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O conto não é mais de fadas
CINÉFILOS
01 jun 2012 | Por Jornalismo Júnior

Nem a fofura infantil abordada pelo clássico da Disney e nem a (falha tentativa de) comédia em Espelho, Espelho Meu  (Mirror, Mirror. EUA. 2012) estão presentes no longa-metragem Branca de Neve e o Caçador (Snow White and The Huntsman. EUA. 2012). O filme teve ambições maiores e deu à famosa história um viés mais épico e quase um estatuto de lenda.

Assim como em Kill Bill (EUA. 2003.), de Quentin Tarantino, (porém com menos evidência) há uma miscelânea de elementos presentes em várias outras histórias que foi inserida no roteiro de A Branca de Neve e o Caçador e que de fato funcionou: a madrasta má, além de rainha bruxa, é uma espécie de vampira que suga a beleza e a juventude das moças do reino (que passam a cortar o próprio rosto para se protegerem); o mundo, que antes era inóspito e morto, passa a se restaurar quando o espelho mágico decreta que Branca de Neve virá a ser a mais bela do reino (assim como em As Crônicas de Nárnia).

Uma espécie de profecia é citada durante o filme e coloca que que apenas Branca de Neve poderá matar a Rainha Má (assim como na saga Harry Potter, onde Harry era o único que poderia matar Voldemort); e notam-se traços de Robin Hood no Príncipe William (ótimo arqueiro que aparece pela primeira vez atacando uma carruagem de suprimentos que pertencem à rainha) interpretado por Sam Clafin.

Elogios devem ser feitos à direção de arte, com destaque para o dualismo estético criado entre a ambientação da Floresta Negra e da Floresta Encantada, e a algumas cenas de guerra que foram muito bem coreografadas e filmadas em ângulos não tão convencionais.

Em termos de interpretação, como se previa, Kristen Stewart (Branca de Neve) em poucos momentos apresentou mais do que seus olhos arregalados e seu suspiro de boca semi-aberta, que já são amplamente conhecidos após sua participação na Saga Crepúsculo. Mas em compensação, Charlize Theron (Rainha Má) fez até com que momentos manjados se tornassem intensos, como a hora em que expulsa do quarto os servos que lhe trouxeram seu espelho mágico, naquela forma clássica: “fora… – pausa dramática – FORA!”. Também deve-se ressaltar os poucos mas suficientes momentos cômicos realizados pelos 8 (não mais 7) anões do filme.

Adaptações à parte, alguns elementos originais da história foram mantidos, como a maçã envenenada dada a Branca de Neve pela Rainha Má disfarçada. Entretanto houve uma mudança que não pode ser de maneira alguma contextualizada. A história se passa num mundo que embora possua aspectos medievais não se aproxima da realidade do espectador por conter elementos mitológicos e criaturas fantásticas. Desse modo não houve o menor sentido quando, logo no início do filme (após a introdução com a infância de Branca de Neve), Branca, enclausurada em sua torre, reza um Pai Nosso. Afinal, não há espaço para cristianismo num mundo onde existem trasgos, fadas, bruxas e todo um universo mágico.

No geral o filme foi muito acima das expectativas, que não eram assim tão altas (afinal, Espelho, Espelho Meu deixou muito a desejar). E quanto à limitada dramaturgia de Kristen Stewart, o filme compensa em vários outros aspectos e realiza bem sua função de entretenimento.

Valdir Ribeiro
v.s.ribeiro93@gmail.com

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