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No Olho do Furacão é um desastre natural em qualquer filmografia
CINÉFILOS
22 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

Com uma proposta bastante inusitada, No Olho do Furacão (The Hurricane Heist, 2018) não consegue superar o fracasso inevitável, devido aos péssimos personagens, às atuações abaixo do medíocre e a um roteiro insustentável. O diretor Rob Cohen, conhecido por filmes de ação de peso como o primeiro Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious, 2001) e Coração de Dragão (Dragonheart, 1996), consolida seu declínio com esse novo longa-metragem.

“Isso vai ser complicado!” diz Will (Toby Kebbell) a Casey (Meggy Grace), para preveni-la de uma forte colisão a fim de liquidar seus perseguidores. Porém, a parte mais complicada do filme é entender o roteiro repleto de buracos. No Olho do Furacão narra um assalto a banco, com um plano teoricamente infalível, pois uma grande tempestade tropical estaria de passagem pelo Alabama. Esse desastre seria o escudo perfeito dos assaltantes, graças a distração resultante do seu grande estardalhaço.

Embora os criminosos contassem com membros infiltrados na segurança do Tesouro, hackers bem preparados e suporte técnico de alguns membros da polícia, decididos por engordar seu pé de meia, não podiam esperar que Casey, a policial federal encarregada da proteção do cofre, estaria tão engajada. Contavam muito menos com a presença do meteorologista Will na cidade, que torna-se o principal assistente da agente federal, e a todo momento usa de seus conhecimentos para transformar o furacão em sua própria arma.

No Olho do Furacão 01

Ao longo do filme, ambos os protagonistas sempre estão em situações de desvantagem. [Divulgação]

Quando quer, a película usa bem dos aspectos físicos de um furacão, traz muitas curiosidades sobre o assunto, e o meteorologista também faz bom uso desses aspectos para lidar com os bandidos. Outro artifício de Will é o seu carro preparado para enfrentar todo tipo de desastre natural, o qual, com criatividade, acaba sendo mais uma grande dor de cabeça para os criminosos.

A agente Casey conta com a única atuação razoável do filme. A personagem, além disso, conta com uma destreza muito acima da média e sua convicção para defender sua missão é outro grande obstáculo para que o roubo aconteça. Sua vontade para cumprir o desígnio é motivada por uma frustração anterior, que resulta no grande impulso de Casey em não falhar.

Esse é um dos fatos usados no roteiro para unir os dois protagonistas: ambos perderam pessoas importantes, e estão a todo momento se esforçando para evitar uma nova frustração. No caso de Will, a decepção foi a perda de seu pai para o último grande furacão que passou pelo Alabama, e agora quer salvar seu irmão, Breeze (Ryan Kwanten), de um novo desastre a qualquer custo.

O drama, mesmo assim, é completamente raso, os personagens quase não têm profundidade emocional, não dando espaço nenhum para desenvolvimento de sentimentos. Pior ainda é a comédia nada natural que tenta se desenvolver no enredo, que torna muitos dos diálogos completamente desconexos. O grande triunfo da película é conseguir citar Mark Twain, célebre escritor norte-americano, e ao mesmo tempo ser mais esdrúxula do que Sharknado (2013), conhecido filme trash, que também trata de desastres naturais.

No Olho do Furacão 02

O furacão, que toma proporções jamais imaginadas, torna-se a mais letal arma na mão de Will, mas um desastre na caneta do roteirista. [Divulgação]

Isso posto, fica a recomendação somente para quem gosta de ver os extremos do clima nas grandes telas. Mas mesmo para esse público No Olho do Furacão pode ser uma decepção, visto que para salvar os protagonistas os desastres naturais tornam-se voluntariosos. Os efeitos especiais muitas vezes ficam a beira do ridículo, não se sabe se por falta de habilidade, ou por algum tipo de motivação cômica distorcida.

No Olho do Furacão estreia dia 7 de junho nos cinemas. Assista ao trailer abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=jh08ioq8YYo

por Pedro Teixeira
pedro.st.gyn@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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