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O Caseiro: Suspense brasileiro com jeitinho de Estados Unidos
CINÉFILOS
22 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Ian Alves
ian.andrade.alves@gmail.com

O longa O Caseiro (2016) difere da maior parte das produções nacionais por pertencer ao gênero suspense. A direção é do jovem Julio Santi: infelizmente, a inexperiência do diretor, quando somada à falta de referências nacionais para esse gênero, é refletida em marcas negativas no longa. Apesar do roteiro intrigante de Julio Santi e João Segall, O Caseiro, no final das contas, mais parece um simulacro mal sucedido de um filme estadunidense.

As falhas na direção do filme são tão recorrentes que chegam a incomodar quem o assiste: falta desespero nas atuações, e a calma e o silêncio das performances, que poderiam ter contribuído para o mistério se houvessem sido bem executadas, terminam deteriorando o clima de suspense e criando uma atmosfera maçante e tediosa; as cenas são mal finalizadas e, em consequência, desconexas, o que reforça a falta de dinamicidade do filme; e a trilha sonora, que cumpre seu papel nas horas de susto, extrapola no caráter misterioso quando tenta criar um clima tenso em cenas que simplesmente não são de suspense.

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Apesar de todos esses pequenos erros, há vários aspectos a serem elogiados em O Caseiro, a começar por sua própria existência. É revigorante, em meio às recentes comédias nacionais que mais parecem variações de um mesmo filme, assistir a uma produção brasileira fora do padrão. A produtora Rita Buzzar fez um trabalho excelente dentro de um orçamento relativamente apertado – aproximadamente 3,2 milhões de reais, segundo a própria Rita -, construindo iluminações fantásticas e efeitos especiais aceitáveis (o que já destoa de outras produções do Brasil). Além disso, o roteiro traz um final surpreendente e, em alguns momentos do filme, provoca uma sutil dúvida no espectador ao misturar os suspenses psicológico e sobrenatural.

Julio Santi teve muita coragem em acreditar numa produção nacional de suspense, mas não conseguiu construir um longa-metragem único e diferenciado. É impossível negar a influência que o cinema dos Estados Unidos tem nas indústrias de outros países, mas O Caseiro transborda aspectos cinematográficos que remetem aos norte-americanos. Do filme, resta, sobretudo, a vontade de assistir a mais suspenses nacionais – dessa vez, com um pouco mais de autenticidade.

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O filme estreia na quinta-feira, dia 23 de junho. Confira o trailer:

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