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O brilho de um brasileiro: Trinta
CINÉFILOS
12 nov 2014 | Por Jornalismo Júnior

 Por André Meirelles,
andremcdg@gmail.com

No semestre em que são lançadas as cinebiografias de Paulo Coelho e Tim Maia, o cinema brasileiro se preocupa em contar a história de outro ícone brasileiro: o carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011). Com a direção de Paulo Machline, “Trinta” chega a 60 salas de todo o Brasil na próxima sexta-feira, dia 13 de novembro, e promete mostrar ao público o lado mais humano do artista que revolucionou uma das maiores festas do nosso país que é o carnaval.

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Matheus Nachtergaele interpreta o carnavalesco Joãosinho Trinta

Quem for assistir o filme esperando ver toda magia e o batuque que acontece dentro de uma avenida, saiba que isso não ocorre o tempo inteiro. As cenas do carnaval em sua essência são exibidas somente no final, em filmagens originais do desfile da escola de samba Salgueiro. A obra vai se dedicar essencialmente a mostrar mais os bastidores da elaboração do enredo da escola no ano de 1974 (O Rei da França na Ilha da Assombração) sob o viés de Trinta. Diversos personagens inseridos no contexto mostram como que é o dia a dia em uma quadra de escola de samba e todas as desavenças e disputas que existem entre os seus integrantes. “O que me interessava era contar como João Clemente Jorge Trinta se transformou no João Trinta”, disse o diretor Machline durante a coletiva de imprensa do filme.

A história começa com o desentendimento entre o presidente do Salgueiro Germano (Ernani Moraes) e o então carnavalesco Fernando Pamplona (Paulo Tiefenthaler). Com isso, Pamplona deixa a escola e Germano convida o novato alegorista Joãosinho Trinta (Matheus Nachtergaele) para comandar o carnaval daquele ano. Cercado de desconfiança dos outros membros em relação ao seu trabalho, Trinta supera todas as barreiras impostas e prova para todos que o desfile pode ser reinventado. Seu antagonista no filme é representado pelo personagem Tião (Milhem Cortaz), integrante do Salgueiro que não aceita o cargo obtido pelo carnavalesco.

filme trinta

O personagem Tião (Milhem Cortaz) é representado como o antagonista de Trinta

A trama se desenvolve e aborda o início da carreira do jovem artista que veio de São Luís para Rio de Janeiro. Em 1960, larga o emprego em um escritório e se torna bailarino de ópera no Theatro Municipal do Rio e por isso, acaba enfrentando um enorme preconceito por parte de sua família conservadora. A discriminação por ser homossexual e o machismo existente nas quadras da escola são outros temas abordados e que ganham espaço na narrativa. Um dos motivos de Tião ser tão oposto a Trinta é justamente essa postura homofóbica adotada, porém no fundo, há um enorme respeito pelo profissional maranhense.

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Diretor, atores e produtores em evento de “Trinta”

O carnaval de 1974 foi o segundo dele a frente de uma produção enorme e seu primeiro título. O filme também mostra o processo de reinvenção de se projetar fantasias e adereços. Comandado pela famosa frase “o povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”, o carnavalesco foi o grande responsável pro implementar artigos luxuosos nunca antes usados em nenhum desfile. A simples transformação do lixo em luxo.

A produção conta ainda com a participação de Paolla Oliveira, Fabrício Boliveira e Mariana Nunes. Se o filme não conta com o brilho e espetáculo de um desfile na Sapucaí, é sustentado pelo talento de Matheus Nachtergaele. O ator apresenta de forma emocionante a vida de um homem artista, que não teve apoio durante alguns momentos, enfrentou preconceitos pela suas escolhas de vida e sexualidade, e tinha uma enorme dedicação ao trabalho de criação. “Eu aprendi que vale a pena insistir nas suas loucuras quando elas são para as pessoas. E acho que isso é uma coisa do Joãosinho”, diz Nachtergaele.

trinta estreia

O carnavalesco morreu em 2011, aos 78 anos, no Rio de Janeiro

“Trinta” é sem dúvida uma bela homenagem à vida e à obra de um dos grandes mestres do carnaval brasileiro. Joãosinho Trinta é o símbolo do indivíduo brasileiro e representa fielmente aquele que vêm da terra. Pobre, sem instrução, autodidata maranhense e com 1, 56 cm de altura. Alguém que durante toda sua trajetória produziu com determinação uma das festas que mais trazem alegria ao povo brasileiro, através do deboche, da ironia, e das histórias ricas em conteúdo. O filme é um verdadeiro convite a conhecer o brilho de um brasileiro que mudou para sempre a cultura popular de seu País.

Confira o trailer de “Trinta”:

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