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Amazon Prime: Em ‘Noturno’, o diabo está nos detalhes
CINÉFILOS
03 dez 2020 | Por Pedro Ferreira (umpedroferreira@gmail.com)

Uma vida inteira dedicada à música exige sacrifício. É com essa prerrogativa que Noturno (Nocturne, 2020) explora os caminhos obscuros aos quais a ambição e a inveja podem levar. A produção é parte dos vários lançamentos de filmes de terror que visam trazer mais diversidade ao gênero, frutos da parceria do Amazon Prime com a produtora Blumhouse — responsável por Corra! (Get Out, 2017) e Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman, 2018).

Dirigido por Zu Quirke, o longa é centrado em Juliet (Sydney Sweeney) e sua irmã gêmea Vivian (Madison Iseman). Ambas são pianistas promissoras, mas Juliet é constantemente ofuscada pela irmã, tanto no ramo musical quanto na vida pessoal. Após Moira (Ji Eun Hwang) — uma colega da escola — cometer suicídio, Juliet obtém um caderno utilizado por ela que contém gravuras estranhas e partituras de uma música. A partir disso, sem saber, Juliet firma um pacto para trocar de lugar com sua irmã e obter tudo o que sempre desejou.

 

Caderno de Moira, personagem de Noturno, com desenhos e partituras que conduzem a um ritual. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Caderno de Moira com desenhos e partituras que conduzem a um ritual. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Apesar de ser vendido como uma produção de terror, os momentos aterrorizantes da história são ínfimos, prevalecendo o clima quase ininterrupto de tensão e suspense. A trilha sonora é excepcional em criar essa atmosfera sombria. As composições clássicas são bem inseridas em filmagens de corredores apavorantes e transições de cenas que se utilizam de penumbras e sombras. Há um destaque especial para a Sonata para violino em Sol menor, do violinista italiano Giuseppe Tartini, conhecida como Sonata do Trilo do Diabo.

O longa apresenta, ainda que brevemente, a relação caótica da geração Z com as mídias sociais e o desejo por destaque e atenção que elas fomentam. Em um mundo com tantos músicos talentosos, é impossível que todos fiquem sob os holofotes, e Juliet se recusa a aceitar essa ideia como justificativa para sua ocultação.

A dinâmica entre as duas irmãs funciona bem e é um excelente fio condutor para a narrativa. Contudo, talvez pela curta duração do filme, não há espaço para que as personagens tenham um desenvolvimento melhor e gerem mais identificação no público. A submissão e inveja de Juliet com Vivian, e, posteriormente, a inversão desses papéis, são os únicos fatores que determinam as ações das personagens.

 

Juliet e Vivian, as irmãs protagonistas de Noturno, durante uma discussão. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Juliet e Vivian durante uma discussão. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Os personagens secundários são mal aproveitados e mereciam maior tempo de tela. Max, interpretado por Jacques Colimon, é colocado como uma ponte entre as duas irmãs, mas não exerce essa função plenamente ao sempre pender para um dos lados. O potencial de Miles McKenna, que faz o papel de Alexis, é inteiramente desperdiçado com falas sem vida, o que acaba com as possibilidades de alívios cômicos durante a narrativa.

Apesar de ser livre de sustos, o filme é bem ambientado e plenamente capaz de capturar a atenção do espectador. A falha maior é a divulgação como um gênero ao qual não está tão atrelado assim. Alguns admiradores de longas de terror podem se decepcionar com o resultado final, ou se sentirem satisfeitos caso assistam com expectativas baixas.

Não espere assombrações, jumpscares ou cenas perturbadoras. Em Noturno, o diabo está nos detalhes.

O filme já está disponível no Amazon Prime. Confira o trailer:

 

[Imagem da capa: Divulgação/Amazon Prime]

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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