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Mulheres também podem: Ciência para a redução de desigualdades
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19 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Maria Eduarda Nogueira (mariaeduardanogueira@usp.br)

Créditos: Agência de Comunicações ECA Jr

A desigualdade de gênero é um tema em voga há anos na discussão pública. A reivindicação das mulheres por mais espaço no mercado de trabalho é uma demanda recorrente, e com bastante fundamentação. Na ciência, não poderia ser diferente. As mulheres ainda sofrem preconceitos e têm suas pesquisas desmerecidas simplesmente por serem… mulheres.

 

No dia 17 de outubro, a Agência de Comunicações ECA Júnior promoveu um evento na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin justamente para discutir esse tema tão importante, principalmente considerando o contexto universitário. Afinal, uma das funções da universidade é promover uma sociedade mais justa.

 

O cotidiano da mulher na universidade, independente de estar envolvida com ciência ou não, já suscita muitos debates. Os assédios, a má iluminação de algumas partes dos campi, e a desigualdade presente nos cargos mais altos da academia foram alguns dos assuntos discutidos pela assessora da USP Mulheres, Prislaine Santos. O projeto, criado em parceria com a ONU, está presente da universidade desde 2016. Algo recente, para um problema existente há séculos.

 

Com o objetivo de promover a igualdade de gênero e prevenir e enfrentar a violência contra o sexo feminino, o USP Mulheres é um projeto que já ocasionou mudanças no ambiente do campus Butantã. Um exemplo recente foi a campanha “Elas também podem”, que tinha como objetivo o empoderamento das mulheres. Elas também podem ser cientistas.

 

A existência de um “teto de vidro” ‒ termo comum no mundo corporativo ‒ também foi abordada. Em suma, o teto de vidro representa uma barreira, que impede que as mulheres cresçam tanto quanto os homens, profissionalmente. Isso explica a desigualdade entre homens e mulheres no posto de professor titular, cargo mais alto que pode ser alcançado para um acadêmico. A discrepância é ainda maior no campo das exatas, reproduzindo aquele estereótipo de que mulheres não são boas o suficiente para serem engenheiras, matemáticas, físicas… mas, elas também podem.

 

O evento também contou com a presença de Camila Signari, do Instituto Oceanográfico da USP, responsável pelo “Mulheres com ciência” ‒ projeto educativo para meninas do Ensino Fundamental que busca disseminar o conhecimento científico através do contato com a universidade e seus docentes. O programa é ainda pequeno, principalmente quando se analisa a demanda: cerca de 2 mil meninas se inscreveram, mas o “Mulheres com ciência” possuía apenas 50 vagas para esse ano.

 

Projetos como esse são importantes pois incentivam o público jovem a seguir novos caminhos. Afinal, é este mesmo público o responsável por promover mudanças em todas as áreas. É importante considerar o poder transformador da educação, essencial para redução das desigualdades.

 

Outro projeto de divulgação científica é o blog “Bate papo com Netuno”, administrado pela também oceanógrafa Jana del Favero. Ao oferecer conteúdos relacionados à ciência de forma mais acessível, o portal da internet é responsável por maior democratização da educação. Muitas vezes, temas científicos acabam causando certo distanciamento, principalmente por parte das garotas, que são historicamente desmotivadas a seguir carreiras na área.

 

A maternidade é um fator que, injustamente, prejudica as mulheres em suas carreiras. Segundo pesquisas expostas por Jana, mulheres com filhos costumam reduzir sua carga horária de trabalho, o que afeta nos índices de produtividade. Filhos provocam um maior impacto na vida das mulheres do que na dos homens, que, paradoxalmente, costumam aumentar o número de horas trabalhadas quando se tornam pais.

 

O primeiro passo para resolução do problema das desigualdades é reconhecê-lo. Na universidade, cursos sobre questões de gênero são essenciais, para conscientizar os alunos desde o primeiro momento e, ao mesmo tempo, empoderar as mulheres para que possam considerar a carreira científica.

 

Outro fator de incentivo é o apoio financeiro. Pesquisas científicas requerem dinheiro para que possam ter êxito e, como já se sabe, a vida de pesquisadores passa por diversas dificuldades. Com o recente cortes de bolsas, o incentivo financeiro à pesquisa feita por mulheres torna-se ainda mais necessário, visto que, historicamente, elas são preteridas.

 

A contribuição das mulheres para a ciência não pode ser desprezada. Mônica Ferreira, pesquisadora do Instituto Butantan, contou sua história com pesquisas no evento. De forma descontraída e extrovertida, a bióloga relatou todo o seu percurso acadêmico até chegar no ponto que está hoje em sua carreira. “O estudo é o que nos move e abre portas”, ela disse, frente a um auditório cheio de crianças e jovens de escolas públicas de São Paulo.

 

Através do seu mais recente trabalho, com o zebrafish, Mônica busca compartilhar tanto o conhecimento como a estrutura. A plataforma zebrafish, instalada no Instituto, possui placas em português, inglês e até em braile, revelando a preocupação com a acessibilidade da ciência. A pesquisadora também contou que realiza diversas exposições itinerantes, principalmente em escolas. Novamente, pode-se afirmar: a educação é o caminho e este caminho deve poder ser acessado por todos.
Entender a importância das mulheres para a ciência é essencial para que a pesquisa científica, brasileira e mundial, possa avançar. A desigualdade de gênero é um fator que apenas contribui para o atraso. Elas também podem. Ser cientistas. Ser pesquisadoras. Ser profissionais. Ser mulheres ocupando espaços.

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