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A reinvenção de O Homem Invisível nos tempos modernos
CINÉFILOS
26 fev 2020 | Por Marcelo Canquerino (marcelocanquerino@gmail.com) 

Com contornos mais atuais, o novo remake de O Homem Invisível (The Invisible Man, 2020), baseado no livro homônimo de ficção científica escrito por H. G. Wells, surpreende pelo discurso nas entrelinhas e pelas ótimas atuações. 

Cecília Kass, interpretada pela incrível Elisabeth Moss, vive um relacionamento abusivo com Adrian Griffin (Oliver Jackson-Cohen), magnata na área de tecnologia ótica. Após fugir do marido e descobrir que o mesmo se suicidou, eventos estranhos começam a surgir na vida de Cecília que colocam a prova sua sanidade e a fazem questionar se o marido realmente morreu. 

“Ele disse que aonde quer que eu fosse, ele me encontraria, viria até mim, e eu não iria vê-lo.” Não é novidade nenhuma para quem assiste que Adrian criou uma tecnologia capaz de deixá-lo invisível. É a premissa base do longa. O ponto chave do roteiro está justamente no fato do espectador saber disso e acompanhar Cecília tentando provar para todos a sua volta que o marido ainda a persegue. 

Elisabeth Moss está fenomenal. A grande protagonista da história carrega o filme do início ao fim com uma atuação verdadeira e agoniante. Ver Adrian incriminá-la e fazer todos a sua volta acharem que ela enlouqueceu faz com que o espectador fique vidrado na cadeira. 

As cenas de ação são de tirar o fôlego. [Imagem: Reprodução | Universal Pictures]

Tudo começa de forma muito sutil e caminha em uma crescente que tem seu ápice mais para o final da história. Até o momento em que Cecília realmente descobre como Adrian ficou invisível, quem assiste fica agoniado procurando qualquer sinal de movimento em todos os planos do filme à espera de um novo ataque.

O roteiro constrói os personagens com profundidade, principalmente Cecília, fazendo a trama parecer verossímil. Não é possível um homem ficar invisível para perseguir a esposa, mas quantas mulheres não passam por situações muito parecidas com as que a protagonista enfrenta no filme? A parte da ficção científica é usada como pano de fundo para retratar o relacionamento abusivo dos dois.

O Homem Invisível não surpreende apenas pelo roteiro e construção dos personagens. As cenas de ação são muito bem dirigidas. Leigh Whannell, diretor e roteirista do longa, faz um trabalho excepcional. O primeiro momento de confronto físico entre Cecília e Adrian é muito bem conduzido e coreografado. 

Os poucos minutos de tela que Oliver Jackson-Cohen bastam para fazer o espectador repudiá-lo. [Imagem: Reprodução | Universal Pictures]

O único ponto fraco são os jumpscares em momentos óbvios que não servem de nada para construir tensão. Tensão esta que é muito bem trabalhada com o desenrolar da trama e com a atuação de Elisabeth Moss.

A inteligência de Cecília também surpreende. Em tramas assim é comum certos personagens terem atitudes burras para conveniência da história. Mas neste filme é diferente. A protagonista é muito bem articulada e calculista. Suas atitudes são pensadas e condizentes com as situações e a própria personagem em si. 

Há uma reviravolta interessante, mas não muito surpreendente. Para não dar spoilers basta saber que ela é importante para corroborar algumas ideias referentes a legitimidade da fala das mulheres em um relacionamento abusivo. Também dá mais força para o final da história e o último plano do filme. 

O Homem Invisível foi uma ótima atualização da trama escrita por H. G. Wells em 1897. É uma ficção científica carregada de suspense que fará quem assistir pensar um pouco além quando sair da sala de cinema. 

O longa estreia no Brasil dia 27 de fevereiro. Confira o trailer

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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