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Muita luz para pouco palco
CINÉFILOS
09 fev 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Burlesque]

É ao som de um tango, de uma empolgante percussão e da risada de alguns expectadores mais debochados que somos apresentados ao clube “Burlesque Lounge”, em Los Angeles. “Welcome to Burlesque”, música interpretada pela sexagenária e incansável Cher, marca o encontro da ambiciosa Ali Rose, vivida pela estreante Christina Aguilera, com o mundo glamoroso e sedutor das boates burlescas.

Apesar de ser classificado como um musical, “Burlesque” (Burlesque) pode não agradar aos fãs de grandes espetáculos como Moulin Rouge, Nine e Chicago. A produção, dirigida por Steven Antin, está mais para uma mistura entre os filmes do gênero com o estilo das performances de Showbar.

Aliás, o que o filme destaca é a valorização do burlesco como um trabalho artístico. A arte burlesca, em sua definição clássica, consiste em apresentações teatrais e de dança que acabam por fazer uma paródia ou sátira aos costumes. A prática burlesca é descendente direto da Commedia dell’arte, uma forma de teatro popular improvisado, que surgiu na Itália, no século XV.

Todo esse conceito artístico, entretanto, parece servir apenas como um pretexto para Antin fundar o seu fraquíssimo “conto de fadas”. O roteiro, centralizado nos dramas das personagens de Cher e Aguilera, não podia ser mais previsível. O filme conta a história da jovem Ali, que parte de sua pequena cidade em Iowa em busca de novas oportunidades em LA, e de Tess (Cher), dona da famigerada boate, mas que corre o risco de perder o clube devido a dívidas com o banco.

Perdida entre as possibilidades da grande cidade, Ali logo se apaixona pelos movimentos audaciosos de Tess e suas dançarinas. A partir daí, acompanhamos o esforço de Ali para conquistar um espaço entre as performers, e de Tess para salvar a sua boate.

As atuações não ajudam a alavancar o filme. Cher já não mostra a mesma emoção e o vigor de “Feitiço da Lua” (Moonstruck), musical de 1988, pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz e o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical. Aguilera, como iniciante, não consegue se destacar na interpretação. Sua personagem, que foi escrita para ser perseverante, acaba passando uma ideia de arrogância.

As músicas até que são divertidas. Diferentemente de outros musicais, as gravações são bem mais pop, como “Show Me How You Burlesque” e “Express”. Porém, todas têm uma pitadinha de jazz, o que as remete muito a Back to Basics, álbum de Aguilera de 2006. A canção “You Haven’t Seen the Last of Me”, interpretada por Cher, chegou a ganhar o Globo de Ouro de melhor canção original, e, remixada, alcançou o topo das paradas nos Estados Unidos.

A direção também não é fantástica. Antin não procura ousar de nenhuma forma. Habituado a filmagens de videoclipes, ele não consegue escapar dessa dinâmica nas apresentações. O destaque nesse aspecto vai para a fotografia do filme, em que a predominância de um amarelo forte, quase laranja, nos deixa a impressão de que os atores estão sempre sob os holofotes.

Burlesque não é nem tão bom quanto afirmava a divulgação, nem tão ruim como desdenhavam os críticos. Na tentativa de seguir a linha dos grandes musicais, o filme se tornou apenas mais uma opção para aquelas noites em que tudo o que se quer fazer é passar o tempo. O brilho é superficial, mas nada que não distraia por alguns minutos.

Por Lucas Rodrigues

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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