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Muitos Homens Num Só: entre o crime e o amor
CINÉFILOS
24 jun 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Fernanda Giacomassi
fegiacomassi@gmail.com

Passos lentos e calculados percorrem os corredores de um hotel escuro e silencioso. A mesma sombra que ecoava entre os quartos agora os invade e friamente retira deles os bens mais preciosos deixados pelos hóspedes: colares, brincos, dinheiro. “Como vivo? De onde tiro meu sustento? De uma extraordinária presença de espírito”. Assim começa o longa brasileiro Muitos Homens Num Só (2015), dirigido por Mini Kerti e com estreia prevista para o dia 25 de junho.

O filme tem como base o livro Memórias de um Rato de Hotel (1912), de João do Rio (1881-1921). A obra relembra a história de Arthur Antunes Maciel, o Dr. Antônio, personagem célebre da crônica policial do Rio de Janeiro interpretado no longa por Vladimir Brichta.

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Ambientada no Rio de Janeiro do início do século XX, a trama conta a história do famoso vigarista que se ocupava fazendo diversos furtos em hotéis e motéis cariocas. O nome do longa relembra o fato de que o malandro inventava diversas personalidades para cada ação, mudando seu nome, ocupação e até mesmo suas características físicas e psicológicas .

A vida de Arthur muda quando, impelido pelo homem que o criou a roubar ações de um barão, conhece Eva (Alice Braga), personagem apaixonada pelo desenho e casada com um homem rico que a proíbe de trabalhar. Hospedados no mesmo hotel, Eva e Doutor Guedes – heterônimo do golpista – vivem uma paixão proibida.

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Ao decorrer do filme, os produtores optaram por uma superficial representação dos crimes do protagonista para adiantar o enredo principal da história, o que contribuiu para deixar o personagem menos interessante. Além disso, a história paralela aos crimes, que conta sobre a descoberta da impressão digital, fica muitas vezes desconexa,mas, mesmo assim,no final do filme os enredos se entrelaçam de forma determinante.

Por outro lado, a construção da emancipação da personagem feminina, Eva, foi excelentemente bem feita. Ela é representada como uma mulher à frente do seu tempo, mais independente, que tem sonhos relacionados à arte e ao desenho, uma vontade de ser livre e desbravar o mundo e não viver presa à casa e ao esposo. Mesmo que essa suposta emancipação seja iniciada por um encanto pela liberdade do criminoso Arthur, no final, a trama nos mostra que ela conseguiu alcançar seus desejos independentemente dos homens de sua vida.

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O filme Muitos Homens Num Só, primeiro filme de gênero ficcional da diretora carioca Mini Kerti, foi o grande ganhador da edição deste ano do Cine PE – Festival do Audiovisual, em Olinda, levando o prêmio do júri popular e nove troféus do júri oficial: filme, direção, ator para Vladimir Brichta, atriz para Alice Braga, ator coadjuvante para Pedro Brício, roteiro, direção de arte, trilha sonora e edição de som.

Confira o trailer oficial:

 

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