o dever do repórter e do jornalista é mostrar os acontecimentos ao público e que, quando tais veículos se intrometem no meio de uma operação policial, podem comprometê-la e até mesmo destruí-la. O curta critica também a maneira como o perfil das vítimas foi traçado: a militante Elisa Gargiulo, uma das comentaristas, crítica a maneira como a sobrevivente Nayara Silva parece “amordaçada” durante uma entrevista ao Fantástico, onde ela revelou o ocorrido dentro do apartamento e a relação entre Eloá e Lindemberg.

1ª Mostra Mulheres e Cinema
Data: de 02 a 05 de agosto, a partir das 19h.
Local: Auditório da Biblioteca do Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, próximo a estação Barra Funda do metrô)
Entrada franca
Mais informações no seguinte link.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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