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CINÉFILOS
07 ago 2012 | Por Jornalismo Júnior

Embora o cinema e a televisão  sejam vistos por muitos como uma coisa só, há  diferenças nítidas entre eles. Um programa de televisão, por exemplo, abrange mais pessoas do que um filme que está sendo exibido em salas de cinema.

A televisão fala ao grande público e, devido a isso torna-se necessária uma narrativa mais direta, sem personagens circulares ou conflitos psicológicos profundos. A ambiguidade também é excluída e é dada preferência a linearidade, receita certeira para que todos possam entender o que almeja o escritor sem que haja divergência de opiniões.

As diferenças existentes vão desde a duração até o número de cenas. De acordo Paulo Morelli – cineasta e sócio da produtora O2 FILMS – há divergências nas linguagens cinematográficas e televisivas. Enquanto no cinema os tempos podem ser mais dilatados e os enquadramentos mais abertos, na televisão tudo tem que ser feito muito mais rápido.

Para gravar um longa de 100/120 minutos são utilizadas em médias oito semanas de filmagens; ou seja, multiplica-se por oito o tempo gasto em filmagens se considerarmos que uma episódio de minissérie tem metade do tempo de um longa e é filmado em uma semana.

Paulo Morelli, cineasta brasileiro que também trabalha com televisão

Fora esses percalços também há limitações que são impostas pelas condições de produção. Numa série de televisão normalmente o elenco fixo tem que estar presente segundo determinadas condições e, há limites para o número de personagens secundários em cada episódio, existem cenários fixos que têm que aparecer recorrentemente. Essa preocupação não é necessária no cinema.

Mas a principal diferença é no momento da concepção da série ou do filme. Um filme é um objeto único, fechado em si mesmo. Em alguns casos pode dar origem a sequências e outras derivações, mas começa sempre por ser pensado como uma obra independente. Ou vale por si só, ou não vale nada.

Já numa série o critério é exatamente o oposto; o que tem que ser avaliado é a propensão da série a dar origem a um número elevado de estórias; ou seja, avaliar se a premissa da série se esgota em meia dúzia de execuções ou se é readaptável. É por isso que, antes de escrever o piloto de uma série, é normal desenvolver um documento extenso, a “Bíblia”, onde estão reunidas as descrições de personagens, cenários, antecedentes, enquadramento geral, estilo, e possibilidades dramáticas e narrativas.

Não deixe de conferir nossa entrevista com o cineasta Paulo Morelli.

Conhecendo alguns marujos
Um dos primeiros cineastas a fazer essa transição do cinema para a televisão foi Robert Bernard Altman (Kansas City, Missouri 20/021925 – Los Angeles, Califórnia 20/112006). Nas telonas Altman é responsável pelos sucessos Nashville (Idem, 1974), MASH (Idem, 1970) e Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens (McCabe and Mrs. Miller, 1971). Já nas telinhas produziu Nightmare in Chicago (Idem, 1964), Two by South (Idem, 1982), entre outros.

Steven Spielberg, considerado um dos cineastas mais populares e influentes da história do cinema, frequentemente se aventura pelos mares televisivos. Spielberg foi consagrado com filmes como E.T. – O Extra-Terrestre (E.T. – The Extra-Terrestrial,1982), Poltergeist (Idem,1982), Indianas Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom,1984) e Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park,1993).

Elenco de Smash, série de TV com produção executiva do cineasta Steven Spilberg

A primeira série de TV de Spilberg foi Night Gallery, de 1969-1970, mas a pupila dos olhos das séries de Spilberg é a sua mais recente produção, Smash, que começou em 2008 como mais uma das ideias ousadas e mais complicadas de Steven Spielberg. De olho na Broadway, onde a Disney emplacava um sucesso atrás do outro adaptando filmes para o palco, Spielberg pensou que o caminho oposto poderia ser interessante. Que tal uma série de TV na qual cada episódio fosse a concepção e montagem de um musical? E que tal se cada um desses musicais fosse produzido de verdade, no palco? Alguns ajustes no roteiro e a série que iria retratar os bastidores de um musical para a Broadway seria montada.

O diretor de Kill Bill I e II (Kill Bil I, 2003 e Kill Bill II, 2004), Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994) e Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds,2009), Quentin Tarantino também se aventurou na televisão. Fã de séries o cineasta já dirigiu um episódio de E.R – Plantão Médico (E.R,1994 -2010) em 1995, além disso, ele foi ator convidado em uma capítulo da série Alias- Codinome Perigo (Alias,2001- 2006), em 2002. Mas seu último trabalho na televisão foi a direção do episódio final da 5º temporada de C.S.I. (C.S.I-Crime Scene Investigation, 2000 – hoje).

Em um episódio intitulado Grave Danger , Tarantino utiliza passagens do roteiro de Kill Bill II. Além das referências à seus próprios filmes, o jovem diretor confirma sua marca com o uso de violência e sangue exarcebado. A ideia de dirigir o episódio surgiu a partir de um convites que os produtores fizeram ao jovem diretor após ele declarar ser fã da série.

O roteirista e diretor J.J. Abrams e o ator Tom Cruise no set de filmagem do longa Missão Imposível III

E, tem muito cineasta fazendo o caminho inverso também, um dos mais famosos diretores e roteiristas de séries de ficção tem se ariscado no cinema. Jeffrey Jacob Abrams, ou J.J Abrams como é conhecido, é ilustre nas telinhas pelas séries Lost (Idem, 2004-2010), Fringe (Idem,2008-2012) e Alcatraz (Idem,2012). Contudo, recentemente dirigiu os filmes Missão Impossível III (Mission Impossible III, 2006), Star Trek (Idem,2009) e Super 8 (Idem,2011).

Aos 45 anos, Abrams colhe os frutos de seus sucessos. Em sua lista de novos projetos estão as sequências de Star Trek e Cloverfield – Monstro, prometidas respectivamente para 2012 e 2013.

Por Bruna de Alencar
bruna.alencar.santos@gmail.com

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