Home Lançamentos O Jogo de Realidades: X Men – Dias de um Futuro Esquecido
O Jogo de Realidades: X Men – Dias de um Futuro Esquecido
CINÉFILOS
20 maio 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Breno Leoni Ebeling
brenolebel@gmail.com

Uma cena de um futuro apocalíptico. Frases de efeito, filosofia sobre o sentido da vida. Personagens mutantes estão envoltas em uma batalha versus nada mais nada menos que as poderosas Sentinelas, as quais são robôs projetados inicialmente para matar mutantes. Em sua evolução incorporam a habilidade de rastreamento genético, o que as torna capazes de encontrar seres humanos portadores do gene X. Isto gera uma guerra na qual tanto humanos quanto mutantes são violentamente exterminados. Nessa primeira cena, é perceptível a imensa desvantagem em que os heróis se encontram, já que todos seus poderes são neutralizados com a facilidade do esmagar um inseto.

10354687_10202542447895462_1633649407408196829_n.jpg

Quando tudo parece estar perdido, de repente todos aparecem em um outro ponto do planeta. O estilo e impacto deste início  remetem a A Origem (Inception, 2010), filme com abertura na mesma linha. Apesar de não ser um sonho, o prelúdio mostrado “nunca existiu”. Ele se tornou parte de uma realidade paralela, pois enquanto a batalha ocorre, um dos mutantes é enviado ao passado para avisar sobre o que virá a acontecer. Está então lançada a base para o filme: a única forma de evitar com que eles sejam dizimados para sempre é enviar alguém ao passado distante e destruir as sentinelas antes de sua criação.

10360689_10202542437415200_6099226819685610558_n.jpg

O assassinato performado por Raven – ou Mystique (Jennifer Lawrence) é então o ponto chave para a construção da trama. Trask, dono do projeto inicial das Sentinelas, e interpretado por ninguém mais ninguém menos que Peter Dinklage, conhecido pelo personagem Tyrion da série Game of Thrones [em andamento – HBO], é seu alvo. Sua morte convence os políticos de que “Sentinelas” é um projeto prioritário para evitar o domínio mutante sobre a raça humana. Charles (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) vêem na união entre os seus “eus” do passado algo importante, e acreditam na redenção de Mystique antes de seu primeiro assasinato. Se evitarem que ele aconteça, todos os assassinatos posteriores realizados por ela deixariam também de ocorrer. Além disso, ao ser presa, Mystique é torturada e utilizada como cobaia. Suas células metamórficas representam uma chave importante para o projeto. Isso leva o desenvolvimento dos robôs assassinos “anos luz” do que seria se não tivessem acesso a seu material genético. 10341708_10202542436935188_5907044412163305093_n.jpg

Ao contrário dos três primeiros filmes da franquia, a amizade entre Charles e Magneto é mostrada sob um ângulo positivo: com a visão de sua futura reconciliação e união de forças na tentativa de evitar o extermínio da raça mutante. Em X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011), todo o início do relacionamento entre eles é mostrado, e o filme encerra com a explicação do que os levou a se desentenderem. Neste longa, a sensação de que Magneto é o grande vilão é praticamente inexistente. Questões gerais como preconceito e intolerância adquirem um teor mais forte agora, porém continuam como o plano de fundo dos acontecimentos centrais.

Jogos com a dimensão tempo são uma tendência do cinema atual. Nesse ponto, o filme lida muito bem com o que acontece quando se muda o passado. Cada autor, diretor e roteirista, tem sua linha de pensamento a respeito do “brincar com o tempo”. No caso, temos Kitty (Ellen Page) usando seus poderes para levar a consciência futura de Wolverine (Hugh Jackman) ao seu corpo do passado. Assim, enquanto ela está atuando na pessoa adormecida, nada do que já foi mudado se efetiva. Quando acordada, é como se a realidade vivenciada antes de dormir nunca tivesse existido e passa a fazer parte apenas da memória do time traveller. Aqui é interessante notar uma forte diferença entre o filme e os quadrinhos: o missionário não era Wolverine, mas Kitty. Mesmo não mantendo fidelidade com a história original, será bem difícil fãs se decepcionarem, já que Hugh Jackman está muito bem no papel. Seu personagem indomável, tenta realizar com os jovens Charles (James McAvoy) e Erik (Michael Fassbender) o que seria impossível ser feito com ele mesmo: apaziguar os ânimos. Exatamente pelo paradoxo e experiência do ator no papel, a fórmula funciona melhor do que o esperado.10386314_10202542456775684_781561894514962771_n.jpg

Uma das maiores diferenças entre X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days Of Future Past, 2014) e seus antecessores é o ritmo que o filme consegue manter, intercalando cenas de ação com momentos mentalmente mais densos de forma bem encaixada e natural. Diferente de  X-Men 3: O Confronto Final (X-Men 3: The Last Stand, 2006), filme que tem um formato semelhante aos desenhos animados da série, e de Primeira Classe, o qual apesar de um ritmo bom, não chega a tirar o fôlego, Dias de um Futuro Esquecido traz intensidade sem ser cansativo. O congelamento da cena, aquele efeito que fez de Matrix (The Matrix, 1999) um marco do cinema, é utilizado de forma maestral numa cena de resgate de Erik – jovem Magneto (Fassbender).10172738_10202542437535203_7593193360716808401_n.jpg

Este é, perceptivelmente, um filme com orçamento estratosférico. Nota-se não apenas pelos efeitos especiais, como também pelas ações de divulgação coordenadas globalmente: semana passada ocorreram nas cidades de Nova York (10 de Maio), Londres (12), Beijing (13), Moscou (13), Singapura (14), São Paulo (15) e Melbourne (16), o cerimonial do tapete vermelho. Em São Paulo, contamos com a presença de Patrick Stewart e James McAvoy (Charles Xavier, nos momentos “futuro” e “passado”, respectivamente).

A pedida é grande e com certeza haverá menos decepção aqui se compararmos ao fiasco do segundo filme da trilogia O Espetacular Homem Aranha (The Amazing Spider-Man 2, 2014), lançado recentemente. Isto porque, além de ter seu roteiro e personagens mais bem construídos, aos fãs de Ciclope e Jean Grey,  personagens mortos em O Confronto Final, uma boa notícia: eles estão de volta à série. O que se passou em O Confronto Final pode ter ficado em uma realidade que “nunca existiu”. Isso ainda não foi explicado, mas para a sequência com lançamento previsto para 2016, X-Men: Apocalipse, fica a sensação de que está tudo muito bem encaminhado para uma participação destes personagens. Sabe-se que o projeto de um novo X-Men Origens – Ciclope está em andamento e a tendência é de uma interconectividade entre os filmes da série. E diferente de filmes em formato de trilogia, como os da série O Hobbit (The Hobbit, 2012-2014) e Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012-2015), este é um filme com começo, meio e fim. O espectador poderá situar-se facilmente mesmo sem ter visto os anteriores.

 

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*