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O Comandante e a Cegonha: Boas risadas e uma leve critíca à sociedade italiana
CINÉFILOS
12 jun 2013 | Por Jornalismo Júnior

Parte integrante da Mostra Panorama Suiço – festival que traz um pouco de cinema contemporâneo do país para o Brasil, do dia 14 a 20 de junho no CineSesc – O Comandante e a Cegonha (Il Comandante e La Cicogna, 2012) do diretor Silvio Soldini é uma comédia água-com-açúcar (no melhor sentido da expressão) ambientada em Turim nos dias de hoje.

Acompanhando as desventuras de Diana, uma pintora falida, e Leo, um pai que cuida sozinho de seus dois filhos adolescentes, Elia e Maddalena, o filme nos dá uma perspectiva da sociedade italiana moderna e de personagens típicos do seu cotidiano: o advogado espertalhão, a secretária puxa-saco, a filha namoradeira (personagens esses, também bastante familiares para o público brasileiro).

Logo na primeira cena, nos deparamos com a estátua de Garibaldi olhando tristemente para a confusão das ruas a sua volta e ponderando se toda a luta por uma Itália livre e unificada valeu a pena. “Afinal, não seria melhor termos nos juntado aos austríacos?”, pensa, ao ver duas mulheres brigando a tapas por conta de um acidente no trânsito. Esse tom jocoso em relação ao comportamento aparentemente irracional dos italianos contemporâneos se mostra em todo o longa, principalmente entre os diálogos das estátuas de Garibaldi, Cazzaniga, Leonardo Da Vinci, em divagações do poeta Leopardi e até nas situações totalmente despropositadas por quais Leo e Diana passam. Os diálogos entre as estátuas permeiam toda a narrativa e são engraçadíssimos, especialmente quando a rivalidade de Garibaldi com Cazzaniga, estátuas que, por ironia da história, dividem a mesma praça em Turim, é abordada.

Mas o ponto alto do filme são os personagens codjuvantes, especialmente Amanzio, um gordo excêntrico e encrenqueiro que se torna amigo de Elia depois de uma tentativa frustada de roubar um supermercado. Seu modo de vida peculiar inclui passar as tardes aprendendo sozinho a falar outros idiomas e a citar frases de pensadores famosos como Nietzsche, Van Gogh e Freud no meio de conversas aleatórias.

Outros destaques do elenco são o Advogado (interpretado por Luca Zingaretti), um corrupto e megalomaníaco que contrata Diana para pintar um mural em sua homenagem – com direito a cafonices como seu desenho de tanga representando o rei da selva. E também Florenzio, um chinês falante que tem problemas conjugais com a esposa e é o motorista da kombi de Leo. As atuações dos outros personagens são consistentes, mas não arrancam tantas risadas do público quanto esses três personagens.

Apesar de a critíca à corrupção da sociedade italiana estar presente em toda a narrativa, outros temas são abordados de forma divertida (e também um pouco caricaturesca), como a relação pai/filhos na era da internet e também os eternos desencontros dos relacionamento amorosos.

No final, O Comandante e a Cegonha é um filme divertido, com um humor convencional estilo A Grande Família que agrada pelas ótimas atuações. A critíca social está presente, mas não é mostrada de forma panfletária e, ao final do filme, saímos com um leve sorriso no rosto, contentes pelo esperado final feliz. Afinal, o que há de errado em se gostar de uma boa comédia água-com-açúcar de vez em quando?

Por Isabelle Almeida
bellemaso@gmail.com

 

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