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“Nosso Planeta”: muito mais do que um documentário sobre vida animal
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23 out 2019 | Por Maria Eduarda Nogueira (mariaeduardanogueira@usp.br)

Documentários sobre a vida animal são comuns na Netflix. Títulos como “72 Animais Perigosos: América Latina” (72 Dangerous Animals: Latin America, 2017) recheiam o catálogo. Embora interessantes, essas produções deixam a desejar. Isso porque, apesar de apresentarem com maestria o habitat e o modo de vida dos animais, não trazem relação com a realidade humana. Essa é a inovação trazida por Nosso Planeta (Our Planet, 2019), que mostra como as mudanças climáticas estão afetando seres vivos ao redor de todo o globo.  

Imagem: Reprodução

Os oito episódios, de aproximadamente uma hora, são narrados por David Attenborough, naturalista britânico famoso por ser a voz por trás de diversos documentários de vida animal. De “Mundos Congelados” a “Florestas”, tudo é “Um só planeta”. Em alguns dos episódios, podemos ver presença da fauna brasileira, como a onça pintada (chamada de jaguar, em inglês) no Pantanal e o macaco-aranha-preto na Amazônia. 

Mostrando diferentes biomas e regiões do mundo, a produção original da Netflix investe nas imagens detalhadas e no ótimo texto de Attenborough para impactar o espectador. E esse impacto é devidamente sentido.

Tanto que a Netflix chegou a fazer um tuíte com alerta de gatilho para os amantes de animais, mostrando a minutagem dos episódios em que ocorreriam cenas mais fortes. Em um dos momentos mais impactantes, uma morsa pula de um penhasco em direção à morte. A diminuição da camada de gelo faz com que as morsas tenham que usar o ambiente terrestre, onde possuem pouco espaço. “Nessas condições, morsas são um perigo para si mesmas”, diz Attenborough. 

O resultado? A necessidade de voltar à água – para conseguir alimento – leva à morte. 

O serviço de streaming, no entanto, defendeu a exibição da cena chocante. Os produtores de Nosso Planeta disseram que se trata de uma “ilustração dolorosa do impacto das mudanças climáticas”. 

Outro momento de impacto é na migração de filhotes de flamingos e seus progenitores. Um deles é deixado para trás, por ter dificuldades de andar com o sal incrustado em suas patas. Usuários no Twitter manifestaram sua indignação, querendo que o bebê flamingo fosse resgatado. 

Mostrar filmagens como essas pode parecer uma manobra sensacionalista para gerar audiência. De fato, a polêmica atraiu mais atenção ao documentário. Porém, é possível se questionar: já não é hora de agirmos movidos pelo impacto? O uso de imagens fortes pode ser o pontapé inicial para que atitudes efetivas comecem a ser tomadas. Nosso Planeta acerta justamente ao usar dessas filmagens para atingir seu objetivo: a conscientização sobre a mudança climática. 

O caráter político do documentário é o que o diferencia dos outros. Embora seja também interessante ver os hábitos de diferentes animais ao redor do globo, a produção audiovisual ganha destaque porque utiliza desse interesse para promover um diálogo que ultrapassa a simples biologia. 

Saber sobre os 72 animais mais perigosos da Ásia pode ser uma curiosidade legal, mas não impacta em nossa percepção sobre o aquecimento global e em como ele está destruindo a fauna mundial. Em dez anos, 718 espécies entraram na lista de extinção no Brasil. Ursos polares estão invadindo vilarejos em busca de comida. O que estamos fazendo para impedir isso? 

Apenas assistir a um documentário crítico também não é suficiente. As mudanças climáticas já afetam diversas espécies animais. Quanto tempo até atingir o Homo sapiens? 

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