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O Candidato Honesto: Uma mistura de política e humor
CINÉFILOS
30 set 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Giovanna Chencci
g.chencci@gmail.com

Em meio a esse clima de eleições que nos cercam nesse ano de 2014, o filme “O Candidato Honesto” chega ao cinema com um tema pra lá de contemporâneo no cenário político brasileiro. A personificação de grandes personagens da política do Brasil reina nesse filme, que traz consigo tanto o humor, em sua forma mais simples, como também a crítica ao momento que vivemos hoje.

João Ernesto (Leandro Hassum) é um político extremamente corrupto e influente que está concorrendo à presidência da república. Com o seu carisma e simpatia, conquista milhares de eleitores que acabam o levando para o segundo turno das eleições. Porém, nem tudo continua fácil para João. Em uma visita ao leito de morte de Dona Justina (Prazeres Barbosa), o deputado é amaldiçoado pela avó, que vocifera a necessidade do neto em começar a falar verdade e não mais viver essa vida de enganação. A partir de então, João Ernesto começa a ser incrivelmente sincero e falar só a verdade, algo até então desconhecido para ele e para o seu partido, que tanto apoia o seu comportamento corrupto.

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Nessa onda de mudança de comportamento repentino, nasce a grande graça do filme. Leandro Hassum, de forma engraçada e irreverente como ele bem sabe fazer, interpreta João Ernesto, dando vida tanto ao político mentiroso quanto àquele que não consegue mais medir suas palavras. O humor é o personagem principal desse filme, que consegue fazer boas e divertidas analogias com situações da política brasileira.

Com muitas risadas, o público consegue se divertir com a aparição do famoso “mensalão”, que no filme aparece com o nome de “mesadinha”.  Associações com grandes partidos do cenário político atual também não escapam da trama. Os “pica-paus”, partido de João Ernesto, é uma grande alusão aos tucanos, PSDB, assim como o personagem da bancada cristã no Congresso faz grande referência ao deputado Marco Feliciano do PSC. A forma como essas “personificações” são feitas é o que chama mais atenção no filme. Com uma produção de humor e de enredo já batida, essas analogias são o elemento fundamental que distingue esse filme dos demais produzidos pelo cinema brasileiro.

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Mesmo sendo uma forte crítica ao sistema corrupto que impera na política brasileira nos dias de hoje, o filme não consegue fugir do seu senso comum. A confusão criada pela sinceridade do protagonista é um recurso já muito conhecido do cinema brasileiro, o que começa a causar certo desgaste no público que assiste a esse tipo de filme. O humor, que nesse caso atuou como forte instrumento de crítica, é ainda mais explorado nessa mudança comportamental do personagem principal, fortalecendo o velho clichê da transformação do político maldoso naquele bonzinho e admirado por todos.

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É claro que em um ano importante como esse para a política brasileira, esse filme caiu como uma luva. A exibição da corrupção como a grande doença da política no Brasil, ao mesmo tempo que beira o exagero, também consegue alertar ao público eleitor dos males causados por esses tipos de políticos mentirosos e inescrupulosos. A mensagem deixada no final do filme pode servir de grande influência e inspiração para aqueles que continuam caindo na conversa de “eu não sei de nada” de alguns de nossos governantes.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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